Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




Mostrar mensagens com a etiqueta Austrália. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Austrália. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

a flor subterrânea

a orquídea "Rhizanthella gardneri" é uma flor australiana muito rara que vive apenas debaixo da terra

todas as orquídeas são interessantes, incluindo o próprio nome, que deriva da palavra grega que significa testículos

mas esta é mesmo muito difícil de encontrar: é preciso andar de gatas debaixo das moitas de Melaleuca uncinata, onde ela vive em associação com um fungo que por vezes se encontra nestas raízes, e esgravatar com muita cautela entre Maio e Julho, início do inverno na Austrália

a comunidade científica conhece cerca de cinqüenta exemplares em estado natural na Austrália Ocidental, entre Corrigin e Babakin, e a noroeste de Munglinup, mas os locais exactos são mantidos secretos por razões óbvias




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

avaliações

-Vendemos seiscentos ou setecentos carneiros por ano - respondeu Jane - e também umas boas centenas de ovelhas. Mas o dinheiro provém principalmente da lã, claro.

-Não era no dinheiro que eu estava a pensar - redarguiu a rapariga. - Deve ser uma satisfação produzir tão grande quantidade de matéria nutritiva.

-Uma satisfação? ...

-Evidentemente. Não se sente feliz por poder abastecer o mercado de tanta carne?

Jane sorriu.

-Confesso que nunca encarei a questão sob esse aspecto. Limitamo-nos a enviar os animais para o matadouro e, na parte que nos diz respeito, consideramos terminada aí a nossa intervenção, restando-nos apenas depositar o cheque no Banco quando ele nos chega às mãos.

-É um belo trabalho o vosso... belo e útil - declarou Jennifer.

Jane Dorman encarou-a, intrigada. Era a primeira vez que ouvia alguém atribuir valor moral à missão que ela e Jack tinham desempenhado desde a sua chegada à Austrália. Nos primeiros anos haviam-nos olhado com desdém, como se fossem simples provincianos incapazes de ganhar a vida na cidade e que, por isso mesmo, se viam constrangidos a viverem do trabalho da terra. Durante o difícil período que mediara entre as duas guerras, quando o quilo de lã não valia mais que três xelins, nunca ninguém mostrara a preocupação de saber se eles tiravam lucros do negócio ou se, pelo contrário, caminhavam para a ruína. Ultimamente, porém, com a lã dez vezes mais cara, havia muito quem os acusasse de oportunistas, exploradores e outras coisas quejandas. Contudo, ainda ninguém se atrevera a afirmar que o trabalho por eles realizado tinha algum valor social.

Nevil Shute, O País Longínquo, p. 161, Editorial Minerva, Lisboa (sem data, o original é de 1957)

Na imagem activistas da PETA - Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais, 2006: "A Nudez É Melhor Que Usar Lã Australiana"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

a chama azul

"-Uma bela tarde, saí de casa, fui até à cerca ver o gado e, maquinalmente, levei o cachimbo à boca. Não me apetecia fumar, com o ar quente como estava, mas não tinha nada que fazer e uma boa cachimbada sempre ajuda a matar o tempo. Risquei um fósforo e, por acaso, reparei na chama: era azul, completamente azul. Imaginem: ali, em pleno campo, ao ar livre, sem resquícios de vento, não havia a mais pequena mancha amarela na chama do fósforo.

Os três visitantes encararam-no.

-É fantástico! - murmurou Jack Dorman.

-Nessa altura ainda não tínhamos o rádio - continuou Slim - Apaguei o fósforo imediatamente, selei o cavalo e pus-me a caminho do Jig. Assim que lá cheguei, peguei no telefone e pedi uma chamada para Mr. Considine, que era o chefe dos serviços. Disse-lhe que o meu fósforo dava uma chama azul ao ar livre e ele limitou-se a perguntar se eu não estava bêbado nem nada. Antes de desligar informou-me de que o incêndio que lavrava no monte Buller se dirigia para a minha zona e aconselhou-me a evacuar toda a gente que ainda se encontrava no vale e a procurar refúgio em local seguro."

Nevil Shute, O País Longínquo, p. 137, Editorial Minerva, Lisboa (sem data mas o original é de 1952)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

banksia

Banksia pode ser desde um arbusto rasteiro e até meio enterrado, a uma árvore, as maiores das quais chegam a atingir 30 metros. As banksias vivem na Austrália e produzem flores muito grandes e coloridas cheias de néctar do qual se alimentam insectos, aves e mamíferos. Alguns insectos depositam os ovos nas Banksias e as larvas também são muito apreciadas pelas aves e mamíferos.

Foi chamada Banksia porque o botânico da primeira expedição de James Cook, em 1770, se chamava Sir Joseph Banks e foi o primeiro ocidental a estudá-la e descrevê-la.

Naturalmente os aborígenes australianos conhecem-na há milhares de anos por outros nomes. Com água e banksias produzem bebidas doces.

A árvore foi pintada por Margaret Preston em 1939: velha árvore banksia no final da floração na propriedade dos Preston em Berowra.

O desenho botânico não está identificado.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Uluru, Austrália

AR Lightening Originally uploaded by Taipan2007

Tjukurpa é o fundamento da vida e sociedade do povo Anangu que vive na terra de Uluru.

Tjukurpa tem muitos significados complexos mas complementares.

Refere-se ao período da criação, quando os seres ancestrais, Tjukaritja, criaram o mundo tal como o conhecemos agora.

É também a lei das relações entre as pessoas, plantas, animais e a terra.

É o passado, o presente e o futuro.

É também as histórias que guardam este conhecimento.

O povo Anangu lê a Natureza: Uluru, a paisagem, a atmosfera, os animais, as plantas e os acontecimentos, como nós lemos textos e livros. Com a diferença que a Natureza não engana e não obriga a distinguir entre saber e acreditar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Ma"

"Na arte e literatura japonesas sinto-me fascinada pelo uso do silêncio e da assimetria. Gosto do conceito de ma: o espaço intermédio que permite que haja percepção."

Lian Hearn, pseudónimo de Gillian Rubinstein