Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Quando Maria fez uma grinalda para o Natal


Quando Maria fez uma grinalda para o Natal
O sangue correu vermelho - correu vermelho.
Outra Maria entrelaçou os Espinhos
Que coroaram a cabeça do seu Senhor
Mas o Visco estava longe
Do outro lado de um mar Ocidental,
E o Visco foi engrinaldado à volta
De uma macieira Pagã.

Em Glastonbury cresceu um Espinho,
Quando José chegou para comerciar.
E o Azevinho crescia naturalmente
Em toda a clareira arborizada.
Mas o Visco era sagrado onde
O Sol se levanta cada manhã,
E o Visco não sabia nada do
Bebé em Belém nascido.

Santo Patrício singrava os mares tormentosos
Para pregar a Cruz - e assim
Descobriu a árvore de Eva - com a serpente enroscada -
E suspensa com Visco.
«Peço-te, Serpente, abandona esta Terra
E abre, Planta, os teus ouvidos.»
Pregou a História de Cristo - e Vede!
O Visco verteu lágrimas…

O Azevinho tem bagas vermelhas,
Vermelhas cor de sangue em cada ramo.
O Espinho medra com flores douradas,
E agora à maneira de Confeitos.
O que darás tu ao Senhor Cristo?
Oh! Ramo Pagão tão verde?
«As Lágrimas que verti por Alguém
Que nunca vi…
»

Deixem o Homem então dar a sua vida pelo Homem,
Dizem as bagas vermelhas cor de sangue,
E os homens têm amor pelo próximo
Onde as flores de Urze medram tão alegres,
E as Lágrimas do Homem sejam vertidas pelo Homem
Onde o Visco fulgura branco,
Vem, piedade, amor e sacrifício…
Deus nos abençoe a todos esta noite!

Agatha Christie Mallowan (1965), A Estrela de Belém, Contos de Natal,
p. 31 a 33, Livros do Brasil, Lisboa, 1989





quarta-feira, 21 de outubro de 2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

a morte não é um mito

"Não tenho filhos ainda, mas quando os tiver quero vê-los a brincar com caixões e mais tarde a tomar conta da empresa, sem verem a morte como um bicho-de-sete-cabeças ou um mito, como a maioria das pessoas."
Mylena Cooper (notícia de hoje no Diário de Notícias)

A «Funerária Cooper» foi criada nos anos 20 no Sul do Brasil por um emigrante irlandês que fazia caixotes de madeira para alimentos até lhe pedirem que fizesse um caixão. O filho desenvolveu a empresa acrescentando o serviço de cremação, revoada de pombas e chuva de rosas. Abriu também sucursais noutras cidades. Agora Mylena Cooper, a neta, propôs o serviço de enviar cinzas para o espaço - uma cooperação com a NASA - mas no Brasil não resultou: «ninguém quer mandar os parentes para longe».  

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Dez mil milhas do rio Yangtze

Pintura anónima em seda. Dinastia Ming (1368-1644). É possível que haja outras maneiras de vê-la, Através da Wikipedia encontra-se carregando aqui e carregando novamente para ver maior. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Bom dia vi amigo


Bom dia vi amigo,
pois seu mandad'hei migo,
louçana.

Bom dia vi amado,
pois mig'hei seu mandado,
louçana.

Pois seu mandad'hei migo,
rog'eu a Deus e digo
louçana.

Pois migo hei seu mandado,
rog'eu a Deus de grado,
louçana.

Rog'eu a Deus e digo
por aquel meu amigo,
louçana.

[Rog'eu a Deus de grado
por aquel namorado,
louçana.]

Por aquel meu amigo,
que o veja comigo,
louçana.

Por aquel namorado,
que fosse já chegado,
louçana.

D. Dinis

Fontes manuscritas no site da FCSH aqui

terça-feira, 1 de setembro de 2015

domingo, 30 de agosto de 2015

Mooreeffoc

foi visto e descrito por Dickens, mencionado por Chesterton e comentado por Tolkien.

Encontrei esta palavra primeiro aqui (em francês) depois aqui (em inglês) e a imagem aqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Os navios invisíveis

Winston Churchill, As Minhas Memórias, Volume I, p. 143-144, Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1941

A ortografia não foi actualizada.

"Organizámos, para o começo de 1912, uma grande revista naval em Portland. Flutuaram, ao vento, os pavilhões duma dúzia de almirantes e as flamulas de outros tantos comodoros. Vimos juntar as bandeiras de cento e cincoenta navios. O rei passou quatro dias no meio dos marinheiros. Num desses dias realizaram-se as manobras no meio dum espêsso nevoeiro. Os navios partiram ao mesmo tempo. Invisíveis, ocuparam os seus lugares, no meio das vozes de comando e do ruído sinistro das sereias. Parecia impossível que se não desse qualquer acidente. De repente o nevoeiro dissipou-se e distinguiram-se os alvos distantes; os navios de linha, em fila, surgiam, uns após outros, no meio de clarões e lançavam granadas, no meio dum ruído infernal e de jactos de água.

A esquadra voltou, depois, com os seus três grupos de combate, e os cruzadores e as flotilhas de navios mais pequenos, atrás e à frente. A velocidade atingiu os vinte nós. No rasto dos navios havia longas esteiras de espuma branca. A terra aproximava-se. O perímetro da baía abraçava já aquela formação gigantesca. Na ponte do «Enchantress» os adidos estrangeiros, na minha companhia, lançavam olhares ansiosos. Continuámos a avançar a todo o vapor. Mais cinco minutos e os navios que iam à frente da esquadra fundeariam. Quatro minutos, três minutos e ouviu-se, enfim, o sinal. Tôdas as amarras caíram no mar, ao mesmo tempo. À distância regulamentar de cento e cincoenta metros, os navios pararam. Olhando as extensas filas de navios, havia a impressão de que haviam sido traçadas à régua. Estendiam-se por uma distância de muitas milhas. Os espectadores desta cena estavam pasmados."

sábado, 22 de agosto de 2015

Valdez, Alasca

Escultura de Peter Wolf Toth, 1981 (ver aqui).

É a escultura #40 da Pista dos Gigantes que Sussurram (Trail of the Whispering Giants) que Peter Wolf Toth fez nos Estados Unidos da América e no Canadá em honra dos povos nativos.

A escultura é de madeira de abeto de Sitka (Picea sitchensis) que tem excelentes características acústicas.

A fotografia está no site da Conferência de Teatro da Última Fronteira (Last Frontier Theatre Conference)

Encontrei outra fotografia desta estátua no blog Vivendo No Alasca - A Vida Na Última Fronteira (Living In Alaska - Life in The Last Frontier)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

a guerra das laranjas

Em 1801 o exército espanhol, perseguido pelo exército francês, entrou em Portugal e conquistou parte do Alto Alentejo. Foi então que Olivença passou a ser espanhola.

Caricatura de Charles Williams publicada a 22 de Julho de 1801: dois portugueses ajoelhados e aterrorizados são obrigados a assinar um tratado de paz.

Mais informações em português no blogue "As Invasões Francesas".

A imagem está no site do Museu Britânico - com o título «The prince of peace signing the Portugal treaty» e tem informações em inglês. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Grande Buda de Leshan em 1925

Fotografia de Joseph Rock, aqui.

Para o caso de a ligação acima deixar de funcionar deixo também esta: o site chama-se «On Shadow»

DR. JOSEPH ROCK:
TRAVELS THROUGH WESTERN CHINA

Aumentando o zoom da fotografia podem ver-se dois homens em cima da cabeça da estátua. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

revestir a mesquita

Uma vez por ano as pessoas de Djenné, Mali, revestem de lama a grande mesquita - o maior e mais antigo edifício de adobe do mundo. O revestimento protege-a das intempéries, as orações são atendidas.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Cristina Mirabilis

A Maravilhosa Cristina (1150-1224) morreu pela primeira vez aos 22 anos. Na missa antes do funeral elevou-se até ao tecto. Quando desceu disse que não podia suportar o cheiro dos pecadores e contou que tinha estado no Purgatório, no Inferno e no Paraíso. Que tinha voltado à vida por amor, para libertar os pecadores. Viveu depois uma vida tão fora do comum que lhe chamaram Cristina Admirável.

Ilustração de Melissa West (2010) - Saint Christina the Astonishing.

Detalhes sobre a vida de Cristina (em inglês) aqui.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

palíndromo

O quadrado SATOR, palíndromo romano. Existem outros, este está na igreja de San Pietro ad Oratorium, em Capestrano, Abruzzo, Itália.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A vida das árvores à noite

Desenho no livro "A vida das árvores à noite" (The night life of trees) ilustrado por artistas da tribo Gond, Índia central. A história é sobre a crença do povo Gond na vida espiritual das árvores à noite.

Tara Books, 2006


O poema é de Rainer Maria Rilke, o primeiro dos Sonetos a Orfeu (1923):

Uma árvore subiu. Pura ascensão!
Oh, Orfeu canta! Árvore alta no ouvido!
E tudo se calou. Mas mesmo a suspensão
era aceno, mudança, outro sentido

de começar. Do bosque iam saindo
bichos silentes, de covil ou ninho,
e não era já - viu-se - ardil mesquinho
ou susto que os calava: estavam, vindo,

só para ouvir. Mugido, berro, grito
era pequeno em cada peito aflito.
E onde havia abrigo ou choça escura

de acesso pra aceitar em ânsia pura,
postes que o som pudesse sacudir, -
ali criaste tu templos no ouvir.

Rainer Maria Rilke, Poemas As Elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu (Prefácio, Selecção e Tradução de Paulo Quintela), p. 233, O Oiro do Dia, Porto, Setembro de 1983

terça-feira, 16 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma visão de Maomé lendo o Masnavi de Rumi - Biblioteca «The Morgan»

Muhammad terá vivido no final do séc. VI e início do séc. VII. Rumi no séc. XIII. Também se diz que Muhammad era analfabeto.

Esta imagem ilustra um livro do séc. XVI e suponho que prova que o que é considerado importante numa época pode não ter interesse nenhum noutra.

A Vision of Muhammad Reading Rumi’s Masnavi | The Morgan Shop | The Morgan Library

terça-feira, 26 de maio de 2015

As mulheres belas

Estão as mulheres belas sentadas ou se movem, e umas são velhas, outras novas,
E são belas as novas - mas as velhas são ainda mais belas do que as novas.

Walt Whitman, Fôlhas de Erva, Lisboa, 1943, p. 12, ANTOLOGIA, Introdução aos Grandes Autores

Edição de Autor de Agostinho da Silva, está on-line aqui.

sábado, 16 de maio de 2015

Soneto a um livro





A um livro

No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer !
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer !

Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma !
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto !...

Poeta igual a mim, ai quem me dera
Dizer o que tu dizes !... Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto !...

Florbela Espanca, SONETOS, p. 32, Edição Integral, Livraria Tavares Martins, Porto, 1960

Este livro tem fotografias. Esta está ao lado deste soneto e encontrei-a aqui. Suponho que seja Florbela com o irmão no final do séc. XIX / início do séc. XX.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Misericórdia em Macau

Baixo relevo em granito. Fotografia de «O Leal Senado da Câmara de Macau. Reportagem fotográfica de José Neves Catela e comentários de Luís Gonzaga Gomes in MOSAICO,1950.» encontrada aqui

segunda-feira, 11 de maio de 2015

lágrimas de princesa

Pir-e Sabz (santuário verde), ou Chak Chak, nome onomatopaico - som das gotas de água a cair - é o mais sagrado dos templos de montanha do Zoroastrismo. A religião de Zaratustra (Zoroastro) continua viva no Irão e nos países próximos, incluindo a Índia, assim como noutros países mais distantes para onde os fiéis emigraram.
O fogo sagrado tem sido mantido nesta fonte no meio do deserto de Dasht-e Kavir, a cerca de 60 km de Yazd, Irão. É um centro de peregrinação sempre aberto cujas celebrações mais importantes ocorrem no mês de Junho.
A tradição conta que a princesa Nikbanu (Nikbanoo) ao fugir da invasão dos árabes islâmicos caiu aqui de cansaço. Rezou então de tal modo que a montanha se abriu para a acolher e dar refúgio.
Quando a montanha se fechou sobre ela um pouco do vestido ficou à vista. Com o tempo petrificou e agora é uma rocha. As gotas da cascata são lágrimas, água da vida. Os limos (lismos) verdes são os cabelos da princesa.
As poucas árvores que crescem no templo são as únicas em muitos quilómetros em redor.
Encontrei a fotografia - e informações em inglês - aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Árvores que sonham com o mar

Ela não sabia que nome lhe davam as pessoas por isso também eu não vou aprofundar que árvore era
Era uma árvore num monte e sonhava com o mar sem nunca o ter visto
O mar era assim como as montanhas mas em movimento rápido
Era azul e estava cheio de peixes e outros animais que nadavam
E a árvore crescia lentamente para o céu acarinhando o seu sonho - incompreensível na montanha
E foi crescendo até ao dia em que a cortaram e dela fizeram um barco 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Quatro amigos (Tunshe)

Dashi Namdakov

Four Friends (Tunshe), 2008

Escultura em Aginskoye - capital de Agin-Buryat, Federação da Rússia. 

Território dos nómadas Buryats. Desta região o budismo espalhou-se por todo o Transbaikal. Ainda existem alguns dos antigos Datsuns (mosteiros) que serviram durante vários séculos como pontos focais para a educação e unidade de clãs Buryat, proporcionando uma ligação entre a cultura nacional e o mundo budista mais amplo.

Instalado no meio de uma praça da aldeia, o grupo escultórico recorda uma história: quatro animais subiram nas costas uns dos outros para alcançar o fruto que todos querem comer.

A semelhança com os "Músicos de Bremen" não será coincidência.

quarta-feira, 18 de março de 2015

coincidências

«Não há coincidências por acaso.»

Germaine Acremant, As Solteironas de Chapéu Verde, Portugália Editora, Lisboa, Fevereiro de 1971, p. 91

Encontrei esta capa na internet, possivelmente é de outra edição. O livro que estou a ler tem uma capa dura, vermelha, creio que posta pela Fundação Gulbenkian para que os livros que enviava para as Bibliotecas Itinerantes durassem mais.

Publicado em França em 1921 «Ces dames aux chapeaux verts», o primeiro livro de Germaine Acremant, foi adaptado diversas vezes ao cinema e ao teatro e ainda hoje há desfiles de chapéus verdes na localidade.

Não me lembro agora onde mas já vi isto: «um copo com água e uma camada de azeite, à superfície do qual flutua uma rodela de cortiça prateada com uma pequena chama», p. 95

Lindo: «muito corada por ter participado nas limpezas, não pode corar mais... Empalidece.», p. 101.

« (...) A mulher é necessária ao homem.
- Sim... para a roupa branca!
A resposta é tão imprevista que a própria Arlette fica embaraçada.
- Para a roupa branca?
- Sim... a minha roupa está a estragar-se... Dantes, a mamã cosia-a antes de a mandar para a lavadeira. E contava-a! A semana passada mandaram-me uma peúga a menos!», p. 118, 119

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

os pingos

As gotas e os pingos andam por aí, umas vezes visíveis, outras vezes não, brilham ao Sol ou infiltram-se entre a gola do casaco e a pele do pescoço pelas costas abaixo.
Quer sejam belíssimos quer sejam desagradáveis, existem. Passam. Caem e evaporam-se, podem ser gordos ou compridos, ínfimos ou congelados, deslizam ou endurecem e podem ser esmagados, comprimidos, bebidos, lambidos, reflectidos, fotografados.
Não duram muito mas também não desaparecem, são incontáveis e imprevisíveis. São gotas, são pingos.
Voam ou condensam-se. Libertam-se ou encontram-se. Existem aos milhares ou cada um por si.
Fazem música, aqui e ali.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

energia jovem

Instituto de Ciência e Tecnologia de Masdar, Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos.
Membros da Associação YFEL - Young Future Energy Leaders (Jovens Futuros Líderes da Energia )
fotografia aqui

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015