Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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sábado, 12 de outubro de 2024

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Breve referência à introdução do pinheiro bravo no continente português

«Quem calcorrear as nossas estradas e percorrer veredas e caminhos deparará com uma árvore esguia, que se propaga sem grandes cuidados por meio da sua semente alada que vagueia ao sabor dos ventos até repousar, por fim, em qualquer pequena fenda onde se reproduz - é o pinheiro bravo.

Semente de Pinheiro Bravo
Luis Fernandés Garcia
2000

Parece certo que o aparecimento em Portugal desta espécie florestal se deve ao facto de os mareantes portugueses, vindos de França, terem metido nas suas embarcações, como combustível, as pinhas, as braças e o lenho de alguns pinheiros bravos originários daquele País. As pinhas ter-se-iam aberto com o calor e a tripulação, habituada a comer os pinhões do nosso pinheiro manso e estranhando a semente muito mais pequena e com uma amêndoa que não podia servir de alimento, contou o sucedido à Rainha Santa que, nessa altura, vivia em Leiria, em terras que lhe haviam sido doadas em 1300, por seu marido, o Rei D. Dinis. À Rainha, que todos escutava, foram mostradas as sementes com a descrição dos pinheiros e com a afirmação de que eles vegetavam bem em terreno arenoso.

Deliberou lançar a semente à terra, e teria sido a Rainha que transportou a «arregaçada de penisco» até uma clareira existente nos seus domínios e, aí, a lançou no areal.

Passaram-se meses, a semente vingou, e quando D. Dinis voltou a aparecer em Monte Real, a Rainha foi mostrar-lhe não só os trabalhos levados a cabo no reguengo de Ulmar, que fazia parte daquela doação, como a sementeira que tinha feito por suas mãos,.

D. Dinis, entusiasmado com o desenvolvimento nascedio, e desejoso de ter em abundância material lenhoso para a construção naval, diz aos mareantes que para a outra viagem lhe tragam mais semente daquela.

Vindo então mais semente - o «penisco» - é lançado noutras clareiras, e o povo, sempre cheio de curiosidade e amor à terra, passou a ir ver o «Pinhal do Rei» e o desenvolvimento que ia tomando.

Depois a semente alada, transportada pelo vento e pelo Homem, foi-se espalhando por toda a costa portuguesa ao norte do Tejo, penetrou nas Beiras e deu-se tão bem nas nossas terras que o pinheiro bravo bem parece ser originário de Portugal.»

Manuel Martins da Cruz, A Resina, Selecção Educativa - Série N - Número 18, Ministério da Educação Nacional, Direcção-Geral do Ensino Primário, 1966 


quinta-feira, 4 de junho de 2020

As avós

A avó materna era a mais bonita e asseada menina daqueles lugares da Serra. Tinha um quarto só para ela, onde não havia pulgas, numa casa cheia delas. Merecia casar com o rapaz mais bonito e rico da região e era isso que esperava. Em vez disso quem se apaixonou por ela foi o rapaz mais bonito mas não tão rico. Embora tenha conseguido que ele comprasse uma casa com terreno e árvores para viverem para sempre, nunca se livrou do desgosto de não ter casado com o rapaz mais rico.

A avó paterna ficou órfã de mãe quando era criança e teve que cuidar das irmãs e dos irmãos porque o pai não lhes ligava nenhuma. Ela odiava o pai de tal maneira que quando cresceu até mudou de apelido. Uma das irmãs tinha um namorado que ia embarcar num navio para África e pediu a um amigo que fosse com ele despedir-se dela e garantir que esperaria pelo seu regresso para casarem. Esse amigo confundiu os nomes das irmãs. Apaixonou-se pela namorada do amigo pensando que se tinha apaixonado pela irmã. De África mandaram cartas de amor. Quando regressaram casaram com a que tinha o nome para quem tinham escrito. A avó detestou o marido quase tanto como tinha detestado o pai e nunca aprendeu a ler.