Deixou Abril para trás
Junho ainda não veio
Mas já está no cabaz
são um grupo de acrobatas em saltos altos que atuam em banquetes quando é servida a sopa. Terminam a atuação fazendo o pino. O público acha graça e os banquetes tornam-se divertidos com piadas e maneiras engraçadas de utilizar os talheres.
Comprava ouro
Que escondia longe da vista
Tinha um neto moreno
E outro louro
Deu a cada um uma pista
Que não souberam resolver
Então deixou tudo à neta
Dentro de uma boneca
Que mandou fazer
Férias alegres
Férias brinquedos
Correm as férias
P'ra fora da escola
Pulam e saltam
Jogam à bola
Férias brinquedos
Férias alegres
Oh férias lindas
Campos floridos
Dançam amigas
Cantam amigos
Férias alegres
Férias brinquedos
Voam as férias
No céu azul
As ondas molham
Ventos do Sul
Férias brinquedos
Férias alegres
Venham as férias
Com seus segredos
Pintar nas nuvens
Os vinte dedos
Férias alegres
Férias brinquedos
Assim como o ponto de exclamação se eleva
A pulga e a sardinha
Passaram à reserva
Generalizar
é singularizar a pluralidade.
Cor singulariza todas as cores.
Uma escada reúne degraus.
Precisamos de palavras para nos entendermos mas o efeito colateral é criarem mal entendidos, por isso precisamos de aprender sempre com quem não fala: pessoas, animais, plantas, pedras, nuvens e estrelas.
Generalizar é uma uma propriedade da linguagem muito problemática. Pretende condensar conhecimento mas muitas vezes é o principal obstáculo à compreensão. O paradoxo é que "não generalizar" é também uma generalização. Não é, Zenão de Eleia? O que é, é e não pode não ser. A deusa de Parmênides ensinou-lhe que também precisava de aprender o que não é. Precisamos de aprender o que não é porque as palavras o criam. Do que se pode falar ainda não é do que é. E temos que falar. Sorri. Enquanto há sorriso.
O marido vinha feliz com o almoço que tinha ido buscar ao restaurante, a mulher estava feliz porque ele trazia sumo e não aguardente, a filha estava feliz porque a deixaram comer muito pouco, o filho estava feliz porque não era carne de porco. Quando acabaram de comer distribuíram-se pelos quartos e não se viram mais até à hora do lanche, quando os iogurtes do frigorífico saltaram uns atrás dos outros atrás de uma avalanche de bananas.
Corre a mão pelo corrimão
enquanto sobe a escada
transporta na mala de mão
uma almofada pesada.
As jovens nuvens iam de bicicleta
numa estrada do campo,
sem árvores nas bermas.
Em sentido contrário vinha o velho sol
numa carroça
puxada por um burro pachorrento.
Quando viu as jovens nuvens gritou:
«Onde vão com tanta pressa?»
«Para lá do sol posto.»
responderam elas.
O grande e gordo sol riu com gosto.
«Então deem meia volta e venham comigo.»
Elas rodearam-no em arco íris.
A manhã ensombrou-se.
A jovem nuvem mais escura
afastou-se
por um atalho.
Choveu e trovejou.
Ficou aliviada.