Entre o nevoeiro diurno
E o nevoeiro noturno
No nevoeiro crepuscular
É que gosta de morar
Por essa fresta sem nome
Às vezes da cor do leite
Outras da cor da fome
Os seres alados noctívagos - corujas, morcegos, meteoritos - são observados do solo por seres noctívagos não alados contra o fundo estrelado da escuridão enquanto nas padarias coze pão.
Mohandas Karamchand Gandhi, nascido em Porbandar em 1869, veio a ser conhecido no final da vida por Mahatma, o da Grande Alma. O pai foi um alto funcionário administrativo no governo anglo-indiano. A educação familiar ensinou-lhe o ahimsa, o princípio do respeito por todos os seres vivos. Casou com 13 anos e teve quatro filhos. Gandhi foi enviado para Londres para estudar direito, que praticou durante pouco tempo no tribunal de Bombaim.
Em 1893 obrigações profissionais levaram-no à África do Sul, onde permaneceu durante vinte e um anos. Um homem branco pediu-lhe que abandonasse um compartimento de 1ª classe de um comboio em que viajava no Natal, o que ele fez. Este incidente marcou um ponto de viragem na sua vida, sendo na prática responsável pelo início das suas actividades políticas.
Abraham Pais, Einstein viveu aqui, p. 135, Gradiva, 1996
«Baralha, com o sentido de baralho de cartas, foi feminino em época mais recuada da história linguística do Português: D. Francisco Manuel de Melo (Apólogos Dialogais, p. 209) e o Pe. António Vieira (Ali, 1964) utilizam ainda a forma feminina: «As cartas não hão de ser de outra baralha, senão as mesmas» (Sermões, 8, 261). J. P. Machado (Machado, 1987) já documenta o masculino no século XVIII: «inimiga mão lhe foi batendo/C’ um baralho de cartas pela cara» (Nicolau Tolentino, O Bilhar, em Obras Poéticas, I, p. 128).»
A categoria gramatical de género do português antigo ao português actual, Maria Carmen de Frias e Gouveia
https://core.ac.uk/download/pdf/19129463.pdf
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Agora, saibamos dos delfins e dos amores deles com as delfinas.
Nascem nas ondas estes simpáticos brutos. Gostam infinitamente de música e são muitíssimo amoráveis com os homens. Do teor como eles amam, ninguém o dizia melhor que o padre Bernardino, e seria inveja da minha parte furtar ao leitor o regalo desta descrição: «Os amores destes insignes marítimos viventes, decantados em muitos clarins de fama, têm claros exemplos na história. Arde seu afecto nas águas, conservando-se o seu coração abrasado no líquido elemento, e na mesma jurisdição do maior inimigo do fogo; mas como afectos ardentes dificultosamente entram nos corações, obstando a contradição nos olhos, na idade florente da puerícia, são os indivíduos humanos de mais agradável aspecto, ordinários objectos das suas inclinações.»
Isto é bonito; mas custa a perceber. Era o caso do padre, puxado algum tanto ao lirísmo teutónico, dizer com Petrarca:
Intendemi chi púo che m'intend'io.
Refere-nos a história dum delfim chamado Simão, o qual amava um lindo menino, e andava com ele às cavaleiras de praia em praia, até que, morrendo o menino, o delfim «faleceu de amores depois de uma vida toda de afectos!» Que delfim Simão! Faz chorar a gente com o seu falecimento de amores!
Outro delfim, que por nome não perca, praticava familiarmente com os soldados do procônsul de África Flaviano. Este romano deu-lhe na veneta untar de certos unguentos o delfim, os quais tiraram os sentidos ao amável bicho. «Despertado do letargo, diz o lente de Coimbra em 1743, envergonhou-se de sorte que se ausentou por muito tempo para o profundo do mar.»
Que pudor tinha o peixe! Envergonhou-se de desmaiar! Parece que a vergonha já naquele tempo se tinha feito aquática!
Passados tempos, voltou o delfim desenvergonhado, e «continuou as suas antigas afectuosas expressões.»
Outro delfim, apaixonado e não correspondido de um menino de singular beleza, deu consigo moribundo numa praia, à vista do ingrato amado e expirou, dando «eterna fama às mesmas praias, com mais extremosa fineza do que a celebrada ama de Eneias às de Caeta».
Se estes peixes morrem assim de amores da gente qual não será a ternura do seu afecto às suas delfinas? Como nem todos são Simões, algum haverá que possa chamar-se Romeu, outro Paulo, outro Werther, analogias deduzidas das suas meiguices e choradeiras. Aquilo é que há-de ser amarem-se idealmente, lá onde o pudor é do feitio que vimos! O tempo não vai senão para eles. Os peixes a quererem-se como os humanos já não se querem; e nós, humanos e cristãos, a amarmo-nos, pouco mais ou menos como carapaus e tainhas! O reviramento é completo!
Camilo Castelo Branco,
As nuvens não são animais, nem plantas, nem minerais. São seres ocasionais. Estavam a olhar para mim lá de trás da serra.
A poetisa foi entrevistada para a televisão e perguntaram-lhe quando e onde é que tinha momentos de inspiração. Ela teve vergonha de dizer que às vezes era quando lia os ambientadores da casa-de-banho e, como não queria dizer isto, de repente ficou sem fala. Finalmente conseguiu lembrar-se de dizer que a inspiração não fazia inscrição prévia.
A árvore está a
Ramar
A menina está a
Remar
A senhora está a
Rimar
A marinheira está a
Rumar
"A maior parte dos cartógrafos serve-se do nível médio das águas do mar, isto é, da altura média das águas em todas as marés, como plano de comparação, ou nível de referência. Sabendo-se que o nível médio do mar varia de um lugar para outro, cada país decidiu escolher um ponto onde deve ser medido. Em França regula-se pelo marégrafo de Marselha. Em Portugal há marégrafos instalados junto do porto de Lisboa, em Cascais, Portimão, Aveiro, etc. Desse modo a altitude média a partir do nível médio do mar nos diferentes países, poderá ser comparada. Para os Estados Unidos, esse nível médio geral obtém-se em Galveston, no Texas. A altitude medida a partir do nível médio do mar chama-se «altitude absoluta»."
Segredos e mistérios das cartas geográficas, texto de J.-A. Hathway, Editorial Verbo, Lisboa, 1965
Cresceram verdes entre as folhas verdes.
Quase invisíveis.
Aparecem agora.
O verde está a transformar-se em amarelo.