Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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terça-feira, 12 de março de 2024

Gil Vicente, Auto da Lusitânia, 1531

 Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:


Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
                         delas não posso achar, 
                         porém ando porfiando

                         por quão bom é porfiar. 

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
                         e meu tempo todo inteiro
                         sempre é buscar dinheiro
                         e sempre nisto me fundo.


Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
               e busco a consciência.


Belzebu: Esta é boa experiência:
             Dinato, escreve isto bem.


Dinato: Que escreverei, companheiro? 

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
              e Todo o Mundo dinheiro.


Ninguém: E agora que buscas lá? 

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
               que tope com ela já.


Belzebu: Outra adição nos acude:
              escreve logo aí, a fundo,
              que busca honra Todo o Mundo
              e Ninguém busca virtude.


Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
                         tudo quanto eu fizesse.


Ninguém: E eu quem me repreendesse
               em cada cousa que errasse.


Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido? 

Belzebu: Que quer em extremo grado
              Todo o Mundo ser louvado,
              e Ninguém ser repreendido.


Ninguém: Buscas mais, amigo meu? 

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
               a morte conheço eu.


Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte? 

Belzebu: Muito garrida:
              Todo o Mundo busca a vida
              e Ninguém conhece a morte.


Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
                         sem mo Ninguém estorvar.


Ninguém: E eu ponho-me a pagar
               quanto devo para isso.


Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
              que Todo o Mundo quer paraíso
              e Ninguém paga o que deve.


Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
                         e mentir nasceu comigo.


Ninguém: Eu sempre verdade digo
               sem nunca me desviar.


Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
              não sejas tu preguiçoso.


Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
              E Ninguém diz a verdade.


Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
              não te fique no tinteiro:
              Todo o Mundo é lisonjeiro,
              e Ninguém desenganado.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

mundo flutuante

Estampa de Hokusai no site da Biblioteca Nacional de França. Link: aqui.

Mundo flutuante (Ukiyo) foi o nome que os japoneses deram à cultura urbana que se desenvolveu no Japão entre os séc. XVII e XIX. O nome é uma alusão irónica ao triste mundo budista. As estampas japonesas são retratos do mundo flutuante. 

sábado, 22 de agosto de 2015

Valdez, Alasca

Escultura de Peter Wolf Toth, 1981 (ver aqui).

É a escultura #40 da Pista dos Gigantes que Sussurram (Trail of the Whispering Giants) que Peter Wolf Toth fez nos Estados Unidos da América e no Canadá em honra dos povos nativos.

A escultura é de madeira de abeto de Sitka (Picea sitchensis) que tem excelentes características acústicas.

A fotografia está no site da Conferência de Teatro da Última Fronteira (Last Frontier Theatre Conference)

Encontrei outra fotografia desta estátua no blog Vivendo No Alasca - A Vida Na Última Fronteira (Living In Alaska - Life in The Last Frontier)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O teatro de Odessa

Театр оперы и балета. Зал
"No dia seguinte repartiram entre os velhos do asilo quatro pedaços de açúcar e carne para a sopa. À noite levaram-nos ao teatro da cidade, a um espectáculo dado pelo seguro social. Era a ópera «Cármen». Pela primeira vez na vida os inválidos e os espantalhos sociais viram os palcos dourados do teatro de Odessa, o veludo dos seus balcões, o brilho azeitado dos seus candeeiros. Nos intervalos deram a cada um uma sande de miúdos."

Isaac Babel, Contos de Odessa, p. 71, Editorial Inova Limitada, Porto, Setembro, 1972