Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fases de Vénus

O planeta Vénus tem estado de há uns tempos para cá bem alto no céu a seguir ao pôr do Sol. É inconfundível porque brilha muito, muito mais que qualquer estrela, e pode ver-se quando o céu ainda está claro. Observado através de um telescópio apresenta-se em diferentes fases interessantes de seguir. Dia após dia o planeta Vénus vai ficar cada vez mais próximo do Sol e, portanto, do horizonte, a seguir ao pôr do Sol. Depois há-de passar pelo Sol e tornar-se "estrela da manhã" o que significa que será visível de manhã antes do Sol nascer. Provavelmente para a maior parte das pessoas é mais fácil ver Vénus quando, como agora, é "estrela da tarde". Aproveitem, portanto...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval no Amor da Pátria

Contam-se pelos dedos de uma só mão os carnavais em que realmente me diverti. Este foi um deles. Primeiro descobri o prazer de tocar tambor em grupo e depois a Sociedade Amor da Pátria, na Horta, onde decorria o baile. Animado por um conjunto a tocar ao vivo e frequentado por pessoas de todas as idades, mascaradas e não mascaradas, neste baile dançava-se com prazer. Fui-me deitar ainda embalada por "One love! One heart! Let's get together and feel all right".

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A Natureza corrige os nossos erros

Ouvi esta frase sábia há uns anos na Antena 2, dita pelo convidado que estava a ser entrevistado. Nunca mais me esqueci dela mas, infelizmente, não fixei o nome do senhor, só me recordo que era agricultor...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu nunca digo a verdade

“-Eu nunca digo a verdade.

-Parece mentira!”

.

A lógica da linguagem faz com que a frase “Eu nunca digo a verdade” seja impossível de interpretar: não se pode acreditar nela e acreditar que a pessoa que a diz é mentirosa porque se o fosse seria uma mentira; e não se pode não acreditar nela e julgar que a pessoa que a diz é honesta porque se o fosse não a diria. Ora, uma frase que não pode ser interpretada, como esta, prova que é possível dizer coisas que não fazem sentido.

Que através da linguagem se possa demonstrar que não se deve acreditar na linguagem, reconduz-nos à frase “Eu nunca digo a verdade” supondo que é a própria linguagem que a diz. Quando se compreende isto passa-se para lá da linguagem: e é lá, onde a linguagem não faz sentido, que se compreende.

Conseguir compreender a linguagem e os seus limites abre a mente para outras possibilidades. Aquilo que não pode ser dito nem mostrado é o que nos permite compreender o que pode ser dito e mostrado. O que pode ser dito e mostrado não é tudo.

Compreender que o que pode ser dito ou mostrado não é tudo livra-nos de acreditar ou não acreditar no que pode ser dito e mostrado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chegaram as andorinhas

Vi as primeiras duas andorinhas no domingo passado e ainda não encontrei ninguém que as tivesse visto antes. Esta fotografia foi tirada na segunda-feira.

Aqui podem ouvir os cantos de muitos pássaros, incluindo as andorinhas, que podem ser procuradas por Hirundinidae.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Haiku

Que belo que é

não pensar ao ver um raio:

«A vida é fugaz»

Matsuo Bashô in Imagens Orientais, Assírio e Alvim, Lisboa, 2003

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Os Bravos

A Biblioteca da Floresta realizou uma exposição sobre os Índios isolados do Acre.

Na fotografia podem ver-se casas construídas em fila no meio das árvores.

Estes índios isolados são conhecidos entre a população brasileira de índios e não índios como "os brabos" e não se deixam ver, embora por vezes se aproximem e atirem flechas.

Algumas pessoas civilizadas estão a tentar proteger o território onde vivem para que a floresta e eles possam continuar a manter o seu estilo de vida.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Princípio

Este é o caracter chinês shǐ (shi com um acento circunflexo de cabeça para baixo em cima do i) que quer dizer "princípio", "começo".

Acreditem ou não do lado esquerdo está uma mulher e do lado direito uma boca a rir.

Uma mulher que ri, uma mulher feliz, uma mulher que cai de joelhos a soltar gargalhadas...

No princípio ela ria! :)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

São Julião Hospitaleiro

Hoje é dia de São Julião Hospitaleiro a quem se pede protecção para encontrar alojamento quando se anda em viagem.

Amadeo de Souza Cardoso fez uma série de ilustrações da lenda de São Julião Hospitaleiro, esta é uma delas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Que quer dizer Moisés?

"Considera este exemplo: quando se diz «Moisés não existiu», isto pode significar diversas coisas. Pode significar: os israelitas não tiveram um comandante quando se retiraram do Egipto - ou: o seu comandante não se chamava Moisés - ou: não existiu um homem que tivesse feito tudo o que a Bíblia atribui a Moisés - ou: etc., etc. Poder-se-ia dizer, de acordo com Russell, que o nome «Moisés» pode ser definido através de diversas descrições. Por exemplo, como «o homem que conduziu os israelitas através do deserto», o homem que viveu nessa época e nesse lugar e a quem então chamavam «Moisés», o homem que em criança foi retirado do Nilo pela filha do Faraó, etc. O sentido da proposição «Moisés existiu», e analogamente a qualquer outra proposição que trate de Moisés, depende da definição adoptada. E quando nos dizem «N não existiu», perguntamos também: O que é que queres dizer? Queres dizer que..., ou que..., etc.?"

Ludwig Wittgenstein, "Investigações Filosóficas", in Tratado Lógico-Filosófico * Investigações Filosóficas, p. 237, Fundação Calouste Gulbenkian, 1995

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Carros

"Era um carro velho, já com muito uso, de aspecto decepcionante, sem espírito nem sentido de aventura, um carro que avançava vagarosa e docilmente ao longo da estrada, obedecendo à embraiagem, travão e acelerador de uma maneira resignada, talvez até envergonhada."

"O carro que comprou era pequeno, mas tinha entusiasmo, espírito e sentido de aventura desenvolvidos ao máximo. Era um carro eminentemente arrojado e desenvolvia continuamente e de uma forma imprevisível. (...) Estava cheio de uma vívida e insaciável curiosidade, investigando constantemente o conteúdo dos fossos e pequenos lagos à beira da estrada, experimentando sempre o meio e o lado esquerdo do caminho, as bermas, e até mesmo as árvores que o ladeavam. Adquiriu um aspecto riscado e amolgado, mas o seu espírito de aventura manteve-se inalterável."

"Os carros dos seus outros amigos eram grandes e confortáveis, mas faltava-lhes imaginação, os seus horizontes limitavam-se por todos os lados pelas disposições do Código da Estrada..."

Richmal Crompton, "Guilherme segue uma pista", p. 10, 12 e 44, Estúdios Cor, Lisboa, 1966

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sobre felicidade e deveres

Consultando o oráculo:

Devo ser feliz?

Oráculo: Dúvida

Devo ser infeliz?

Oráculo: Negativo

Devo ser feliz ou infeliz?

Oráculo: Negativo

Não devo ser feliz nem infeliz?

Oráculo: Nunca

Devo ser feliz e infeliz?

Oráculo: Positivo

Devo ser o que sou?

Oráculo: Sim

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Castidade

"Dela me abstive,

ainda que a sentisse

prestes a entregar-se

e não cedi à tentação

que Satan me fazia.

.

No meio da noite,

ela surgiu desvelada

e as trevas nocturnas,

iluminadas pelo seu rosto,

também, naquela vez,

se desvelaram.

.

Não havia olhar seu

que não tivesse incentivos

a abrasar os corações.

.

Mas respeitei o preceito

que condena a luxúria

e domei as caprichosas

arrancadas do corcel

da minha paixão,

para que o meu instinto

não vencesse a castidade.

.

E assim passei a noite com ela,

como o pequeno camelo sedento

a que o néscio impede de mamar.

.

Tal como num pomar,

onde alguém como eu

apenas aproveite da visão e olfacto.

.

Que eu não sou

como os animais abandonados

que tomam os jardins como pastos."

.

Ibn Farach, in Ladrões de Prazer, poemas arábigo-andaluzes, p. 49 e 50, Editorial Estampa, Lisboa, 1991

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ide ao Sétimo Céu!

"Sétimo Céu", de Caryl Churchill, no Teatro Mirita Casimiro, com encenação de Fernanda Lapa.

Tradução de "Cloud Nine", Sétimo Céu é uma peça sobre a vontade e o ser: o que queremos e não queremos ser e o que somos, o que queremos e não queremos que os outros sejam e o que são, o que julgamos que queremos e não queremos e o que queremos, o que julgamos que somos e não somos, etc. etc. etc.: as trágicas e cómicas relações humanas de umas pessoas com as outras e consigo mesmas, quer sejam adultas quer sejam crianças, homens ou mulheres, pretas ou brancas.

Os actores e as actrizes (Amadeu Neves, Fernanda Lapa, João Grosso, Luis Gaspar, Marta Lapa, Sérgio Praia, Sofia Nicholson) não representam necessariamente os papéis do seu sexo, raça ou idade o que, ao questionar o querer e o ser, nos mostra que representar é também revelar o que não é observável.

Esta peça em dois actos está em cena até 22 de Fevereiro.

VEJAM-NA!