Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

As estações

«Uma menina de seis anos vai para a escola. Na entrevista, perguntam-lhe quantas estações do ano conhece ... Ela pensa por um momento e diz com confiança:
-Seis!
O director com tacto sugere:
-Pense melhor.
A menina pensa novamente por um momento e diz:
-Sinceramente, não me lembro de mais ... Seis!
O director olha expressivamente para a mãe da menina que ficou vermelha, e diz-lhes que saiam por um minuto para o corredor ...
Lá, a mãe indignada pergunta à filha:
-Bem, Lena, o que foi isso?!
-Mas mãe ... - responde a filha com lágrimas nos olhos - Eu realmente não me lembro de mais, só "As estações" de Vivaldi, Haydn, Piazzola, Lucier, Tchaikovsky e Glazunov! ...
Mãe:
-Lena! E Desyatnikov e Cage!?»

Traduzida. Não sei quem escreveu. 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Duas palavras ...

Sim, duas palavras antes que se levante a cortina da história que te vou contar. De facto, para melhor compreenderes e apreciares o que se segue, gostaria que lesses estas poucas linhas destinadas, como é vulgar dizer-se, a compor o cenário!


O PAÍS DOS FARAÓS

A origem da civilização egípcia, uma das mais prodigiosas da Antiguidade, perde-se na noite dos tempos. Na verdade, quando no ano 3500 a. C., com o rei Menes, surgiram os primeiros faraós, o vale do Nilo tinha já atrás de si um grandioso período pré dinástico, que se estendia por milhares de anos. Para te dar uma ideia da imensidão do espaço de tempo que a história do Egipto abarca, dir-te-ei apenas que entre o faraó Quéops, o construtor da Grande Pirâmide que figura nesta história, e o faraó Akhenaton, decorreram cerca de dois mil anos, isto é, tanto tempo quanto aquele que nos separa do nascimento de Jesus Cristo!...

Além disso, apesar da inestimável descoberta de Champollíon, a quem devemos a decifração da escrita hieroglífica, e dos enormes progressos da egiptologia, os escassos conhecimentos que temos são parciais. Há períodos inteiros dos quais não sabemos grande coisa, e das trinta dinastias que se seguiram ao trono dos faraós, apenas onze são suficientemente conhecidas por nós! Ora, um homem poderia ter-nos esclarecido... Esse homem homem chamava-se Máneton...


MANÉTON, O HISTORIADOR

No século III a. C., quando o Egipto estava sob o domínio grego, o sacerdote Máneton elaborou uma história desse país a pedido de Ptolomeu I, o antigo general de Alexandre, o Grande, que se tornou rei do Egipto.

Recolhidas na origem, nas bibliotecas dos templos e nos arquivos reais, as suas anotações formavam um conjunto de grande valor. Infelizmente, esta história perdeu-se! Imagina qual a importância e o valor que a descoberta de um fragmento desta obra teria para o historiador moderno!


O PLANALTO DE GIZÉ

Mas voltemos ao principal elemento do nosso cenário, aquele que ocupará o centro da acção: a GRANDE PIRÂMIDE!...

Túmulo real, a Grande Pirâmide de Quéops, tal como as suas duas vizinhas gigantescas, as pirâmides de Quéfren e Miquerinos, ergue-se no planalto de Gizé, a uma dezena de quilómetros da cidade do Cairo.

Os Egípcios, que nos tempos mais remotos adoravam o Sol, do qual um dos seus nomes, Hórus, será várias vezes citado nesta história, consideravam este um dos locais mais privilegiados do culto celeste. Se observares o mapa aqui representado, ficarás certamente com uma noção clara deste planalto de Gizé, cujo solo deve guardar ainda muitos segredos, como o prova a recentíssima descoberta, junto da Grande Pirâmide, de uma enorme Barca Solar, incrivelmente antiga!...


A GRANDE PIRÂMIDE

Com a sua espantosa massa de seis milhões de toneladas, a Grande Pirâmide domina toda a região limítrofe. Com 138 metros de altura, e uma base de 227 metros de largura, é constituída por um conjunto de dois milhões de blocos calcários, cuja maior parte pesa, pelo menos, duas toneladas.

Esses blocos (alguns atingem 10 metros de comprimento) estão tão bem ajustados que, se lhe passarmos com a palma das mãos, a sua união não se sente!...

Esta massa de pedra ultrapassa em 77 metros as torres de Notre Dame de Paris e, se a pirâmide fosse oca, a basílica de S. Pedro de Roma, seria completamente absorvida por ela!

Esta maravilha, infelizmente a única que subsiste das «Sete Maravilhas» da Antiguidade, em nada se parece, no entanto, com o que era no tempo em que foi construída. Atingia então 148 metros de altura e os seus quatro lados estariam revestidos de fino calcário branco, liso e polido, reflectindo o sol com tanto brilho, que os Egípcios lhe chamavam «A LUZ».

Nos finais do século XII esse revestimento ainda existia mas, quando um tremor de terra devastou a cidade do Cairo, os Árabes, para reconstruirem a sua cidade, retiraram pura e simplesmente, da Grande Pirâmide, os materiais necessários.


O MISTÉRIO DA GRANDE PIRÂMIDE

Durante dezenas de séculos, o colosso que desafiava vitoriosamente os Hicsos, os Assírios, os Persas, os Gregos e os Romanos, guardou ciosamente o seu segredo. Mas, no ano 820 d. C., o Califa Al Mamum (filho do famoso Califa Harun Al Rachid das «Mil e Uma Noites») decidiu verificar se, como rezava a lenda, a pirâmide escondia ou não fabulosos tesouros.

O gigante foi invadido por um exército de operários. Mas quando estes, após inúmeros esforços, aí conseguiram penetrar, descobriram apenas três câmaras a que abusivamente chamaram «Câmara do Rei», Câmara da Rainha» e «Câmara Subterrânea». Só a primeira guardava uma grande pia de granito vermelho!...

Os engenheiros passaram as câmaras e os corredores a pente fino, examinando em vão as paredes e calcetamentos, mas o famoso tesouro continuou por encontrar!...

Depois disso, os séculos continuaram a transcorrer sobre este imponente monumento que vigia a sua silenciosa companheira, a Esfinge, ela própria tão velha, que já no tempo de Quéops era considerada um enigma... E o «Mistério da Grande Pirâmide continua por desvendar!...

É dele, caro leitor, que o professor Mortimer e o capitão Blake se vão ocupar.

A cortina vai subir! Boa leitura... e boa viagem!

A história vai começar!!!...

O MISTÉRIO DA GRANDE PIRÂMIDE, Blake & Mortimer, E. P. Jacobs, 1986

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Como é que nasceste?

«- A mim foi a cegonha que me trouxe.
- Eu nasci numa couve.
- A mim mandaram-me vir pela internet.
- Nós somos pobres, o meu pai fez-me ele mesmo.»

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

tulipas na neve

Moldávia.
Fotografia publicada hoje no grupo do VK «Любители неба | Природа | Путешествия» (Amantes do céu | Natureza | Viajando) 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

escadas Rossio

estas escadas são muito antigas na minha memória - vêm da infância: muito altas, muito íngremes, extraordinárias

desenho de Tiago Leal aqui
fotografia Paul Barker Hemings aqui

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

a bola de escrever

A primeira máquina de escrever comercializada foi inventada pelo dinamarquês Malling-Hansen que a patenteou em 1870.

Friedrich Nietzsche comprou uma e escreveu com ela o poema:

"A bola de escrever é uma coisa como eu: feita de ferro
porém entorta facilmente nas viagens.
Requer-se paciência e tacto em abundância
assim como dedos finos para nos usar."

no site do "museu virtual da máquina de escrever" - The Virtual Typewriter Museum - pode ver-se uma imagem em movimento de como era usada, carregar aqui

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

não alimenta mas brilha

Pollia condensata

Fotografia de David Gwynne-Evans, de 21 de Maio de 2010, em Monte Mabu, Moçambique.

Investigadores do Jardim Botânico de Kew descobriram em 2009, através do Google Earth, que o Monte Mabu nunca tinha sido explorado por cientistas.

Considerada a matéria viva mais brilhante de todas, o fruto da Pollia condensata atraiu recentemente a atenção dos cientistas. Mais informações, em inglês, aqui.

sábado, 8 de setembro de 2012

sem dar por isso

«Dinis - Era uma vez um homem chamado Papin. Era francês e médico. Mas não tinha jeito nem gosto para tratar os doentes. Estava sempre a cismar noutras coisas muito diferentes. E tanto tempo cismou cismou que acabou por inventar um aparelho de que ninguém ainda se tinha lembrado até então.

João - Aposto que era uma máquina para fazer andar os navios.

O Sr. Novais, rindo - O tal Papin era muito esperto. Mas olha que era preciso uma esperteza muito grande para ele inventar assim, sem mais nem menos, uma coisa tão complicada.

Dinis - O que ele inventou foi uma panela de cozer carne.

Os pequenos olharam uns para os outros e desataram a rir.

João, rindo - Olha que grande habilidade! Então ninguém sabia cozer carne ainda naquele tempo?

Dinis - Mas era uma panela especial. Imagina tu duas panelas, uma dentro da outra; na de fora deitava-se água, na de dentro punha-se a carne; depois atarraxava-se uma tampa por cima e punha-se ao lume. A água fervia, fervia. E a carne na panela de dentro ia-se cozendo... tanto e tanto até se derreter; e até os ossos se derretiam, o que nunca podia suceder se a carne estivesse dentro de água...

Rodrigo - Há uma coisa que eu não percebo. O pai diz que o tal Sr. Papin atarraxava uma tampa muito bem atarraxada na panela e que a água lá dentro fervia, fervia... Então como é que não ia tudo pelo ar?

João - Porque é que havia de ir pelo ar se não havia pólvora nem dinamite?

Rodrigo - Então eu não tenho visto lá na cozinha! Quando as panelas estão ao lume a ferver e começam a deitar fumo, principia logo a tampa aos saltinhos empurrada pela força do vapor de água e, se a cozinheira não deixa uma gretinha para o vapor se escapar, a tampa salta por aí fora.

João - Eu nunca vi nada disso. É uma invenção tua.

Rodrigo, muito corado - Não é, não, senhor. Eu vou contar uma coisa que nunca disse, mas que vou dizer agora, já que não me acreditas. Uma vez estava uma chaleira ao lume com água a ferver, a ferver. Estava muito bem tapada, mas o fumo da água saía com muita força pelo bico da chaleira. Eu fiz uma rolhinha com miolo de pão e meti-a pelo bico da chaleira e fui metendo, metendo, apertando quanto pude... por sinal que me escaldei. De repente... zás! quando eu menos esperava, saltou por aí fora a tampa da chaleira com um grande estrondo e caiu por cima do fogão, tudo isto no meio de uma fumaceira!... Larguei a fugir e nunca mais disse nada. Apanhei um susto!

Maria, rindo - Eu bem me lembro agora de a cozinheira me vir contar que tinha encontrado o bico da chaleira atafulhado de miolo de pão... Nunca soubemos quem tinha sido.

Rodrigo, corando - Se me tivessem perguntado, eu tinha dito. Ninguém me perguntou nada!

Dinis - O Rodrigo tem razão, mas o que eu não disse é que na tampa da tal panela havia uma válvula... Sabem o que é uma válvula?

Rita - É uma tampinha que entra e sai com muita facilidade, sem se fazer força nem ser preciso dar-se jeito nenhum, não é?

Dinis, rindo - Pouco mais ou menos, é. Quando o vapor de água ganhava muita força, empurrava a válvula e escapava-se. E então o Papin prendeu a essa válvula um braço de ferro com um certo peso na ponta calculado para que o vapor só pudesse empurrar a válvula quando tivesse muita força e que portanto a carne já estivesse bem cozida.

O Sr. Novais - Com a história da carne ninguém se importou muito mas aquele negócio do vapor da água e da válvula é que foi o primeiro passo para se chegar à máquina a vapor.

Rodrigo, triunfante - Então eu não disse que a máquina que vimos lá em baixo havia de ser uma coisa de lume e de água a ferver?

João - Essa é a primeira história. Agora a segunda.

Dinis - Passaram-se muitos anos. O Papin morreu e foram aparecendo vários homens curiosos e muito inteligentes, que desenvolveram a ideia do Papin e a aplicaram para usos de verdadeira utilidade. Eram já máquinas a vapor; bombas para tirar água mas muito imperfeitas. Era preciso estar ali sempre uma pessoa a abrir ora uma torneira ora outra para a máquina funcionar regularmente. Ora um dia, há dezenas de anos, estava um rapazito lá em Inglaterra chamado Potter encarregado de abrir as tais torneiras. O garoto estava maçadíssimo; ouvia lá na rua os seus companheiros a rir e a brincar, fazendo brincadeiras e jogos, e ele sem se poder tirar dali! Que havia de imaginar? Arranjou uma corda e lá atou conforme pôde uma ponta numa torneira, outra ponta na outra e prendeu a corda lá em cima numa outra peça da máquina que pelo seu próprio movimento, puxando ora um lado da corda, ora o outro ia abrindo e fechando só por si as duas torneiras. O rapaz ficou contentíssimo. Atirou com o boné ao ar em sinal de alegria deu quatro pinotes e foi ter com os seus companheiros, divertindo-se com eles todo o dia sem se lembrar mais da máquina.

O Sr. Novais - Este Potter, este garoto, sem dar por isso fez mais pela máquina a vapor do que muitos homens que se tinham morto de trabalho.

Rodrigo - Sim, eu faço ideia que depois os sábios haviam de aproveitar a descoberta da corda para evitar a maçada do empregado ali a abrir e fechar torneiras.»

Virgínia de Castro e Almeida, Céu Aberto, p. 102 a 105, Clássica Editora, Lisboa, 1988, 12ª Edição

a primeira edição foi publicada em 1907

sábado, 23 de junho de 2012

Voyager 1 na Última Fronteira



A Voyager 1 aproxima-se da saída do Sistema Solar. Lançada em 1977 será a primeira máquina a enviar  dados sobre o ambiente fora da esfera magnética criada pelo Sol. Ainda não se sabe quando é que isso realmente acontecerá mas parece estar para breve.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Real Gabinete Português de Leitura

O Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro foi inaugurado no dia 10 de Setembro de 1887 pela Princesa Isabel e seu marido, o Conde d'Eu, é a única biblioteca fora do território português que recebe um exemplar de todas as obras impressas em Portugal

mais informação e fotografias aqui

quarta-feira, 30 de maio de 2012

caricas

quando era criança os rapazes jogavam aos berlindes e também às caricas

as caricas, ao contrário dos berlindes, eram  grátis e existiam  em abundância

lembro-me de o meu irmão, que é mais novo, me ter perguntado de onde vinham os berlindes e de eu ter inventado que os berlindes apareciam na terra e havia pessoas que andavam à procura deles para os vender, embora soubesse que estava a inventar aquilo

eu gostava muito de inventar respostas e explicações para lhe dar e ele ficava muito mais contente do que se lhe dissesse que não sabia

numa noite em que faltou a electricidade fomos para a janela e vimos a Lua cheia, o meu irmão ficou tão maravilhado que resolvi brincar e dizer que sempre que faltava a electricidade a Lua vinha iluminar a noite, o que o maravilhou ainda mais mas me fez sentir tão culpada e, ao mesmo tempo tão incapaz de o desiludir, que nunca mais me esqueci disto

voltando às caricas: começaram a ter cromos para coleccionar

surpreendeu-me que os fabricantes de sumos incentivassem as pessoas a comprá-los para ganhar cromos, pensei que isso queria dizer que os sumos não prestavam

mas o meu irmão, que só queria ganhar os cromos, pedia sumos e bebia-os, de modo que me rendi à evidência que os vendedores de sumos sabiam que ninguém ia pensar como eu

nunca me tinha ocorrido pensar quem é que teria inventado as caricas, graças à Wikipedia descobri ontem que em 1892, nos Estados Unidos, o Sr. William Painter, de Baltimore, registou a patente da carica com o nome de Crown cork que se pode traduzir como Coroa de cortiça, Rolha em coroa ou Coroa para tapar, podendo haver traduções melhores que agora não me ocorrem

as caricas terão sido também as primeiras coisas produzidas em série para usar uma única vez, tendo inspirado todos os produtos de "usar e deitar fora" que vieram depois

diz ainda a Wikipedia que, até à invenção das caricas, as garrafas não tinham o fundo chato para evitar que fossem armazenadas de pé, o que fazia com que a cortiça secasse e a rolha eventualmente saltasse devido à pressão interior

senti-me esclarecida em relação ao mistério dos fundos bicudos das ânforas

ah, a maravilha das explicações!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

segundos intermináveis

Roger Fenton, 1855, Guerra da Crimeia
Acampamento do Exército Inglês
Posar (para pintores ou fotógrafos) é um verbo, embora posar não seja propriamente uma acção é bastante cansativo.

No início da fotografia:

"Os filmes pouco sensíveis e as lentes escuras só permitiam imagens estáticas e de paisagens. Isso explica a predominância de retratos posados, que exigiam que os personagens permanecessem parados por segundos intermináveis para o registro perfeito da fotografia." Alexandre Belém


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eu lembro-me de nascer

"Eu lembro-me de nascer. Palavra de honra! Fui a primeira filha, nasci em casa e quando nasci pegaram em mim e puseram-me num sofazinho dourado. Acho que me mexi tanto? Agora lembro-me, fiz tanta bulha ali acabada de nascer, que a minha mãe disse: «Ai, a menina.» E eu já ia a cair quando o meu pai deu um pulo e apanhou-me assim no ar. É verdade, ainda me lembro da sensação de cair e de ser apanhada pelo meu pai. Não acreditam, mas é verdade."

Maria Alberta Menéres nasceu em 1930 - Entrevista ao DN, 2010, ver aqui