Quando voava uma garça,
abateu-se o nebri do céu,
e pra apanhá-la desceu,
preso ficou numa sarça.
Pelas mais altas montanhas
o nebri Deus descia
a fechar-se nas entranhas
da santa Virgem Maria.
Tão alto gritou a garça
que «ecce ancilla» chegou ao céu
e o nebri logo desceu,
preso ficou numa sarça.
Eram longas as correntes
que o nebri bem prenderam,
feitas dos panos potentes
que Adão e Eva teceram;
mas essa bravia garça
tão humilde o voo ergueu,
que Deus, ao descer do céu,
ficou preso numa sarça.
lírica espanhola de tipo tradicional, cancioneiro anónimo, selecção, tradução e notas José Bento, poema 59, p. 67, Assírio & Alvim, Lisboa, 1995
fotografia: aqui
Vladimir Kush
Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)
Rumi
A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.
Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.
Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
nem pobre nem rico
há coisas que nos ficam na memória; há muito tempo, talvez há mais de trinta anos, li algures a história de um homem (tenho uma vaga ideia de que ele era da América Latina, mas talvez não do Brasil) que dizia que quando era criança não era tão pobre que pudesse ir para uma colónia de férias com os outros, nem tão rico que a família pudesse ir de férias, de modo que nunca foi de férias
porque é que nunca me esqueci disto e volta e meia me lembro é um mistério...
porque é que nunca me esqueci disto e volta e meia me lembro é um mistério...
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
vagabundos no ar
O AMOR E A MORTE
FANTASIA ERÓTICA
A mulher que eu amo, que impressão me faz !
De cabelos rasos, parece um rapaz.
Mas os olhos dela, sem ela o querer,
É que dizem coisas que só de mulher.
As suas narinas vibram, a chamar
Os turvos eflúvios vagabundos no ar;
E os seus dentes, frios no sorriso moço,
Sinto-os, só de vê-los, contra o meu pescoço,
A mulher que eu amo, que impressão me faz !
Seu sorriso é triste, seu perfil minaz.
Os seus seios hirtos, pequeninos, túmidos,
Bastam a que os olhos se me façam húmidos.
Suas mãos felinas, logo que me tocam,
Meus nervos agudos todos se deslocam.
Suas ancas - taças do prazer - transbordam
De ópios que adormentam... mas que logo acordam.
Suas pernas magras de desenho fino
São como suspensos arcos de violino.
Quando as beijo, cego-me ! e esse beijo, corre
Como a onda solta que só longe morre.
Com o seu riso aéreo nos lábios vermelhos,
Ela, então, recebe-me, entre os nus joelhos,
Sobre o longo corpo inteiramente franco...
E os seus olhos mortos boiam só em branco.
José Régio, Filho do Homem, p. 10 e 11, Portugália Editora, Lisboa, 1970
Capa de João da Câmara Leme
FANTASIA ERÓTICA
A mulher que eu amo, que impressão me faz !
De cabelos rasos, parece um rapaz.
Mas os olhos dela, sem ela o querer,
É que dizem coisas que só de mulher.
As suas narinas vibram, a chamar
Os turvos eflúvios vagabundos no ar;
E os seus dentes, frios no sorriso moço,
Sinto-os, só de vê-los, contra o meu pescoço,
A mulher que eu amo, que impressão me faz !
Seu sorriso é triste, seu perfil minaz.
Os seus seios hirtos, pequeninos, túmidos,
Bastam a que os olhos se me façam húmidos.
Suas mãos felinas, logo que me tocam,
Meus nervos agudos todos se deslocam.
Suas ancas - taças do prazer - transbordam
De ópios que adormentam... mas que logo acordam.
Suas pernas magras de desenho fino
São como suspensos arcos de violino.
Quando as beijo, cego-me ! e esse beijo, corre
Como a onda solta que só longe morre.
Com o seu riso aéreo nos lábios vermelhos,
Ela, então, recebe-me, entre os nus joelhos,
Sobre o longo corpo inteiramente franco...
E os seus olhos mortos boiam só em branco.
José Régio, Filho do Homem, p. 10 e 11, Portugália Editora, Lisboa, 1970
Capa de João da Câmara Leme
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
azul ultramarino
desde criança que gosto de azul ultramarino, nem sei se gosto mais da cor se gosto mais do nome
hoje encontrei na internet um texto sobre a história do azul ultramarino, tanto da cor como do nome, aqui
na fotografia lápis-lazuli em mármore, da mina de Sar-e-Sang, Jurm, Afeganistão
hoje encontrei na internet um texto sobre a história do azul ultramarino, tanto da cor como do nome, aqui
na fotografia lápis-lazuli em mármore, da mina de Sar-e-Sang, Jurm, Afeganistão
domingo, 26 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
fotografia de 1909
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
camponeses e soldados
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Nureyev em "Os Marretas"
Esta é uma parte do Episódio 37 da Segunda Série de "Os Marretas".
Foi gravado na semana de 18 de Outubro de 1977 e está descrito (em inglês) no site Muppet Central.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
a festa do caminho de ferro
Em 1906, em Tiflis (Tbilisi), começou a ser publicada uma revista chamada "Molla Nasreddin", esta é a capa do número 12.
(tradução da tradução para inglês:)
O Otomano dá uma "festa de caminho de ferro" à Alemanha e Áustria. A legenda na panela diz: "Império Otomano". O Otomano diz: "Sede pacientes por enquanto: também vos darei um pouco" à Itália, Bulgária e Sérvia que esperam ao fundo.
(tradução da tradução para inglês:)
O Otomano dá uma "festa de caminho de ferro" à Alemanha e Áustria. A legenda na panela diz: "Império Otomano". O Otomano diz: "Sede pacientes por enquanto: também vos darei um pouco" à Itália, Bulgária e Sérvia que esperam ao fundo.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Alessandro Gatto
Grande Prémio da Associação de Desenhadores de Caricaturas (The Association of Cartoonists), 2010
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