Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Prece não atendida

"-Lembras-te daquele ponto de exame que tivemos na semana passada? - perguntou a Clara. - Uma das perguntas era onde ficava o rio Amazonas e eu escrevi que era na Itália, quando afinal é numa das Américas. Por isso, pedi a Deus que transferisse o rio para a Itália porque era a única resposta que eu tinha errado.

A Margarida fitou a Clara com surpresa. - Mas Clara, um pedido desses não se faz! Pensa o que teria acontecido se a tua prece fosse atendida. Imagina o rio Amazonas a correr, inesperadamente, pela Itália. Não estás boa da cabeça!"

Enid Blyton, "Os Novos Amigos", Editora Meridiano, Lisboa, 1978, p.139

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vista da janela

É de manhã e a cor do

mundo ganha contornos

É de manhã e acordo

o mundo ganha contornos

É de tarde e estou acordada

o mundo perde contornos

Faz frio e chamo mundo ao que está para lá

desta casa aquecida

É inverno e chamo mundo ao que está

lá fora

sábado, 20 de dezembro de 2008

Os dias

Após um dia tristonho

De mágoas e agonias

Vem outro alegre e risonho

São assim todos os dias

*

Fui polícia, fui soldado,

estive fora da nação;

vendo jogo, guardo gado,

só me falta ser ladrão.

*

Os meus versos o que são?

Devem ser, se os não confundo,

pedaços do coração

que deixo cá neste mundo.

*

Para não fazeres ofensas

e teres dias felizes,

não digas tudo o que pensas,

mas pensa tudo o que dizes.

*

António Aleixo, "Este livro que vos deixo"

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"É porque eu o quis que fui feliz hoje"

"Talvez a minha alma desejasse sentir-se triste, mas eu não a autorizei. É porque eu o quis que fui feliz hoje."

Mircea Eliade, "O Romance do Adolescente Míope", p. 147, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1993

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tiblissi, capital da Geórgia, 2005

Esta fotografia, de Cyril Horiszny, fotógrafo franco-ucraniano, faz parte de um conjunto que vos convido a conhecer carregando aqui.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O primeiro segundo

Medida por relógios atómicos de alta precisão a velocidade diária de rotação da Terra, que não é uniforme, está a diminuir. Como nos regulamos por uma coordenação de duas formas de medir o tempo: atómica e astronómica – Tempo Universal Coordenado – não convém que a diferença entre ambas aumente. Para que isso não aconteça vai ser introduzido um segundo a seguir à meia-noite de 31 de Dezembro de 2008.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Constelação de Orionte

No inverno há muitas noites nubladas e chuvosas mas nas noites em que não há nuvens vale a pena vestir um casaco e ir ver o céu. De todas as constelações que no inverno (no hemisfério norte) se vêem durante toda a noite Orionte é a mais facilmente observável, mesmo em cidades com muita luz. As "três Marias" - ou o "cinturão" do gigante - são muito facilmente reconhecíveis. Deste "cinturão" pende uma "espada" na qual a mancha rosada que se vê na fotografia corresponde a uma nebulosa (M42) que se revela muito interessante quando observada com binóculos (ou telescópio). A estrela vermelha Betelgeuse, no "ombro" direito, e a estrela Rigel, azul, no "pé" esquerdo são também facilmente identificáveis. Prolongando as "três Marias" para a esquerda encontra-se a estrela Sírio, a mais brilhante de todo o céu (não aparece na fotografia nem no desenho mas é inconfundível).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O space shuttle "Endeavour"

O space shuttle "Endeavour" a ser transportado de regresso ao Centro Espacial Kennedy, na Florida, às costas de um Boeing 747 modificado para o efeito. O "Endeavour", que levou sete toneladas de equipamento e mantimentos para a Estação Espacial Internacional, iniciou o regresso a 28 de Novembro mas foi obrigado a aterrar na Califórnia devido ao mau tempo em Cape Canaveral no dia 30 de Novembro. Esteve 12 dias acoplado à Estação Espacial para que os sete astronautas que transportou acrescentassem novos equipamentos na cozinha e na sala de exercícios e fizessem reparações e melhoramentos na Estação.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ambivalências temporais

A História começa com a escrita, mas a escrita não terá sido inventada para fazer História e sim para determinar o futuro através da Lei.

Esta ambivalência entre o registo do passado e a determinação do futuro mantém-se. Marx julgava que o comunismo ia acontecer por determinismo histórico, os marxistas resolveram construir o socialismo.

Não parece bem acreditar no destino. Acredita-se na vontade de poder, que cada pessoa faz o seu futuro, que a humanidade é responsável pelos seus actos.

Prever o futuro é uma ocupação séria a que se dedicam muitos cientistas. Os jornais não trazem apenas notícias do que já aconteceu mas também previsões do que está para vir.

O boletim meteorológico e os horóscopos são muito procurados. Queremos, ao mesmo tempo, estar preparados para o inevitável e poder modificar o que há-de vir.

Talvez não haja diferença entre crer e querer.

O futuro pode não ser o previsto mas a História é a que queremos contar. E quem conta um conto acrescenta um ponto.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A mesma ideia, diferentes imagens

No "Dicionário das Ideias Feitas" à palavra Viagem segue-se: Deve ser feita rapidamente. Tendo em conta que Flaubert (1821-1880) é do tempo das carruagens puxadas por cavalos podemos imaginar que a mesma ideia feita já não evoca a mesma imagem.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O canto de vitória de Kepler

"É em 1605 que Kepler descobre que a órbita de Marte é elíptica. Ele enuncia as duas primeiras leis no Astronomia nova (publicado em 1609) e a terceira nos seus Harmonices Mundi (1618). Podemos dizer sem exagero que se tratou da maior descoberta científica de todos os tempos. Kepler oferece uma resposta completa a questões que mobilizaram durante séculos os melhores espíritos da humanidade, Eudoxo de Cnido, Aristarco de Samos, Ptolomeu, Copérnico. Escutemos o canto de vitória de Kepler (Harmonices Mundi, no prefácio):

«Nos últimos tempos fui iluminado, no seio de uma muito admirável contemplação, há dezoito meses por um primeiro luar, há três meses por uma distinta claridade e há muito poucos dias pelo próprio Sol. Nada impede de me abandonar a um transporte sagrado e afrontar os mortais, confessando ingenuamente que roubei os vasos de ouro dos Egípcios para erguer um altar ao meu Deus, tão longe das fronteiras do Egipto. Se acreditais em mim, regozijar-me-ei; se vos indignardes, tolerar-vos-ei. A sorte está lançada, escrevi o meu livro, que ele seja lido agora ou na posteridade, pouco importa: bem pode esperar cem anos pelo seu leitor, se o próprio Deus esperou seis mil anos por um contemplador da sua obra.»"

Mais adiante Ivar Ekeland volta a citar Kepler:

"Quanto ao próprio Kepler, a Astronomia nova mostra as diversas fases do seu pensamento: começa por atribuir aos planetas (diferentes da Terra) órbitas perfeitamente circulares, depois complica-as com um epiciclo antes de chegar à elipse. Damos-lhe a palavra:

«O meu primeiro erro foi ter admitido que a órbita dos planetas era uma circunferência perfeita. Este erro custou-me tanto mais tempo quanto é certo ter ele sido sustentado por todos os filósofos, sendo metafisicamente plausível de todo.»"

Ivar Ekeland, A Matemática e o Imprevisto, Gradiva, Lisboa, 1993, p. 16 e 24

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Portugal está em qualquer lado

Manoel de Oliveira, excertos da entrevista à Revista Visão, Edição de 04-Dez-2008:

"A única coisa eterna é o presente."

"Eu acho que não há país no mundo mais internacional, mais universal, do que Portugal. Portugal está aqui, mas está também em qualquer lado."

A fotografia tirei do blog de Ana Luandina a quem agradeço, antecipadamente, a permissão - se ela não autorizar retiro-a.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

expressões diferentes

"todas as coisas são como um rato e um insecto no centro de um queijo. Um rato e um insecto: não há duas coisas que pudessem ser mais diferentes. Ficam lá, estão uma semana, ou estão lá um mês; passam ambos a ser apenas transmutações do queijo. Penso que somos todos insectos e ratos, e somos apenas expressões diferentes de um queijo abrangente."

Charles Hoy Fort, O Livro dos Danados, Via Óptima, Porto, 2000, p. 4