Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Castidade

"Dela me abstive,

ainda que a sentisse

prestes a entregar-se

e não cedi à tentação

que Satan me fazia.

.

No meio da noite,

ela surgiu desvelada

e as trevas nocturnas,

iluminadas pelo seu rosto,

também, naquela vez,

se desvelaram.

.

Não havia olhar seu

que não tivesse incentivos

a abrasar os corações.

.

Mas respeitei o preceito

que condena a luxúria

e domei as caprichosas

arrancadas do corcel

da minha paixão,

para que o meu instinto

não vencesse a castidade.

.

E assim passei a noite com ela,

como o pequeno camelo sedento

a que o néscio impede de mamar.

.

Tal como num pomar,

onde alguém como eu

apenas aproveite da visão e olfacto.

.

Que eu não sou

como os animais abandonados

que tomam os jardins como pastos."

.

Ibn Farach, in Ladrões de Prazer, poemas arábigo-andaluzes, p. 49 e 50, Editorial Estampa, Lisboa, 1991

4 comentários:

WOLKENGEDANKEN disse...

Que pena, que talvez teria sido uma noite ...... inspirada :))

ALMARIADA disse...

foi uma noite inesquecível! ;)

WOLKENGEDANKEN disse...

Inesquecivel pode ser pode ser fantastico ou horrivel :))

ALMARIADA disse...

o acto sexual também poderia ter sido fantástico ou horrível...

Ibn Farach era pelo "amor udrí" que conhecemos como "amor platónico" ou espiritual - se é que conhecemos... :)

a mim o que me tocou neste poema foi precisamente o prazer

na linguagem dos nossos dias talvez se dissesse "preliminares sem sexo"

a palavra "preliminares" pressupõe que haverá sexo a seguir: são considerados um meio para um fim e não um fim em si, como parece ser o caso neste poema