Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




terça-feira, 19 de julho de 2022

Enquanto há sorriso

 Generalizar

é singularizar a pluralidade.

Cor singulariza todas as cores.

Uma escada reúne degraus.

Precisamos de palavras para nos entendermos mas o efeito colateral de criarem mal entendidos por isso precisamos de aprender sempre com quem não fala, pessoas, animais, plantas, pedras, nuvens e estrelas.

Generalizar é uma uma propriedade da linguagem muito problemática. Pretende condensar conhecimento mas muitas vezes é o principal obstáculo à compreensão. O paradoxo é que "não generalizar" é também uma generalização. Não é, Zenão de Eleia? O que é, é e não pode não ser. A deusa de Parmênides ensinou-lhe que também precisava de aprender o que não é. Precisamos de aprender o que não é porque as palavras o criam. Do que se pode falar ainda não é do que é. E temos que falar. Sorri. Enquanto há sorriso.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

quarta-feira, 23 de março de 2022

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Passear de madrugada

Todas as madrugadas podia vê-la da janela do quarto, usava um casacão cinzento muito confortável e passeava sempre sozinha.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Foi passear ao luar

Foi passear ao luar. Não encontrou ninguém. Saiu das ruas para os caminhos e chegou ao campo onde os vizinhos são animais tímidos que não se deixam ver. Tinha calçado meias castanhas porque podia haver poças de lama onde lhe apetecesse mergulhar os pés. Encontrou-as e foi o que fez. No céu sem nuvens as estrelas debruçaram-se quando ouviram chapinhar e as unhas saudaram-nas, sem falar. Somos dez e vós milhares, oh astros! E eu, só uma, passou a lua. Quando calçou os sapatos e voltou para casa ainda faltava muito para amanhecer. Acenou ao céu e foi-se deitar.

sábado, 15 de janeiro de 2022

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Nevoeiro crepuscular



Entre o nevoeiro diurno
E o nevoeiro noturno
No nevoeiro crepuscular
É que gosta de morar

Escapa do dia e da noite
Por essa fresta sem nome
Às vezes da cor do leite
Outras da cor da fome

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Poema aos hexágonos

Esdrúxulos
Ângulos de 120º
 
Favos de mel
Olhos de insetos
Carapaças de tartarugas
Flocos de neve

O lápis que isto escreve

Futebolistas
Lusos e não lusos
Chutam hexágonos

Porcas de parafusos
E outros
Usos