Donde quiséssemos sair
Não havia vinho tinto
Que nos desse vontade de rir
Donde quiséssemos sair
Não havia vinho tinto
Que nos desse vontade de rir
Pão e rosas
Ela leva no avental
Ele não deixa
Vá para casa
Ninguém se queixa
Há outras portas
Para cada dia
Levar
Pão e rosas
Ao altar
O marido vinha feliz com o almoço que tinha ido buscar ao restaurante, a mulher estava feliz porque ele trazia sumo e não aguardente, a filha estava feliz porque a deixaram comer muito pouco, o filho estava feliz porque não era carne de porco. Quando acabaram de comer distribuíram-se pelos quartos e não se viram mais até à hora do lanche, quando os iogurtes do frigorífico saltaram uns atrás dos outros atrás de uma avalanche de bananas.
Os seres alados noctívagos - corujas, morcegos, meteoritos - são observados do solo por seres noctívagos não alados contra o fundo estrelado da escuridão enquanto nas padarias coze pão.
Quando se adormece e sonha em andamento podemos saber que em muito pouco tempo, quase instantaneamente, tivemos um sonho que pareceu durar muito tempo.
Mohandas Karamchand Gandhi, nascido em Porbandar em 1869, veio a ser conhecido no final da vida por Mahatma, o da Grande Alma. O pai foi um alto funcionário administrativo no governo anglo-indiano. A educação familiar ensinou-lhe o ahimsa, o princípio do respeito por todos os seres vivos. Casou com 13 anos e teve quatro filhos. Gandhi foi enviado para Londres para estudar direito, que praticou durante pouco tempo no tribunal de Bombaim.
Em 1893 obrigações profissionais levaram-no à África do Sul, onde permaneceu durante vinte e um anos. Um homem branco pediu-lhe que abandonasse um compartimento de 1ª classe de um comboio em que viajava no Natal, o que ele fez. Este incidente marcou um ponto de viragem na sua vida, sendo na prática responsável pelo início das suas actividades políticas.
Abraham Pais, Einstein viveu aqui, p. 135, Gradiva, 1996
A calma paciência
de quem escreve à mão
um longo poema
de sol e sossego
numa casa
levantada do chão
com janelas para o céu
e para uma questão
que se põe a toda a gente
sem palavras
e com elas
não se consegue
responder.
A poetisa foi entrevistada para a televisão e perguntaram-lhe quando e onde é que tinha momentos de inspiração. Ela teve vergonha de dizer que às vezes era quando lia os ambientadores da casa-de-banho e, como não queria dizer isto, de repente ficou sem fala. Finalmente conseguiu lembrar-se de dizer que a inspiração não fazia inscrição prévia.
Cresceram verdes entre as folhas verdes.
Quase invisíveis.
Aparecem agora.
O verde está a transformar-se em amarelo.
Os meus ciumes, as minhas tragédias, o que é meu mas não queria que fosse.