Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

terça-feira, 10 de agosto de 2021

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Os seres alados noctívagos

Os seres alados noctívagos - corujas, morcegos, meteoritos - são observados do solo por seres noctívagos não alados contra o fundo estrelado da escuridão enquanto nas padarias coze pão. 

O tempo do sonho

Quando se adormece e sonha em andamento podemos saber que em muito pouco tempo, quase instantaneamente, tivemos um sonho que pareceu durar muito tempo. 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Feira da Ladra

 Voltando à Feira da Ladra. Este estendal de farrapos, antes do terramoto de 1755, fazia-se no Rossio, ali por onde hoje está a entrada do Passeio; em 1756 era no alto de S. Domingos e Portas de Santo Antão; depois foi para o campo de Santana; mas, invocado pelas saudades dos Lisboetas, voltou para junto do Rossio onde tinha estado; depois, tornou para o campo de Santana, há-de haver quarenta anos,; e agora vai sofrer um novo baldão que bem pode ser o percursor dos seus últimos lampejos nas transmigrações evolucionistas da civilização portuguesa. 

Camilo Castelo Branco (1880), Ecos Humorísticos do Minho, Editorial Labirinto, p.23

sexta-feira, 30 de abril de 2021

quinta-feira, 22 de abril de 2021

As jovens nuvens

As jovens nuvens iam de bicicleta 

numa estrada do campo, 

sem árvores nas bermas. 

Em sentido contrário vinha o velho sol 

numa carroça 

puxada por um burro pachorrento.

Quando viu as jovens nuvens gritou:

«Onde vão com tanta pressa?» 

«Para lá do sol posto.» 

responderam elas. 

O grande e gordo sol riu com gosto. 

«Então deem meia volta e venham comigo.» 

Elas rodearam-no em arco íris.

A manhã ensombrou-se.


A jovem nuvem mais escura 

afastou-se

por um atalho.

Choveu e trovejou.

Ficou aliviada.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

As laranjas

Cresceram verdes entre as folhas verdes. 

Quase invisíveis.

Aparecem agora. 

O verde está a transformar-se em amarelo.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

O Macaco do Rabo Cortado


Era uma vez um macaco que queria ir para a escola, mas muitos meninos faziam troça dele porque tinha um rabo comprido. Então ele resolveu ir ao barbeiro e pedir para lhe cortarem o rabo. O barbeiro perguntou se tinha a certeza, e como o macaco respondeu que sim, o barbeiro, trás! Cortou-lhe o rabo com uma navalha.

No outro dia, quando o macaco chegou à escola, os meninos riram-se por ele ter o rabo cortado, e chamaram-lhe “o macaco do rabo cortado”. Então, resolveu ir ao barbeiro buscar o seu rabo, mas o barbeiro disse-lhe que já não tinha o rabo, que tinha ido para o lixo. Então o macaco ficou furioso, pegou na navalha do barbeiro e fugiu com ela.

Na rua encontrou uma varina que o viu com a navalha na mão e lhe disse: “ó macaquinho, para que queres tu essa navalha? Não te serve para nada! A mim é que fazia falta para eu amanhar o meu peixe”. O macaco deu-lhe razão e entregou-lhe a navalha. Mas mais tarde, começou a sentir fome e para descascar uma maçã, precisou da navalha. Foi ter com a varina e pediu a navalha, mas a navalha estava partida. Então ficou furioso e levou a canastra das sardinhas da varina.

Quando ia na rua com a canastra de sardinhas, encontrou o padeiro, que lhe disse: “olha coitado, vais tão carregado com as sardinhas, se quiseres eu guardo essa canastra na minha casa.” E assim foi. Agora o macaco sentia-se mais à vontade e podia ir de um lado para o outro, sem ter de transportar as sardinhas. Mas um tempo depois, começou a ter fome. O peixe dava-lhe jeito para comer e por isso resolveu ir buscá-lo a casa do padeiro. Mas o padeiro, com a família, tinha comido as sardinhas. Então furioso, tirou um saco de farinha ao padeiro.

Quando ia pelo caminho com o saco de farinha, encontrou a senhora professora que lhe pediu a farinha para fazer uns bolinhos. Como o macaco não sabia fazer bolinhos com a farinha, deu a farinha à senhora professora. Mais tarde, quando voltou a ter fome, resolveu ir ter com a senhora professora e pedir-lhe alguns bolinhos. Mas os bolinhos já tinham sido todos comidos. Ninguém tinha guardado uns bolinhos para oferecer ao macaco. Então ficou furioso e roubou uma menina da senhora professora.

Só que, para espanto do macaco, a menina começou a chorar. Teve pena da menina e foi levá-la à mãe. Para que é que quereria uma menina? Mas mais tarde, quando chegou a casa e viu tudo desarrumado, pensou que a menina poderia trabalhar para ele e ajudá-lo a limpar e a arrumar a casa e por isso resolveu ir buscá-la. Quando foi buscar a menina, a mãe não lha deu, claro, e então, furioso, levou–lhe a camisa do marido que estava pendurada na corda da roupa.

No caminho, encontrou o músico com uma viola que lhe pediu a camisa. Como a camisa do músico já estava muito velhinha o macaco deu-lhe a camisa. Mas o músico quando foi para casa vestir a camisa, ela rompeu-se, e teve de a deitar fora. Quando chegou a noite e o macaco sentiu frio, quis a camisa de volta, mas o músico já não a tinha porque a camisa tinha–se rompido. Então, tirou a viola ao músico e fugiu.

O macaco subiu então para cima do telhado e começou a cantar:

"Do rabo fiz navalha, da navalha fiz sardinha, da sardinha fiz farinha, da farinha fiz menina, da menina fiz camisa, da camisa fiz viola, Tum…Tum…Tum… que eu vou p’ra Angola, Tum…Tum…Tum… que vou… ".


quinta-feira, 28 de maio de 2020

A primeira descrição de surf registada

29 de maio de 1769 - A PRIMEIRA DESCRIÇÃO DE SURF REGISTADA

No nosso regresso ao barco, vimos os índios divertirem-se ou exercitarem-se de uma maneira verdadeiramente surpreendente. Era  num lugar em que a costa não era protegida por um recife, como é habitualmente o caso; consequentemente, uma onda alta caiu sobre a praia, uma mais mortífera não vi muitas vezes: nenhum barco europeu poderia ter desembarcado com ela e acho que nenhum europeu que tivesse sido apanhado por ela poderia ter salvo a sua vida, pois a costa estava coberta de seixos e pedras grandes. No meio dessas rebentações, 10 ou 12 índios estavam a nadar, que sempre que uma onda chegava ao pé deles mergulhava sob ela com infinita facilidade, subindo do outro lado; mas a diversão deles era levada na popa de uma velha canoa; com isso, à frente deles, nadavam até à ondulação mais exterior, então um ou dois entravam nela e, opondo-se ao extremo abrupto da onda, eram levados ​​com incrível rapidez. Às vezes eram levados quase até terra, mas geralmente a onda rebentava sobre eles antes de chegarem a meio caminho; nesse caso os mergulhadores rapidamente subiam do outro lado com a canoa nas mãos, que era rebocada novamente e o mesmo método repetido. Ficámos a admirar essa cena maravilhosa durante meia hora, período em que nenhum dos actores tentou desembarcar, mas todos pareciam muito entretidos com a sua estranha diversão.

Extracto do Diário Endeavour de Joseph Banks
Traduzido de «Extracts from the Endeavour Journal of Joseph Banks (1769)» em The Public Domain Revue consultado hoje: 28 de Maio de 2020

terça-feira, 7 de abril de 2020

A vizinha de cima

A vizinha de cima quer chatear quando anda com tamancos de madeira a meio da noite? Ninguém sabe. Talvez queira não se sentir tão sozinha na sua insónia.

sexta-feira, 6 de março de 2020

As nuvens

São as nuvens que nos salvam do Sol e da secura.
São as nuvens que salvam o Sol da solidão celeste.
São as nuvens que desenham as nossas ideias inconscientes no céu.
São as nuvens que ocultam as estrelas e mostram pingos de água.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ontem

Ontem 
Houve dia e houve noite 
Mas não houve princípio, meio ou fim senão convencionalmente 
Ontem é uma palavra útil 
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