Pão e rosas
Ela leva no avental
Ele não deixa
Vá para casa
Ninguém se queixa
Há outras portas
Para cada dia
Levar
Pão e rosas
Ao altar
Pão e rosas
Ela leva no avental
Ele não deixa
Vá para casa
Ninguém se queixa
Há outras portas
Para cada dia
Levar
Pão e rosas
Ao altar
Ela vestia-se de leoparda
E trabalhava no jardim
Ele usava farda de pinguim
As noites eram bárbaras
E os dias assim assim
Saiu de casa
Com chave e dinheiro
Sem rumo
Sem companhia
Foi evitando o cheiro
Dos escapes
Até à periferia da aldeia
Onde não havia estrada
Mas pode comprar
Comida para o caminho
Em torno das habitações
Entre altas árvores
Médios arbustos
Ervas rasteiras
Pedras e bichos
Céu sem fim
Até um lugar bem bom
Para ver até mais não
Até lhe apetecer regressar
Generalizar
é singularizar a pluralidade.
Cor singulariza todas as cores.
Uma escada reúne degraus.
Precisamos de palavras para nos entendermos mas o efeito colateral é criarem mal entendidos, por isso precisamos de aprender sempre com quem não fala: pessoas, animais, plantas, pedras, nuvens e estrelas.
Generalizar é uma uma propriedade da linguagem muito problemática. Pretende condensar conhecimento mas muitas vezes é o principal obstáculo à compreensão. O paradoxo é que "não generalizar" é também uma generalização. Não é, Zenão de Eleia? O que é, é e não pode não ser. A deusa de Parmênides ensinou-lhe que também precisava de aprender o que não é. Precisamos de aprender o que não é porque as palavras o criam. Do que se pode falar ainda não é do que é. E temos que falar. Sorri. Enquanto há sorriso.