O mundo com nomes surgiu de um mundo sem nomes, é razoável prever um mundo onde já não há nomes
Vladimir Kush
Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)
Rumi
A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.
Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.
Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
quarta-feira, 22 de abril de 2020
a ofensa arrasta com ela a rixa
«(...) Está na natureza que à ofensa se responde pela astúcia ou pela violência, que a ofensa arrasta com ela a rixa que põe o ofensor na posição de ofendido. Se Denissov tivesse agido como homem, quer dizer, se se sentisse vexado, se se tivesse batido, se tivesse apresentado queixa, se o juiz o tivesse condenado à prisão ou anulado aquilo por "falta de provas", Kouzma sentir-se-ia calmo; mas assim, sempre a acompanhar a carroça, tinha o ar de alguém a quem faltasse qualquer coisa.
-Eu não roubei o teu dinheiro - disse ele.
-Está bem, não roubaste. Estamos de acordo.
-Vamos a Tolileievo, eu irei ter com o regedor. Para que ele trate do assunto...
-Não há nada a resolver. O dinheiro não é assunto dele. Vais largar-me meu velho, segue o teu caminho. Não quero ver-te mais!
-Toleirão, nem sequer se pode brincar contigo, que logo te zangas... vá... toma lá o teu dinheiro! Eu só queria rir-me!
Kouzma tirou da algibeira umas quantas notas de rublo e entregou-as a Denissov. Este não se mostrou surpreendido nem alegre e, com ar de quem já esperava por aquilo, pegou no dinheiro e sem uma palavra meteu-o no bolso.
-Eu estava a brincar - continuava Kouzma, lançando um olhar interrogador para o rosto impassível de Denissov. (...)»
Contos e Narrativas de Tchekov, volume IV, "Encontro", p. 313, 314
-Eu não roubei o teu dinheiro - disse ele.
-Está bem, não roubaste. Estamos de acordo.
-Vamos a Tolileievo, eu irei ter com o regedor. Para que ele trate do assunto...
-Não há nada a resolver. O dinheiro não é assunto dele. Vais largar-me meu velho, segue o teu caminho. Não quero ver-te mais!
-Toleirão, nem sequer se pode brincar contigo, que logo te zangas... vá... toma lá o teu dinheiro! Eu só queria rir-me!
Kouzma tirou da algibeira umas quantas notas de rublo e entregou-as a Denissov. Este não se mostrou surpreendido nem alegre e, com ar de quem já esperava por aquilo, pegou no dinheiro e sem uma palavra meteu-o no bolso.
-Eu estava a brincar - continuava Kouzma, lançando um olhar interrogador para o rosto impassível de Denissov. (...)»
Contos e Narrativas de Tchekov, volume IV, "Encontro", p. 313, 314
palavras-chave:
carroça,
crenças,
cultura,
diversidade,
estados de espírito,
estilos de vida,
histórias,
homens,
ideias,
leitura,
ler,
linguagem,
previsões,
realidade,
serenidade,
vida
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
sexta-feira, 15 de julho de 2016
vocação, sonho, realidade
Esta imagem é de uma colecção de cromos (do início do séc. XX) que está provisoriamente em leilão na internet. Deixo o link aqui, embora provavelmente desapareça em breve.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Os navios invisíveis
Winston Churchill, As Minhas Memórias, Volume I, p. 143-144, Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1941
A ortografia não foi actualizada.
"Organizámos, para o começo de 1912, uma grande revista naval em Portland. Flutuaram, ao vento, os pavilhões duma dúzia de almirantes e as flamulas de outros tantos comodoros. Vimos juntar as bandeiras de cento e cincoenta navios. O rei passou quatro dias no meio dos marinheiros. Num desses dias realizaram-se as manobras no meio dum espêsso nevoeiro. Os navios partiram ao mesmo tempo. Invisíveis, ocuparam os seus lugares, no meio das vozes de comando e do ruído sinistro das sereias. Parecia impossível que se não desse qualquer acidente. De repente o nevoeiro dissipou-se e distinguiram-se os alvos distantes; os navios de linha, em fila, surgiam, uns após outros, no meio de clarões e lançavam granadas, no meio dum ruído infernal e de jactos de água.
A esquadra voltou, depois, com os seus três grupos de combate, e os cruzadores e as flotilhas de navios mais pequenos, atrás e à frente. A velocidade atingiu os vinte nós. No rasto dos navios havia longas esteiras de espuma branca. A terra aproximava-se. O perímetro da baía abraçava já aquela formação gigantesca. Na ponte do «Enchantress» os adidos estrangeiros, na minha companhia, lançavam olhares ansiosos. Continuámos a avançar a todo o vapor. Mais cinco minutos e os navios que iam à frente da esquadra fundeariam. Quatro minutos, três minutos e ouviu-se, enfim, o sinal. Tôdas as amarras caíram no mar, ao mesmo tempo. À distância regulamentar de cento e cincoenta metros, os navios pararam. Olhando as extensas filas de navios, havia a impressão de que haviam sido traçadas à régua. Estendiam-se por uma distância de muitas milhas. Os espectadores desta cena estavam pasmados."
A ortografia não foi actualizada.
"Organizámos, para o começo de 1912, uma grande revista naval em Portland. Flutuaram, ao vento, os pavilhões duma dúzia de almirantes e as flamulas de outros tantos comodoros. Vimos juntar as bandeiras de cento e cincoenta navios. O rei passou quatro dias no meio dos marinheiros. Num desses dias realizaram-se as manobras no meio dum espêsso nevoeiro. Os navios partiram ao mesmo tempo. Invisíveis, ocuparam os seus lugares, no meio das vozes de comando e do ruído sinistro das sereias. Parecia impossível que se não desse qualquer acidente. De repente o nevoeiro dissipou-se e distinguiram-se os alvos distantes; os navios de linha, em fila, surgiam, uns após outros, no meio de clarões e lançavam granadas, no meio dum ruído infernal e de jactos de água.
A esquadra voltou, depois, com os seus três grupos de combate, e os cruzadores e as flotilhas de navios mais pequenos, atrás e à frente. A velocidade atingiu os vinte nós. No rasto dos navios havia longas esteiras de espuma branca. A terra aproximava-se. O perímetro da baía abraçava já aquela formação gigantesca. Na ponte do «Enchantress» os adidos estrangeiros, na minha companhia, lançavam olhares ansiosos. Continuámos a avançar a todo o vapor. Mais cinco minutos e os navios que iam à frente da esquadra fundeariam. Quatro minutos, três minutos e ouviu-se, enfim, o sinal. Tôdas as amarras caíram no mar, ao mesmo tempo. À distância regulamentar de cento e cincoenta metros, os navios pararam. Olhando as extensas filas de navios, havia a impressão de que haviam sido traçadas à régua. Estendiam-se por uma distância de muitas milhas. Os espectadores desta cena estavam pasmados."
palavras-chave:
cultura,
educação,
escuta,
estados de espírito,
estilos de vida,
histórias,
homens,
leitura,
ler,
máquinas,
natureza,
nevoeiro,
previsões,
serenidade,
tempo,
trabalho
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
os pingos
As gotas e os pingos andam por aí, umas vezes visíveis, outras vezes não, brilham ao Sol ou infiltram-se entre a gola do casaco e a pele do pescoço pelas costas abaixo.
Quer sejam belíssimos quer sejam desagradáveis, existem. Passam. Caem e evaporam-se, podem ser gordos ou compridos, ínfimos ou congelados, deslizam ou endurecem e podem ser esmagados, comprimidos, bebidos, lambidos, reflectidos, fotografados.
Não duram muito mas também não desaparecem, são incontáveis e imprevisíveis. São gotas, são pingos.
Voam ou condensam-se. Libertam-se ou encontram-se. Existem aos milhares ou cada um por si.
Fazem música, aqui e ali.
Quer sejam belíssimos quer sejam desagradáveis, existem. Passam. Caem e evaporam-se, podem ser gordos ou compridos, ínfimos ou congelados, deslizam ou endurecem e podem ser esmagados, comprimidos, bebidos, lambidos, reflectidos, fotografados.
Não duram muito mas também não desaparecem, são incontáveis e imprevisíveis. São gotas, são pingos.
Voam ou condensam-se. Libertam-se ou encontram-se. Existem aos milhares ou cada um por si.
Fazem música, aqui e ali.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
energia jovem
Instituto de Ciência e Tecnologia de Masdar, Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos.
Membros da Associação YFEL - Young Future Energy Leaders (Jovens Futuros Líderes da Energia )
fotografia aqui
Membros da Associação YFEL - Young Future Energy Leaders (Jovens Futuros Líderes da Energia )
fotografia aqui
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
O homem do tempo
Vyacheslav Korotki é um meteorologista russo, um cientista do Ártico. Nos últimos 30 anos tem vivido em barcos e mais recentemente vive sozinho num antigo Farol convertido em Estação Meteorológica, a uma hora de helicóptero da cidade mais próxima. A fotógrafa Evgenia Arbugaeva visitou-o e fez uma reportagem fotográfica para a revista The New Yorker.
«Vista para o Mar de Barents de uma janela do navio Mikhail Somov, o navio que leva comida e outros abastecimentos para a estação de Korotki uma vez por ano, durante a temporada de navegação de verão. Durante a viagem de meses de duração, os tripulantes têm direito a uma laranja por semana.» (tradução da legenda da fotografia)
«Vista para o Mar de Barents de uma janela do navio Mikhail Somov, o navio que leva comida e outros abastecimentos para a estação de Korotki uma vez por ano, durante a temporada de navegação de verão. Durante a viagem de meses de duração, os tripulantes têm direito a uma laranja por semana.» (tradução da legenda da fotografia)
palavras-chave:
boletim metereológico,
ciência,
cultura,
diversidade,
educação,
estados de espírito,
estilos de vida,
fumar,
máquinas,
natureza,
nevoeiro,
previsões,
realidade,
serenidade,
trabalho,
viajar,
vida
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
projecto
as andorinhas já se foram embora há bastante tempo
as laranjeiras eram verdes
agora surgem as laranjas maduras
e pergunto-me se as andorinhas as conhecem
a ver se me lembro de reparar se ainda há laranjas
quando as andorinhas chegarem na primavera
as laranjeiras eram verdes
agora surgem as laranjas maduras
e pergunto-me se as andorinhas as conhecem
a ver se me lembro de reparar se ainda há laranjas
quando as andorinhas chegarem na primavera
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
inventor de instrumentos musicais
Antoine-Joseph Sax, também chamado Adolphe Sax, descobriu que são apenas as proporções da coluna de ar no cilindro sonoro que produzem o timbre. Filho de um construtor de instrumentos musicais trabalhou com o pai e inventou o saxofone há pouco menos de 200 anos.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
verosímil
"PRECISA-SE DE HOMENS
para viagem arriscada, salários baixos, frio intenso, longos meses de completa escuridão, perigo constante, regresso em segurança duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso."
Verosímil mas provavelmente forjado (honra "honor" está escrito à americana; à inglesa seria "honour", embora não seja a prova decisiva de que foi forjado é uma das mais fáceis de indicar e reconhecer).
Fontes (em inglês): $100 anúncio, O mito do anúncio de Sir Ernest Shakleton - um exemplo de verosimilhança
para viagem arriscada, salários baixos, frio intenso, longos meses de completa escuridão, perigo constante, regresso em segurança duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso."
Verosímil mas provavelmente forjado (honra "honor" está escrito à americana; à inglesa seria "honour", embora não seja a prova decisiva de que foi forjado é uma das mais fáceis de indicar e reconhecer).
Fontes (em inglês): $100 anúncio, O mito do anúncio de Sir Ernest Shakleton - um exemplo de verosimilhança
quarta-feira, 21 de maio de 2014
cartaz para ver de passagem
A. M. CASSANDRE (1901-1968)
'Dubo - Dubon - Dubonnet', 1932
cartaz desenhado especificamente para ser visto de carros a passar a alta velocidade
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
boas maneiras
Na verdade não sei como traduzir "Le dernier usage de la civilité"... O desenho é de A. de Roux, para o artigo de Eugène Marsan, na revista "Monsieur" de 1920.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
analema 2013
Analemma em Kumagaya, Saitama, Japão, às 7 horas da manhã.
Fotografada por Masayuki Shiraishi de 18 de Janeiro de 2013 a 22 de Dezembro de 2013.
Ver aqui
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
Vai chover em breve
Vai chover em breve (скоро будет дождь)
Desenhos animados russos baseados numa história vietnamita. Filme de Vladimir Ivanovich Polkovnikov (Влади́мир Ива́нович Полковников), 1959.
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