A uma hora em que parecia que já não chegavam as forças nem para respirar, quando o Sol, depois de ter abrasado Moscovo, se escondera no nevoeiro seco algures para lá da Sadovaia, não havia ninguém debaixo das tílias, ninguém sentado nos bancos. A alameda estava deserta.
-Dê-me uma água Narzan - pediu Berlioz.
-Não há Narzan - respondeu a mulher do quiosque parecendo ofendida.
-Tem cerveja? - perguntou «Bezdomni» com voz rouca.
-Cerveja só trazem à noite - respondeu a mulher.
-Que tem então? - quis saber Berlioz.
-Sumo de alperce mas está quente - disse a mulher.
Mikhail Bulgakov, Margarita e o Mestre, tradução do russo de António Pescada, p. 12, Contexto, Lisboa, 1991
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