Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

terça-feira, 8 de agosto de 2017

sexta-feira, 7 de julho de 2017

adorar um tracinho

"THE temporary decline of theology had involved the neglect of philosophy and all fine thinking, and Bernard Shaw had to find shaky justifications in Schopenhauer for the sons of God shouting for joy. He called it the Will to Live -- a phrase invented by Prussian professors who would like to exist but can't. Afterwards he asked people to worship the Life-Force; as if one could worship a hyphen."


G.K. Chesterton: "George Bernard Shaw."

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Pestana do Mundo

Qvando às vezes ponho diante dos olhos os muitos & grãdes trabalhos & infortunios que por mim passarão, começados no principio da minha primeira idade, & continuados pella mayor parte, & milhor tẽpo da minha vida, acho que com muita razão me posso queixar da vẽtura que parece que tomou por particular tenção & empreza sua perseguirme, & maltratarme, como se isso lhe ouuera de ser materia de grande nome, & de grande gloria, porque vejo que não contente de me por na minha patria logo no começo da minha mocidade, em tal estado que nella viui sempre em miserias, & em pobreza, & não sem alguns sobresaltos & perigos da vida me quis tambẽ leuar às partes da India, onde em lugar do remedio que eu hia buscar a ellas, me forão crecendo com a idade os trabalhos, & os perigos. Mas por outra parte quãdo vejo que do meyo de todos estes perigos & trabalhos me quis Deos tirar sempre em saluo, & porme em seguro, acho que não tenho tanta razão de me queixar por todos os males passados, quãta de lhe dar graças por este só bẽ presente, pois me quis conseruar a vida, paraque eu pudesse fazer esta rude & tosca escritura, que por erança deixo a meus filhos (porque só para elles he minha tenção escreuella) paraque elles vejão nella estes meus trabalhos, & perigos da vida que passei no discurso de vinte & hũ ãnos em que fuy treze vezes catiuo, & dezasete vendido, nas partes da India, Etiopia, Arabia felix, China, Tartaria, Macassar, Samatra, & outras muitas prouincias daquelle oriental arcipelago, dos confins da Asia, a que os escritores Chins, Siames, Gueos, Elequios nomeão nas suas geografias por pestana do mũdo.

Fernão Mendes Pinto, Peregrinação. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

a esponja que aprofundou o conhecimento

Hyalonema lusitanicum, a esponja que aprofundou o conhecimento da vida nos oceanos em 1864. Imagem e mais informações no Museu Nacional de História Nacional e da Ciência.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

quando não havia espelhos nem relógios

mas já havia pessoas que iam ao vale
às nascentes da água salgada
com vida gasosa
e nas fontes se banhavam
e bebiam
com as flores, as árvores
e os animais que ali viviam
nós ainda não tínhamos nascido

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Monumento às cobaias

Monumento às cobaias usadas para descodificar o DNA.
2013
Desenho de Andrew Kharkevish, escultura de Alex Agrikolyansky, fundição em bronze de Maksimom Petrovym,
Instituto de Citologia e Genética da Academia de Ciências da Rússia em Novosibirsk.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quem sabe por onde vai

leva sua conta feita,
nunca do caminho sai,
nunca olha a quem diz: «tomai
à esquerda ou à direita.»

Francisco Sá de Miranda (1481?-1558)
in «Sá de Miranda, poesia e teatro», p. 101, Biblioteca Ulisseia de autores portugueses.

segunda-feira, 6 de março de 2017

hum homem que bebia vinho mais do necessário

Do que el-Rey disse a hum homem que bebia vinho mais do necessário

Capitolo CLIII

Hum homem honrado que se nam nomea, folgava de beber vinho, e porque o el-rey nam bebia, avia-se por tacha e todos em geral trabalhavam por seguir as obras e condiçam d'el-rey. E este homem aas vezes lhe fazia o vinho dano de que el-rey tinha desprazer. E hum dia o mandou chamar e elle por nam cheirar a vinho comeo folhas de loureyro a que muito cheirava; e el-rey lhe disse: "Foam, debaixo desse louro a como vale a canada?"; de que o homem ficou envergonhado e trabalhou de se emendar.

Vida e feitos d'el Rey Dom João Segundo, Livro das Obras de Garcia de Resende (1545), Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p.381

sexta-feira, 3 de março de 2017

confiar

é tão bom poder confiar e obedecer

quando lhes faltam ao respeito

as pessoas choram

véspera

dias de véspera
de dias memoráveis
de palavras que não sabem nada
(houveram e ofenderam)

um segredo separador, o início da angustia

e mais tarde

gargalhadas que um órgão interno guardou durante anos e anos e anos

a vida não passa
é

entrar e sair funda

a interrogação
a posição adequada
serena resignação

sinonímia que se rende
Redentora

Tornar-se

a comida
estende-se por toda a parte
e a toalha do pic-nic
é uma parte
outra

a amiga mais antiga
o mistério da fruta
que chega à boca e

dos sabores
que a memória tem guardados
em silêncio
e posições

que o corpo toma sem procurar

nem impõe, nem intimida
são íntimas no exterior delas

e uma gota de sangue
quis e brilhou ao sol

veio do nascente, do oriente,
do leste longamente
ao oceano chamou lago

Iago cuja mente
perpetrou um crime
que ficou escrito na pedra do tempo
que não sendo tempo
se tornou pedra


quinta-feira, 2 de março de 2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Mãe dos Exílios

O Novo Colosso 

Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com pernas abertas e conquistadoras a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher poderosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; Os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gémeas.
"Mantenham antigas terras a sua pompa histórica!" grita ela
Com lábios silenciosos "Dai-me os vossos fatigados, os vossos pobres,
As vossas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das vossas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado."

Emma Lazarus, 1883

Poema escrito para angariar fundos para a construção do pedestal da Estátua da Liberdade.

A fotografia (Nova York - Por dentro da Estátua da Liberdade) encontrei-a aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lavando no Gelo, Pekka Halonen

Lavando no Gelo, 1900

Lago Tuusula

Pekka Halonen foi um pintor finlandês nascido em Linnasalmi, Lapinlahti, Carélia, no dia 23 de Septembro de 1865.

A casa que ele criou com um dos irmãos é agora o Museu Halosenniemi Rantatie, em Tuusula.