
"a pouca certeza que naquele tempo havia da cronologia, (e cômputo) dos anos da criação do mundo, cujo erro alcançou quase o século em que hoje vivemos, de que é bom exemplo a opinião del-Rei D. Afonso o Sábio, que foi na sua e na de muitos o segundo Ptolomeu daquela idade; e segundo as tábuas astronómicas chamadas de seu nome Alfonsinas, contou desde a criação do mundo
5984 anos, constando hoje pelo cálculo universalmente recebido dos melhores e mais diligentes cronólogos que foram, como deixámos assentado,
pouco mais de 4000. Havendo pois no cômputo dos tempos uma diferença tão notável como a de 2000 anos, que muito era que os juízos que se formavam acerca do futuro, discorrendo sobre esta suposição, inferissem com falsa, mas bem tirada consequência, que
o fim do mundo estava mais perto deles do que nós depois o experimentámos?"
Pe. António Vieira,
Duração do 5º Império, in
Apologia da Coisas Profetizadas, Edições Cotovia, Lisboa, 1994, p. 185, linhas 18 a 29.