Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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terça-feira, 19 de julho de 2022

Enquanto há sorriso

Generalizar

é singularizar a pluralidade.

Cor singulariza todas as cores.

Uma escada reúne degraus.

Precisamos de palavras para nos entendermos mas o efeito colateral é criarem mal entendidos,  por isso precisamos de aprender sempre com quem não fala: pessoas, animais, plantas, pedras, nuvens e estrelas.

Generalizar é uma uma propriedade da linguagem muito problemática. Pretende condensar conhecimento mas muitas vezes é o principal obstáculo à compreensão. O paradoxo é que "não generalizar" é também uma generalização. Não é, Zenão de Eleia? O que é, é e não pode não ser. A deusa de Parmênides ensinou-lhe que também precisava de aprender o que não é. Precisamos de aprender o que não é porque as palavras o criam. Do que se pode falar ainda não é do que é. E temos que falar. Sorri. Enquanto há sorriso.

terça-feira, 31 de março de 2015

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

céu e sabonete

Duas mulheres idosas e amigas recentes reencontraram-se numa cidade de um país longínquo. Uma delas adquiriu no mercado uma linda pedra redonda que parecia um sabonete cor de rosa e ofereceu-a à amiga. Surpreendida e grata esta procurou entre os seus pertences uma oferta que pudesse ser comparável e encontrou uma pedra redonda mais pequena e com o interior vazio. Era uma imagem do céu. Ofereceu-a à amiga. Quando regressaram às suas casas elas levaram o céu e o sabonete para países muito distantes um do outro. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A verdade não está no julgamento, o julgamento acrescenta-se à verdade.

A verdade não está no julgamento, o julgamento acrescenta-se à verdade.
Somos livres de julgar ou não - jugar :)
Para além do bem e do mal não está a morte de Deus mas a origem da origem, não manifesta.
A água chega à fonte,
a origem da água vem detrás da fonte,
se conheceres bem
podes adivinhar os veios e as cavernas
da água subterrânea,
ou das águas subterrâneas,
como te soar melhor.
A mente vive a vida do corpo consciente
e inconscientemente.
E isto é inevitável.
O que é quase sempre evitável é sofrer.
No entanto gostamos de drama e agitação,
sem os quais a vida não tem sabor.
Porém
sabemos
que o valor da água para quem tem sede
é o mais alto valor.
Não procures o valor onde ele não está.
Procura-o onde é.
Agora. Sempre. Ou,
se quisermos, nunca.
Porque o nunca é a origem da origem.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

nocebo

estamos mais ou menos familiarizados com o efeito placebo - se acreditamos que algo nos faz bem isso faz-nos realmente bem
mas estamos menos familiarizados com o efeito nocebo, que é o oposto - se acreditamos que algo nos faz mal isso faz-nos realmente mal
que é então acreditar? e até que ponto podemos escolher aquilo em que acreditamos?
ou melhor: podemos nós perceber que acreditamos em algo?
parece que sim, que podemos ... embora não seja muito fácil, porque aquilo em que acreditamos nos parece ser verdade
é comum incentivar as pessoas a ter pensamentos positivos, acreditar no bem, etc. para que isso se torne realidade, supõe-se portanto que podemos escolher aquilo em que acreditamos
também o proselitismo, o marketing e a propaganda pretendem convencer as pessoas a acreditar em qualquer coisa e muitas vezes conseguem, embora também provoquem o efeito contrário e algumas pessoas acreditem então que tudo o que vem de determinada fonte é mentira
mas basta ser possível dizer o que estou a dizer para compreender que há uma distância entre acreditar e ser verdade, distância essa que é mais perceptível nos outros :)
é mais fácil perceber que outras pessoas acreditam em coisas em que não deviam acreditar :)
já aquilo em que nós acreditamos ... enfim ... é a verdade :)
e porque esperaria eu que acreditassem no que estou aqui a escrever? ;)
deixem-me só acrescentar que é precisamente isto que me entusiasma na brincadeira, este acreditar sem acreditar :)
mas também não acreditar acreditando ;)
e experimentar para ver o que acontece ...
quer acreditemos quer não vivemos num mundo maravilhoso onde nunca se sabe o que vai acontecer ...
oh, dirão talvez alguns de vocês, mas as companhias de seguros ganham muito dinheiro precisamente porque apostam na probabilidade de não acontecer nada de mal aos seus segurados ... eh, eh, eh, isto também tem graça, porque na verdade as companhias de seguros vivem das cláusulas que impedem os segurados de beneficiar do seguro se lhes acontecer alguma coisa ...
e, como vêem, eu divirto-me com estes diálogos imaginários ... :)
excepto quando me ponho triste ou ansiosa ou deprimida ou outra coisa qualquer precisamente por causa dos pensamentos com que me entretenho ...
e esta distância entre mim e os pensamentos com que me entretenho também me dá que pensar ...
espero ter conseguido explicar, mais ou menos, o meu amor ao vazio ...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

as formas invisíveis

Cada pessoa vê o invisível na proporção da clareza do seu coração,
e isso depende de quanto o poliu.
Quem poliu mais vê
mais - mais formas invisíveis se lhe tornam manifestas.

sábado, 1 de maio de 2010

harmonia

as sensações são fluidas, indefinidas como as temperaturas do vento e os sons das diferentes folhas que o vento agita no campo

a delícia é um nome para muito diferentes sensações agradáveis

o conforto, porém, limita as sensações deliberadamente

procurar ou fugir de sensações é inútil, elas não estão lá fora

no mundo das coisas

mas na interacção sem limites que não distingue fora e dentro

oh, quão feliz e infeliz se pode ser em menos de um minuto em qualquer lugar...

a sós ou com companhia...

a exaltação chega inesperadamente

não há porquê...

só sensação

o pensamento quer encontrar palavras e não pode...

flutua num mar interior, mergulha, voa...

ah!

breve, tão breve e mais precisa e preciosa que uma dura jóia é a sensação que nos guia

e desvia de mesquinhos obstáculos e limites

em direcção a um céu ainda mais espaçoso que o espaço

onde não há carências nem excessos

porque toda a alteração produz harmonia

domingo, 20 de dezembro de 2009

pensando

  • tu és sempre algo que permanece com lampejos da finitude do real e amnésias mais ou menos consentidas.
  • as metamorfoses são irrepetíveis mas podem parecer monótonas.
  • depende do teu estado de espírito: compreendes ou não compreendes, e compreendas ou não, eis o que é.
  • sem limites mas apropriadamente descrito como esfera.
  • se não houvesse a verdade como se poderia deformá-la? ;)
  • frio celeste, lume terrestre, vinho e petisco com amigas...
  • o prazer do inverno reside no lume.
  • no lar.
  • vocação de gata borralheira...
  • sonhos...
  • esquecimento
  • de todas as coisas do mundo quem pode julgar quais as que devem e as que não devem existir?
  • de toda a diversidade quem pode seleccionar o que é e não é legal?
  • (tenho aqui a sençação que a leitura brasileira e portuguesa da última frase vai divergir bastante)
  • acredita em ti, tu sabes.
  • e o que tu sabes não é o mesmo que outra pessoa sabe e é por isso que sois diferentes, para que vos possais reconhecer uns aos outros
  • e mesmo assim vós confundis o avô com o neto, os primos e os irmãos
  • trocais os nomes uns aos outros, não sabeis já o que queríeis quando iniciastes o caminho.
  • vamos às cegas, não vemos, vamos de costas voltadas para a fé, percorrendo a área das nossas crenças, raízes imaginárias de um ser equivocado.
  • auto-limitado para sentir algum poder.
  • por mínimo que seja:
  • eu fui fonte e origem disto ou daquilo...
  • engraçado, não é?
  • como se a fonte dissesse de si: nenhum manancial me alimenta escondido aos vossos olhos...
  • flutuam as nuvens no céu e as ideias também se evaporam e chovem.
  • por fim estás tão entretida que nem percebes quando acaba uma brincadeira e começa outra
  • não há fronteiras senão imaginárias, por mais que se materializem, sempre se esboroam sem se dar por nada

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Não compreendo

"Não compreendo mas parece haver um lugar vazio para mim neste universo." Encontrei esta frase, em inglês, há tempos, no cabeçalho de um blog da Malásia - entretanto já lá não está... A fotografia foi tirada no Djibouti.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

ALENTEJO - ZONA DE ANARQUIA EXPERIMENTAL

Façamos do deserto uma zona livre de políticos, uma zona de anarquia experimental. Ninguém mete o nariz e o pessoal da margem sul que se entenda com os de Beja.