Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Foi passear ao luar

Foi passear ao luar. Não encontrou ninguém. Saiu das ruas para os caminhos e chegou ao campo onde os vizinhos são animais tímidos que não se deixam ver. Tinha calçado meias castanhas porque podia haver poças de lama onde lhe apetecesse mergulhar os pés. Encontrou-as e foi o que fez. No céu sem nuvens as estrelas debruçaram-se quando ouviram chapinhar e as unhas saudaram-nas, sem falar. Somos dez e vós milhares, oh astros! E eu, só uma, passou a lua. Quando calçou os sapatos e voltou para casa ainda faltava muito para amanhecer. Acenou ao céu e foi-se deitar.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Nevoeiro crepuscular



Entre o nevoeiro diurno
E o nevoeiro noturno
No nevoeiro crepuscular
É que gosta de morar

Escapa do dia e da noite
Por essa fresta sem nome
Às vezes da cor do leite
Outras da cor da fome

sexta-feira, 30 de abril de 2021

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

As nuvens atrás da serra.

 As nuvens não são animais, nem plantas, nem minerais. São seres ocasionais. Estavam a olhar para mim lá de trás da serra.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

As laranjas

Cresceram verdes entre as folhas verdes. 

Quase invisíveis.

Aparecem agora. 

O verde está a transformar-se em amarelo.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Dar fé

Vieram dar fé.
Foi exactamente o que vieram fazer. Mas eu, depois de me ocorrer a expressão exacta do que aconteceu, pus-me a pensar no significado das palavras. Dar fé devia querer dizer dar esperança, ou algo assim. E talvez queira. 

quarta-feira, 2 de março de 2016

cinco de bolotas (cinco de paus)

De "As cartas de jogar de Peter Flötner“ (The Playing Cards of Peter Flötner) publicadas por Hans Christoph Zell (Nuremberga, 1540), xilogravura sobre papel, pintura a aguarela, tinta opaca e ouro, 10,47 cm x 6,03 cm (4 1/8 x 2 3/8 polegadas)

(© Germanisches Nationalmuseum, Nuremberg, fotografia de Georg Janssen)

Imagem encontrada aqui

As cartas de jogar parecem ter uma ou muitas histórias embrulhadas umas nas outras. A história das cartas de jogar em Portugal até merece uma rubrica à parte no artigo da Wikipedia em inglês. Enquanto pesquiso e não pesquiso mais sobre isto deixo esta imagem porque as bolotas e as imagens das bolotas também me intrigam.


 


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

a guerra das laranjas

Em 1801 o exército espanhol, perseguido pelo exército francês, entrou em Portugal e conquistou parte do Alto Alentejo. Foi então que Olivença passou a ser espanhola.

Caricatura de Charles Williams publicada a 22 de Julho de 1801: dois portugueses ajoelhados e aterrorizados são obrigados a assinar um tratado de paz.

Mais informações em português no blogue "As Invasões Francesas".

A imagem está no site do Museu Britânico - com o título «The prince of peace signing the Portugal treaty» e tem informações em inglês. 

sábado, 16 de maio de 2015

Soneto a um livro





A um livro

No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer !
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer !

Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma !
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto !...

Poeta igual a mim, ai quem me dera
Dizer o que tu dizes !... Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto !...

Florbela Espanca, SONETOS, p. 32, Edição Integral, Livraria Tavares Martins, Porto, 1960

Este livro tem fotografias. Esta está ao lado deste soneto e encontrei-a aqui. Suponho que seja Florbela com o irmão no final do séc. XIX / início do séc. XX.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Virgem do paraíso

Na Idade Média foram feitas "Virgens Abrideiras" estátuas da Virgem com o Menino ao colo que se abriam e continham no interior o Pai, o Filho e o Espírito Santo, assim como outras representações da vida de Cristo e Maria. A pesquisa mais frutuosa é por "Vierge Ouvrante" (em francês) porque a origem das esculturas é francesa. A palavra "Schreinmadonna" (em alemão) permite encontrar outras.

Esta está no Tesouro da Sé de Évora. A fotografia está no Inventário Artístico da Aquidiocese de Évora - ver aqui

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

matrícula de Gibraltar

hoje cruzei-me com uma auto-caravana com um uma placa de identificação da União Europeia que nunca tinha visto: GBZ
no breve instante em que o meu olhar passou da matrícula para os ocupantes o olhar da senhora encontrou o meu e houve um segundo de entendimento: ela compreendeu o meu espanto :)
fui procurar na internet e descobri na Wikipedia: Gibraltar! :)