sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Diante do mar

Perante linhas que se despenham
numa desarticulação cadenciada
um pensamento, mesmo o mais trivial
coloca-nos no centro de uma tempestade
Um reino subterrâneo
avança a intervalos pela casa fora
emerge muito lentamente
o declive
que para sempre nos separa

Imagina que tudo isto ocorre antes do próximo Inverno
E mesmo ao escurecer estás diante do mar
O mar como nunca antes o viste

José Tolentino Mendonça, O Viajante Sem Sono, Assírio & Alvim, Odivelas, 2009

Sem comentários:

Enviar um comentário