Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




sexta-feira, 26 de junho de 2009

Homenagem aos baleeiros

Foram homenageados em New Bedford, na Casa dos Botes, baleeiros das ilhas açoreanas do Pico e Faial. O presidente da Sociedade da Herança Marítima Açoreana inaugurou na mesma altura a Exposição "Honrando os baleeiros".

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Gerar

Segundo o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Portugal transformou com sucesso as suas actividades de caça à baleia (proibida desde meados dos anos 80) em actividades de observação de cetáceos, que gera hoje mais riqueza para as comunidades que tradicionalmente se dedicavam à caça à baleia, do que a caça alguma vez gerou.

Na fotografia mãe e baleia recém nascida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Povo Himba

Algures em África

Contar

«Este acto de contagem, que, nas fórmulas recolhidas tanto do grego como do latim, pareceria ficar exclusivamente pela dimensão numérica do movimento, acaba por ganhar uma dimensão semântica suplementar com a transposição para o domínio do vocabulário hebraico. Com efeito, o conceito beneficia com uma duplicidade de sentidos para o termo "contar" que ocorre em hebraico. Tal como acontece igualmente em português, da acção expressa pelo verbo contar tanto pode resultar uma conta como se pode produzir um conto: enumerar e narrar são sentidos igualmente acessíveis e implicados de forma alternativa e complementar no termo hebraico para contar (sapar, de onde resulta mispar, "número" e sippur, "narração"). Com a numeração oferece-se a seriação, a imagem de teor físico do tempo; com a narração define-se o seu conteúdo enquanto acontecimento.»

José Augusto Martins Ramos, O espaço do tempo segundo o judaísmo, in Cultura, Revista de História e Teoria das Ideias, vol. XXIII / 2006, IIª Série, Ideia(s) de Tempo(s), p. 233, 234, Universidade Nova de Lisboa

Ventanias

Bóreas, o Vento Norte, apaixonou-se por Orítia, princesa de Atenas. Agarrou nela e levou-a para a Trácia, tornando-a deusa dos ventos gelados das montanhas. Diz-se que tiveram duas filhas e dois filhos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

marmelada de laranja

O doce de laranja amarga tornara-se uma graça comum. No dia em que o cozinheiro inglês recebera ordens de fazer marmelada, utilizara laranjas amargas em lugar de marmelos. O resultado era uma pasta que pelo menos as papilas gustativas da rainha odiavam, mas que, estranhamente, os ingleses pareciam apreciar. Ou, pelo menos, e era essa a fonte do divertimento, não tinham coragem de cuspir, julgando tratar-se de um prato "very typical" de Portugal.

Isabel Stilwell, Catarina de Bragança, p. 439, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2008

A fotografia vem de uma receita de orange marmalade feita com clementinas.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A semente desta árvore foi à Lua

No dia 31 de Janeiro de 1971 a Apollo14 foi lançada para a Lua. O astronauta Stuart Roosa levou consigo e trouxe de volta sementes de árvores para oferecer. Depois de germinadas foram plantadas em diversos locais dos Estados Unidos e algumas no estrangeiro, incluindo o Brasil. Este plátano está no campo das escuteiras de Cannelton, no estado de Indiana, que fizeram um site só para ela.

sábado, 13 de junho de 2009

O mero acaso

Há palavras que se juntam por hábito como "mero" com "acaso". Será por mero acaso? ;)

Quando, depois de muita investigação, os cientistas chegam à conclusão que o universo e tudo o que existe surgem por mero acaso, bem podemos perguntar-nos para que se dão a tanto trabalho e o que entendem por "acaso" e por "mero".

A ilustração é de Mabel Lucie Attwell.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Santa Ana

Senhora Sant'Ana

Subiu ao monte

Onde se sentou

Nasceu uma fonte

Vieram os anjos

Beberam dela

Que água tão boa

Que senhora tão bela

terça-feira, 9 de junho de 2009

limites conceptuais

Este texto, sobre os fósseis de Burgess, foi publicado em 1989:

Hoje esta situação não causaria qualquer problema. Harry sorriria simplesmente e diria para si próprio: «Ah, mais um artrópode fora do domínio dos grupos modernos.» Mas esta interpretação não estava disponível em 1971. O quadro conceptual da época não permitia avançar com semelhante ideia.

Stephen Jay Gould, A vida é bela, p. 121, Gradiva, Lisboa, 1995

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Danças de Vénus

Quem já tenha observado Vénus ao longo de várias semanas, olhando para o planeta dia após dia ao crepúsculo, terá notado que este, por vezes, surge cada dia mais alto nos céus e que, ao mesmo tempo, parece deslocar-se lentamente para a esquerda ou para a direita. O planeta prepara-se assim para alcançar a altura máxima, começando depois uma lenta descida. A dado momento já é difícil observá-lo, pois mergulha no horizonte logo a seguir ao ocaso. Vénus descreve nos céus do crepúsculo um «V» ou «U» invertidos muito largos, figuras típicas bem conhecidas dos antigos.

Se, oito anos depois, olharmos para Vénus pela mesma altura, veremos que este se encontrará no mesmo lugar e que dançará a mesmíssima dança nos céus do crepúsculo. Vénus desenha uma das suas cinco danças características, que se repetem, invariavelmente, todos os oito anos.

Os astrónomos da civilização maia, que floresceu na América Central entre os séculos IV e X, estavam deslumbrados com as danças de Vénus. As suas observações, naturalmente acumuladas ao longo de séculos, permitiram-lhes notar esta estranha periodicidade do planeta e as figuras peculiares que este descreve nos céus. Os maias tinham um nome para cada uma dessas danças e associaram uma lenda a cada uma delas. Vénus aparecia-lhes como o deus Kukulcan, que descia a Xibalba, o mundo escuro e subterrâneo, para combater os demoníacos deuses das trevas. (...)

Os maias basearam a medida do seu tempo nesta consonância de ritmos, conseguindo uma precisão notável. O seu calendário tinha um erro inferior a um dia por cada quinhentos anos.

Nuno Crato, Carlos Pereira dos Santos, Luís Tirapicos, A Espiral Dourada, p. 59, 60 e 63, Gradiva, Lisboa, 2006

Passa-se o mesmo ao amanhecer: se puder observar o céu antes do nascer do Sol, dia após dia, poderá ver, até meados do mês de Outubro, uma das danças de Vénus ou Kukulcan que é inconfundível porque brilha muitíssimo mais que qualquer estrela.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

viver no mesmo lugar desde várias gerações

The Mill on the Floss foi publicado por George Eliot, aliás Mary Ann Evans, em 1860, em Inglaterra.

Este excerto é da edição da Portugália Editora, tradução de Cabral do Nascimento, publicada em Janeiro de 1969, com o título "O MOINHO À BEIRA DO RIO", p. 290:

Mas a mais forte de todas as razões foi o amor daquela terra, onde brincara quando era rapaz, como Tom fizera também depois. Os Tullivers tinham vivido nesse lugar desde várias gerações, e ele muitas vezes escutara, sentado num tamborete, nas longas noites de Inverno, seu pai falar do velho moinho meio construído de madeira, que existia antes das grandes cheias que o danificaram e que seu avô teve que apear para edificar outro. Quando se sentiu em estado de andar e de ir rever todas essas velhas relíquias, compreendeu a força que o ligava ao lar como parte essencial da sua vida. Não admitia sequer a ideia de viver noutra parte senão aqui, onde sabia o som de cada porta e a forma e a cor de cada telhado, as nódoas do tempo e a ondulação dos outeiros, porque os seus sentidos, desenvolvendo-se, se alimentaram de tudo isso.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Peixe-rã radioso

Macho capturado a 500 m da ilha do Pico, Açores, a 29 de Setembro de 2003. Estava a 80 m de profundidade e tinha cerca de 20 cm. Para saber e ver mais fotografias deste peixe, carregue aqui e procure a data de 3 de Outubro.

Aqui encontra fotografias deste e de outros peixes-rã radiosos, num site suíço dedicado exclusivamente aos peixes-rãs

segunda-feira, 1 de junho de 2009

o corpo da mulher

nine months ; Angola Originally uploaded by susannaskön

"Na gravidez, o corpo da mulher não é uno, ele incarna a alteridade, ele é simultaneamente mesmo e outro, experiência única, cuja simultaneidade não é tematizada no imaginário filosófico, onde há uma dissociação do mesmo e do outro."

Teresa Joaquim in: Maria Luísa Ribeiro Ferreira (Org.), Também há Mulheres Filósofas, Lisboa, Caminho, 2001, 262 pp.

Citado por Maria Teresa Santos, Faces de Eva, nº8, ano de 2002, p.246

Fotografia de susannaskön, no Flickr