Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ao contrário

"Ao contrário do que se pensava, uma nova investigação veio agora provar que..." ou "Um novo estudo contraria as anteriores teorias sobre..." Há uma grande quantidade de notícias que começam mais ou menos assim. ;)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Cometa

Há um cometa visível a olho nu na constelação de Perseu. Vi-o ontem. Não parece um cometa porque não se vê cabeleira, mas há qualquer coisa de difuso em torno do que parece uma estrela. Sou mal tratada no emprego e tenho a casa sujíssima.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Ampulheta metade preta

Era uma vez uma enorme ampulheta que se via de todo o lado e era metade branca e metade preta. Um homem organizou um grande ajuntamento para dizer que a areia caia sempre da metade preta para a metade branca. Toda a gente concordou. Houve muitas palmas e “a areia cai sempre da metade preta” tornou-se um provérbio. Quando a metade branca ficou cheia viraram a ampulheta. Um dia um homem ficou muitíssimo surpreendido ao verificar que, afinal, a areia caia não da metade preta mas na metade preta. Convocou uma reunião para explicar que, com o tempo, o provérbio tinha sido mal transmitido e que a sua forma original era “a areia cai sempre na metade preta”. Toda a gente concordou. Houve muitas palmas e, com o tempo, ora era da ora era na que era considerado um enorme disparate. A maior parte das pessoas não ligava nenhuma e dizia da ou na conforme calhava, só os sábios é que sabiam qual era exactamente a palavra certa e era por isso mesmo que eram sábios. Quem virava a ampulheta não dizia nada.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

terça-feira, 26 de junho de 2007

Notícias do dia

Dormimos, sonhamos. Acordamos e as notícias do dia põem-nos num "certo" estado de espírito. Como defini-lo? Desencantado? Desesperado? Angustiado? Aterrorizado? Certamente não sereno. É a este estado de espírito que se chama "realidade", vá-se lá saber porquê!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Almariada

Os estados de espírito não têm todos nome. Não são puros mas misturas. Tendem para a diversidade e parecem-se mas não são iguais. O que se sente é muito difícil de definir. Não se sentem "coisas" paradas no tempo. Sentem-se movimentos intemporais.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Humores

"Every artist knows that nature has many moods" Thomas Kinkade
"Todos os artistas sabem que a natureza tem muitos estados de espírito"
Não sei se se todos os artistas sabem isto ou não, nem se é preciso ser artista para o saber, mas concordo que a natureza tem muitos estados de espírito. Eu diria que tem todos :)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A Clockwork Orange (1971) no imdb

Laranja Mecânica "This would be controversial even to this day, and this is a movie released more than thirty years ago. It makes one wonder how so many of our movies are still so clean. " As strange and offbeat as its title, oh my brothers..., 25 February 2004 Author: MovieAddict2007 from themovieaddict.com Tradução: "Isto seria controverso mesmo hoje, e este é um filme lançado há mais de trinta anos. O que faz com que nos espantemos por tantos dos nossos filmes ainda serem tão limpos." A mim o que me espanta é que o autor destas linhas esteja convencido que o tempo faz com que as coisas controversas deixem de o ser e ache natural que os filmes se tornem cada vez mais "sujos".

Somos animais

que gostam de estar e brincar uns com os outros.

terça-feira, 29 de maio de 2007

educação

a educação não é uma coisa que a sociedade faça, a educação é o que acontece naturalmente às crianças enquanto aprendem. os bloqueios de aprendizagem são muitas vezes consequência precisamente da educação distanciada e pedagógica de técnicos mecânicos de crianças-máquinas. pior que a educação de massas só mesmo a falta de educação de massas. as massas são o conceito de coisa levado à última potência. felizmente a estupidez, como tudo, é efémera. o sonho está aquém e além.

animais, plantas e minerais

Porque os distinguimos assim? Parece óbvio mas há mais semelhanças entre certas plantas e certos animais que entre certos animais entre si ou plantas entre si. A diversidade dos seres vivos é tanta que sempre nos surpreende. Embora a surpresa raramente alcance o facto de que as pessoas são uma das possibilidades da diversidade e não estão de modo nenhum acima dela, uma vez que são seu produto.
Animais, entre os animais, seres vivos entre os seres vivos, coisas entre as coisas, as pessoas não se distinguem da escala a que vivem o mundo. O nível da percepção humana é comum a muitas espécies com as quais sentimos mais afinidades que com aquelas cujas percepções se afastam mais das nossas. Eis porque aceitamos classificar as rochas como inanimadas, sem vida. Desta ideia decorre a de coisas, objectos. O problema das ideias é a sua coisificação. É assim uma espécie de calcificação das canalizações que impede o fluir. Apesar disso a girafa e o esquilo encontram-se.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

ALENTEJO - ZONA DE ANARQUIA EXPERIMENTAL

Façamos do deserto uma zona livre de políticos, uma zona de anarquia experimental. Ninguém mete o nariz e o pessoal da margem sul que se entenda com os de Beja.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Encenar uma não-ficção

"Marcela é mantida ‘viva’ às custas de um tronco cerebral rudimentar, mas altamente medicalizado. Ela nunca chegará a ser um ser humano pleno e autônomo. É uma carga social familiar na qual estão sendo aplicadas medidas extraordinárias de reanimação e manutenção de vida vegetativa sem finalidade, impedindo de deixar a natureza seguir o seu ciclo natural. Tais medidas são caras diante da limitação e da exigüidade de recursos disponíveis para a saúde pública. Para quê? As mulheres devem ser obrigadas a dedicar 24 por dia para manter vivos troncos cerebrais que jamais chegarão à plenitude da vida? É isso que as mulheres desejam? Não tenho nada contra se uma família, ou a Igreja, queira bancar esse tipo de coisa, mas que o façam com seus próprios recursos. Vejo como uma imoralidade que o dinheiro público sirva para esta encenação, enquanto um número incalculável de bebês viáveis morrem por falta desses mesmos cuidados."

Austrália

http://www.nacaradogol.mondo-exotica.net/arquivo/001727.htm www.hockin.org/.../1997_Australia/Didjeridoo.JPG

fumar e jogar às cartas

Sobre os efeitos da presença portuguesa no Japão diz Wenceslau de Moraes:
"Caiu por terra a doutrina dos padres; mas o tabaco e as cartas de jogar - oh, pestezinha da alma humana! - persistiram..."
(Os Serões no Japão, 2ª ed., 1973)
Para alguns homens o paraíso é um interminável jogo de cartas com os amigos:
"Mas só o simples facto de se jogar às cartas é D'homem. Ponto final."

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Ojizosama at Yamadera

Ojizosama at Yamadera. An ojizosama is a character from Japanese legend who protects children, and every Japanese person thinks that this little statue is very cute. ----- Ojizosama em Yamadera, Japão. Um (ou uma?) ojizosama é uma personagem lendária japonesa que protege as crianças, e todos os japoneses pensam que esta pequena estátua é muito gira e querida. ----- Ed Photos http://www.iipix.com/japan/scenery/right/ojizosama.html

Diferentes culturas, diferentes leituras

Minnie Mouse at Yamadera. This photo is often greeted by non-Japanese with an ironic laugh. However, the Japanese are saddened by the photo, and not by the mixture of modern American culture and Japanese traditional culture. These statues are for children who died very young, or for aborted fetuses, and some mother has brought this Minnie Mouse to the shrine because she thought her child may have liked the toy. Ed Photos http://www.iipix.com/japan/scenery/right/minnie.html A Minnie em Yamadera, no Japão. Esta fotografia é frequentemente olhada com risos irónicos por não-japoneses. Os japoneses, no entanto, ficam tristes quando a vêem, e não por causa da mistura de cultura americana moderna e cultura japonesa tradicional. Estas estátuas são para crianças que morreram muito novas, ou para fetos abortados, e alguma mãe trouxe este balão da Minnie para o santuário porque terá pensado que a sua filha teria gostado deste brinquedo.

quinta-feira, 29 de março de 2007

quarta-feira, 21 de março de 2007

quarta-feira, 7 de março de 2007

VENTO

O loureiro em frente da janela agita-se violentamente deixando ver por trás dele o que normalmente tapa. Os movimentos das copas das árvores e o som do vento compõem uma paisagem pouco habitual. Gosto.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Bendito seja o fruto do vosso ventre


Depois do referendo sobre o aborto convém lembrar que a fertilidade é o valor fundamental. O desprezo votado às mães não casadas, sejam elas adolescentes ou não, e aos seus filhos, é uma das principais causas pelas quais as mulheres abortam. Algumas são obrigadas a abortar pelos homens: namorados, maridos ou pais; outras fazem-no por medo de exclusão social embora pensem que o fazem de livre vontade.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Previsões

Não basta o tempo que faz? É preciso acrescentar-lhe as previsões do tempo que vai fazer? Ainda por cima provavelmente erradas? Não sei porque se decidiu dar tanta importância aos boletins meteorológicos mas tenho a certeza que a vida é melhor sem eles: quer acertem quer não.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Vinha e carroça

Fotografia de Aurora Ribeiro

Dias nevoentos

Em dias nevoentos como ontem e hoje as pedras do chão ficam molhadas e escorregadias e o céu começa logo aqui. Os acontecimentos são igualmente indefinidos. O que era para acontecer não acontece e o que acontece não parece importante. Como a névoa faz desaparecer os contornos das coisas também não há coisas. Escorrega-se nos pensamentos. Talvez nem haja pensamentos, apenas sonhos. http://www.cep.unt.edu/songs/tolkien.html

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Contar o tempo

Contar o tempo faz chorar. Contar histórias intemporais faz sentido. Ou, para intelectuais: contar o tempo aliena-nos, contar histórias exercita o intelecto. Melhor ainda é cantar as histórias e dançá-las: faz comunhão.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

A história começa num beco sem saída. Numa cidade. No verão.

O mundo invisível que nos surge em sonhos quando dormimos e na consciência quando acordamos: aqui, contentes, também sentimos espanto e nos desgarramos. Entramos e saímos do que estamos a fazer.

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A história começa num beco sem saída. Numa cidade. No verão. A criança tinha-se perdido ao tentar voltar para casa por caminhos diferentes dos habituais e agora tinha que voltar para trás mas não tinha vontade nenhuma de fazer isso. Sentou-se num degrau. À volta havia portas e janelas nas casas, duas ou três árvores, umas quantas flores em vasos e uma torneira.

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(continua... está em construção) *

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SABE-SE LÁ

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Esta expressão de cepticismo português é muito eloquente. Ao 'lá' devem seguir-se reticências que o indeterminem. Este 'lá' é um óptimo equivalente para o Tao chinês.

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As certezas têm de ser continuamente reforçadas. O homem auto-condiciona-se numa identidade, auto-define-se. O paradoxo do actor é a plasticidade com que assume e se descarta das identidades. Os ritos ditos primitivos ou pagãos usam e abusam desta possibilidade. Revelando inúmeras identificações com visíveis ou invisíveis presenças o rito é sagrado e profano. A orgia e o ordálio, alegria, ofertório, a dádiva, a graça dos encontros, a participação e aprendizagem, tudo é claro e natural. Segredos e mentiras descaem-se inesperadamente, limpam-se as consciências, revelam-se os mal entendidos. As afirmações são fáceis e ninguém se incomoda a negá-las. Desejo e necessidade de estar de acordo.

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Saltem a fogueira, moças, arregacem as saias. Sabe-se lá de onde nascem os filhos do fogo. O mistério agita as folhas soltas. Sabe-se lá... Lá... onde? Onde se sabe. Onde não se está. Ou não se está totalmente. Ou não se está ainda. Emergimos do mistério. Coágulos de nada. A extrema diversidade com que nos relacionamos com a beleza e o significado, o sentido e confusão que são partes do nexo, como nós! A integração no nexo pressupõe uma certa desadequação social, na medida em que os limites da sociedade são demasiado estreitos para o conhecimento do todo.

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Sempre que se estabelecem limites abre-se um espaço de jogo. Mas, por mais viciante, nenhum jogo é permanente. Para lá dos jogos o jogo improvisado dos acontecimentos tem outra qualidade. É um jogo sem regras, nem espaço, nem tempo definidos. Sem objectivo aprendemos mais. Não nos ilude nenhuma aparência pintada, por mais nova ou restaurada, por mais nítida, por mais ousada. Sabemos que, para lá dela, está tudo o que vai entrar e saír do palco. Não falta nenhuma peça do jogo. Não há explicações só acções, raramente comentários. Apenas quando acontecem as grandes raridades. A presença dos jogadores é reconfortante para quem não joga. Fazem companhia e não chateiam.

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Mas, sabe-se lá... :)