Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Uma avalanche de bananas

O marido vinha feliz com o almoço que tinha ido buscar ao restaurante, a mulher estava feliz porque ele trazia sumo e não aguardente, a filha estava feliz porque a deixaram comer muito pouco, o filho estava feliz porque não era carne de porco. Quando acabaram de comer distribuíram-se pelos quartos e não se viram mais até à hora do lanche, quando os iogurtes do frigorífico saltaram uns atrás dos outros atrás de uma avalanche de bananas. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

segunda-feira, 13 de julho de 2020

O Macaco do Rabo Cortado


Era uma vez um macaco que queria ir para a escola, mas muitos meninos faziam troça dele porque tinha um rabo comprido. Então ele resolveu ir ao barbeiro e pedir para lhe cortarem o rabo. O barbeiro perguntou se tinha a certeza, e como o macaco respondeu que sim, o barbeiro, trás! Cortou-lhe o rabo com uma navalha.

No outro dia, quando o macaco chegou à escola, os meninos riram-se por ele ter o rabo cortado, e chamaram-lhe “o macaco do rabo cortado”. Então, resolveu ir ao barbeiro buscar o seu rabo, mas o barbeiro disse-lhe que já não tinha o rabo, que tinha ido para o lixo. Então o macaco ficou furioso, pegou na navalha do barbeiro e fugiu com ela.

Na rua encontrou uma varina que o viu com a navalha na mão e lhe disse: “ó macaquinho, para que queres tu essa navalha? Não te serve para nada! A mim é que fazia falta para eu amanhar o meu peixe”. O macaco deu-lhe razão e entregou-lhe a navalha. Mas mais tarde, começou a sentir fome e para descascar uma maçã, precisou da navalha. Foi ter com a varina e pediu a navalha, mas a navalha estava partida. Então ficou furioso e levou a canastra das sardinhas da varina.

Quando ia na rua com a canastra de sardinhas, encontrou o padeiro, que lhe disse: “olha coitado, vais tão carregado com as sardinhas, se quiseres eu guardo essa canastra na minha casa.” E assim foi. Agora o macaco sentia-se mais à vontade e podia ir de um lado para o outro, sem ter de transportar as sardinhas. Mas um tempo depois, começou a ter fome. O peixe dava-lhe jeito para comer e por isso resolveu ir buscá-lo a casa do padeiro. Mas o padeiro, com a família, tinha comido as sardinhas. Então furioso, tirou um saco de farinha ao padeiro.

Quando ia pelo caminho com o saco de farinha, encontrou a senhora professora que lhe pediu a farinha para fazer uns bolinhos. Como o macaco não sabia fazer bolinhos com a farinha, deu a farinha à senhora professora. Mais tarde, quando voltou a ter fome, resolveu ir ter com a senhora professora e pedir-lhe alguns bolinhos. Mas os bolinhos já tinham sido todos comidos. Ninguém tinha guardado uns bolinhos para oferecer ao macaco. Então ficou furioso e roubou uma menina da senhora professora.

Só que, para espanto do macaco, a menina começou a chorar. Teve pena da menina e foi levá-la à mãe. Para que é que quereria uma menina? Mas mais tarde, quando chegou a casa e viu tudo desarrumado, pensou que a menina poderia trabalhar para ele e ajudá-lo a limpar e a arrumar a casa e por isso resolveu ir buscá-la. Quando foi buscar a menina, a mãe não lha deu, claro, e então, furioso, levou–lhe a camisa do marido que estava pendurada na corda da roupa.

No caminho, encontrou o músico com uma viola que lhe pediu a camisa. Como a camisa do músico já estava muito velhinha o macaco deu-lhe a camisa. Mas o músico quando foi para casa vestir a camisa, ela rompeu-se, e teve de a deitar fora. Quando chegou a noite e o macaco sentiu frio, quis a camisa de volta, mas o músico já não a tinha porque a camisa tinha–se rompido. Então, tirou a viola ao músico e fugiu.

O macaco subiu então para cima do telhado e começou a cantar:

"Do rabo fiz navalha, da navalha fiz sardinha, da sardinha fiz farinha, da farinha fiz menina, da menina fiz camisa, da camisa fiz viola, Tum…Tum…Tum… que eu vou p’ra Angola, Tum…Tum…Tum… que vou… ".


quarta-feira, 24 de junho de 2020

A Mulher Leoa

Naquele ano, o sol escaldava toda aquela vasta região. À míngua de água, as plantas morriam e os animais, que com elas se sustentavam, fugiam para longe em busca de alimento, ou pereciam no mato, reduzidos a pele e osso. Ora os leões, que se nutrem de carne, já nada tendo para caçar, resolveram reunir-se, a fim de encontrar solução para tão angustioso transe.
-Que fazer? - perguntavam uns aos outros. - À nossa roda só vemos ossos, e nós, reis da selva, não vamos ficar para aí a rilhá-los, quais desprezíveis rafeiros ...
Como sempre acontece quando a fome aperta, a barafunda era geral, os rugidos abalavam a floresta e as garras dos mais impacientes estendiam-se como que a rasgar os corpos de presas invisíveis ... Nisto, o mais velho dos leões, que até aí se mostrara indiferente, ergueu a bela e majestosa cabeça. Fez-se silêncio. E o velho leão disse:
-Amigos, toda essa discussão não serve para nada, pois o nosso caso só pode resolver-se pela astúcia. Como sabeis, a aldeia onde vivem os homens não fica muito longe daqui - um dia de caminho. Ora os homens, que sabem abrir poços e desviar as águas, têm gado em abundância, que será nosso, desde que consigamos desfazer-nos de Negana Kimona, que é o dono dele. E como? Pensei neste ardil: uma leoa tomará a aparência de mulher, atravessará a aldeia e, ao passar junto da casa de Negana Kimona, dirá:
-Vou para longe, à procura de meu irmão.
-Negana Kimona não deixará de lhe falar em casamento, que ela aceitará. Uma vez casados, a leoa matará Negana, e nós apoderamo-nos do gado.
Todos aprovaram o engenhoso plano. Industriaram a leo e, quando chegaram perto da aldeia, deram àquela a aparência de mulher, vestindo-a e penteando-a convenientemente.
Atravessada a povoação, a mulher leoa avistou, sentado na varanda, Negana Kimona, que lhe perguntou:
-Aonde vais?
-Vou para longe, à procura de meu irmão. Mas estou cansada e com sede. Dá-me um pouco de água.
Negana Kimona deu-lhe a água, esperou que bebesse e perguntou:
-És casada?
-Não!
-Queres casar comigo?
-Não me desagradas. Aceito!
E logo ele lhe ofereceu uma casa no outro extremo da aldeia e uma cabra para comer.
Acontecia, porém, que Negana Kimona tinha, de outro casamento, um filho, chamado Nedalja Kimona. Quando este ouviu que o pai ia viver para outra casa pediu para o acompanhar e dormir com ele. Negana, a princípio, recusou-se a satisfazer o desejo do filho, mas a criança tanto insistiu, com rogos e lágrimas, que acabou por convencê-lo. Chegados a casa da noiva, esta estranhou a presença do pequeno, mas Negana explicou-lhe o que se passava. Quando se recolheram para dormir, o pai ficou no chão, junto do filho. Alta noite, a falsa mulher levantou-se e, de novo leoa, dispôs-se a atacar Negana. A criança, que vira a transformação, acordou o pai:
-Pai, acorda, que o chão está a morder!
Negana ergueu-se, mas, como a leoa se transformara outra vez em mulher, não ligou importância ao que o filho lhe dissera.
Na manhã seguinte a mulher observou ao marido:
-Esta criança acordou-te de madrugada. Porque o deixaste vir contigo?
-Porque tive pena dela!
-Vinda a noite, a falsa mulher parecia escutar, trazida no sussurro do vento, a recriminação dos leões:
-Foste para matar Negana Kimona. Porque não cumpriste?
Enraivecida, volta a tomar forma de leoa, e de novo tenta apoderar-se de Negana.
A criança, aterrada, sacode o pai:
-Pai, o chão está a morder!
-Como pode ser isso, meu filho, se a casa é nova e não tem bichos?
E tornou a deitar-se.
Outra vez, o vento trouxe o apelo longínquo dos leões:
-Porque não matas Negana Kimona?
-Pai, acorda, está aqui um animal feroz!
Irritado, Negana disse ao pequeno:
-Vou levar-te para a outra casa. Aqui, contigo, não se pode dormir.
E saíram, apesar de ser noite alta.
No caminho, Nedalja avisou o pai:
-A tua mulher transformou-se em leoa.
-Filho, estás louco! Como é isso possível?
-Afianço-te que se transforma em leoa. Se queres a prova, voltemos para trás e finjamos que dormimos.
Assim fizeram. Como a falsa mulher estranhasse o regresso da criança, Negana explicou que a não convencera a partir. Deitaram-se de novo, mas, desta vez, Negana cobriu a cabeça de forma a poder observar o que se passava. Escutando o apelo dos leões, a mulher transformou-se em leoa, pronta a devorar o homem. Ao vê-la, Negana acreditou então no filho. Levou-o para a outra casa e disse aos seus homens:
-A mulher que desposei costuma transformar-se em leoa, com o fito de me matar. Parti imediatamente, cercai a casa e lançai-lhe fogo.
E assim morreu assada a mulher leoa.

Contos adaptados da tradição popular por Fernando de Castro Pires de Lima, Edições Majora, Porto, Maio 1990

quinta-feira, 19 de março de 2020

Abydos

There was once a potter in Egypt who made a ball-shaped jug with four feet, to keep it from rolling. She decorated it with elegant plant motifs. The potter had a daughter who made a hedgehog head and carefully glued it right in front of the jug, to make it funnier. She also painted the hedgehog's ears and spikes and highlighted the paws and plant motifs. Then the jug was fired in the kiln and went on for the millenias to come: before and after Jesus Christ, from the New Kingdom to the United Kingdom.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

As estações

«Uma menina de seis anos vai para a escola. Na entrevista, perguntam-lhe quantas estações do ano conhece ... Ela pensa por um momento e diz com confiança:
-Seis!
O director com tacto sugere:
-Pense melhor.
A menina pensa novamente por um momento e diz:
-Sinceramente, não me lembro de mais ... Seis!
O director olha expressivamente para a mãe da menina que ficou vermelha, e diz-lhes que saiam por um minuto para o corredor ...
Lá, a mãe indignada pergunta à filha:
-Bem, Lena, o que foi isso?!
-Mas mãe ... - responde a filha com lágrimas nos olhos - Eu realmente não me lembro de mais, só "As estações" de Vivaldi, Haydn, Piazzola, Lucier, Tchaikovsky e Glazunov! ...
Mãe:
-Lena! E Desyatnikov e Cage!?»

Traduzida. Não sei quem escreveu. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Micróbios na mão


Tasha Sturm pediu ao filho de 8 anos que pusesse a mão numa geleia própria para o estudo do desenvolvimento de bactérias no laboratório do Cabrillo College, onde trabalha. Depois de alguns dias no laboratório os micróbios desenvolveram-se. 
Tasha Sturm. Cabrillo College 
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