Na hora mais fria
Ao amanhecer
Brota a luz do chão
Que se encosta ao céu
Generalizar
é singularizar a pluralidade.
Cor singulariza todas as cores.
Uma escada reúne degraus.
Precisamos de palavras para nos entendermos mas o efeito colateral é criarem mal entendidos, por isso precisamos de aprender sempre com quem não fala: pessoas, animais, plantas, pedras, nuvens e estrelas.
Generalizar é uma uma propriedade da linguagem muito problemática. Pretende condensar conhecimento mas muitas vezes é o principal obstáculo à compreensão. O paradoxo é que "não generalizar" é também uma generalização. Não é, Zenão de Eleia? O que é, é e não pode não ser. A deusa de Parmênides ensinou-lhe que também precisava de aprender o que não é. Precisamos de aprender o que não é porque as palavras o criam. Do que se pode falar ainda não é do que é. E temos que falar. Sorri. Enquanto há sorriso.
«Donde se conclui que a Terra não é plana, como opinaram Empédocles e Anaxímenes, nem timpanóide* como afirmava Leucipo, nem em forma de taça como dizia Heraclito, nem de maneira nenhuma côncava como ensinava Demócrito. Também não é cilíndrica como Anaximandro julgava, nem a sua parte inferior se prolonga indefinidamente segundo a opinião de Xenófanes, mas é dotada de perfeita rotundidade como os filósofos pensam.»
Nicolau Copérnico, As Revoluções dos Orbes Celestes, Fundação Calouste Gulbenkian, p.23
*em forma de tímpano, tambor
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| Bill Anders, Frank Borman e Jim Lovell (Apollo8) ontem à noite |