Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Foi passear ao luar

Foi passear ao luar. Não encontrou ninguém. Saiu das ruas para os caminhos e chegou ao campo onde os vizinhos são animais tímidos que não se deixam ver. Tinha calçado meias castanhas porque podia haver poças de lama onde lhe apetecesse mergulhar os pés. Encontrou-as e foi o que fez. No céu sem nuvens as estrelas debruçaram-se quando ouviram chapinhar e as unhas saudaram-nas, sem falar. Somos dez e vós milhares, oh astros! E eu, só uma, passou a lua. Quando calçou os sapatos e voltou para casa ainda faltava muito para amanhecer. Acenou ao céu e foi-se deitar.

sábado, 15 de janeiro de 2022

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Nevoeiro crepuscular



Entre o nevoeiro diurno
E o nevoeiro noturno
No nevoeiro crepuscular
É que gosta de morar

Escapa do dia e da noite
Por essa fresta sem nome
Às vezes da cor do leite
Outras da cor da fome

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Poema aos hexágonos

Esdrúxulos
Ângulos de 120º
 
Favos de mel
Olhos de insetos
Carapaças de tartarugas
Flocos de neve

O lápis que isto escreve

Futebolistas
Lusos e não lusos
Chutam hexágonos

Porcas de parafusos
E outros
Usos

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Breve referência à introdução do pinheiro bravo no continente português

«Quem calcorrear as nossas estradas e percorrer veredas e caminhos deparará com uma árvore esguia, que se propaga sem grandes cuidados por meio da sua semente alada que vagueia ao sabor dos ventos até repousar, por fim, em qualquer pequena fenda onde se reproduz - é o pinheiro bravo.

Semente de Pinheiro Bravo
Luis Fernandés Garcia
2000

Parece certo que o aparecimento em Portugal desta espécie florestal se deve ao facto de os mareantes portugueses, vindos de França, terem metido nas suas embarcações, como combustível, as pinhas, as braças e o lenho de alguns pinheiros bravos originários daquele País. As pinhas ter-se-iam aberto com o calor e a tripulação, habituada a comer os pinhões do nosso pinheiro manso e estranhando a semente muito mais pequena e com uma amêndoa que não podia servir de alimento, contou o sucedido à Rainha Santa que, nessa altura, vivia em Leiria, em terras que lhe haviam sido doadas em 1300, por seu marido, o Rei D. Dinis. À Rainha, que todos escutava, foram mostradas as sementes com a descrição dos pinheiros e com a afirmação de que eles vegetavam bem em terreno arenoso.

Deliberou lançar a semente à terra, e teria sido a Rainha que transportou a «arregaçada de penisco» até uma clareira existente nos seus domínios e, aí, a lançou no areal.

Passaram-se meses, a semente vingou, e quando D. Dinis voltou a aparecer em Monte Real, a Rainha foi mostrar-lhe não só os trabalhos levados a cabo no reguengo de Ulmar, que fazia parte daquela doação, como a sementeira que tinha feito por suas mãos,.

D. Dinis, entusiasmado com o desenvolvimento nascedio, e desejoso de ter em abundância material lenhoso para a construção naval, diz aos mareantes que para a outra viagem lhe tragam mais semente daquela.

Vindo então mais semente - o «penisco» - é lançado noutras clareiras, e o povo, sempre cheio de curiosidade e amor à terra, passou a ir ver o «Pinhal do Rei» e o desenvolvimento que ia tomando.

Depois a semente alada, transportada pelo vento e pelo Homem, foi-se espalhando por toda a costa portuguesa ao norte do Tejo, penetrou nas Beiras e deu-se tão bem nas nossas terras que o pinheiro bravo bem parece ser originário de Portugal.»

Manuel Martins da Cruz, A Resina, Selecção Educativa - Série N - Número 18, Ministério da Educação Nacional, Direcção-Geral do Ensino Primário, 1966 


quarta-feira, 6 de outubro de 2021