sonhei que estava numa estação do Metropolitano com uma amiga que me disse: «julgas que ela gosta de ti mas sabes o que disse?» e eu, antes que ela continuasse, caí de joelhos a chorar, pus a testa no chão, e sempre a chorar, disse: «se Deus quisesse que soubéssemos o que os outros pensam tinha feito isso (e imaginei os pensamentos a passar escritos na testa das pessoas), mas nós, como se ainda não fossemos suficientemente maus, queremos melhorar o mundo»
domingo, 29 de junho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
tentativa de ensaio
cheguei à conclusão provisória de que a História é escrita pelos escritores - os vencedores analfabetos não passam à História e os vencidos que escrevem não se dão por vencidos - se mudar de ideias digo :)
sexta-feira, 20 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Virgem do paraíso
Na Idade Média foram feitas "Virgens Abrideiras" estátuas da Virgem com o Menino ao colo que se abriam e continham no interior o Pai, o Filho e o Espírito Santo, assim como outras representações da vida de Cristo e Maria. A pesquisa mais frutuosa é por "Vierge Ouvrante" (em francês) porque a origem das esculturas é francesa. A palavra "Schreinmadonna" (em alemão) permite encontrar outras.
Esta está no Tesouro da Sé de Évora. A fotografia está no Inventário Artístico da Aquidiocese de Évora - ver aqui
Esta está no Tesouro da Sé de Évora. A fotografia está no Inventário Artístico da Aquidiocese de Évora - ver aqui
sábado, 14 de junho de 2014
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Igreja Paroquial de Válega
"Ovar - Igreja Paroquial de Válega (exterior)" por Concierge.2C - Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons.
Mais fotografias desta igreja:
R.F. Rumbao, aqui
Guizel J.c, aqui
terça-feira, 10 de junho de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
CANTATA DO MAU MARINHEIRO
Em Calicut, uma vez,
o grande Vasco da Gama
pôs-me a ferros no porão.
Não por pena de traição,
mas por eu passar na cama
trinta dias cada mês.
Se retroava a bombarda
para acossar a moirisma
— a cambulhada casmurra —,
eu dedilhava a bandurra,
recantando a minha cisma
ao anjo da minha guarda.
Quando o Santelmo chispava
nos topes de popa e proa,
agoiros de calmaria,
eu ao bailique pedia
os caminhos de Lisboa
e o corpo da minha escrava.
Quando a água escasseou,
a bolacha criou bicho
e o vinho já ia azedo,
eu nunca tremi de medo:
fiquei-me em santo de nicho
que a si mesmo se salvou.
Mas se o mar fazia espuma,
o vento cuspia pragas
e a nau parecia um trambolho,
já, do sono abria um olho,
piscava-o de manso às vagas
— que, enfim, a vida é só uma!
(Sei que a morte não me quer
enquanto andar embarcado,
só pecando em pensamento.
Porém sou primo do vento
e, no seu corpo salgado,
o mar é minha mulher...)
Não fui herói como os mais,
mas o almirante do rei
acabou por perdoar.
É que eu tinha de ficar
só nos trabalhos que sei
pra lhe dar estes sinais!
(A nau voltou a Belém,
e eu, felizmente, estou bem!).
ANTÓNIO DE SOUSA
in "Poesia Portuguesa Contemporânea"
Secretaria de Estado da Cultura, 1977 (esgotado)
74 páginas
o grande Vasco da Gama
pôs-me a ferros no porão.
Não por pena de traição,
mas por eu passar na cama
trinta dias cada mês.
Se retroava a bombarda
para acossar a moirisma
— a cambulhada casmurra —,
eu dedilhava a bandurra,
recantando a minha cisma
ao anjo da minha guarda.
Quando o Santelmo chispava
nos topes de popa e proa,
agoiros de calmaria,
eu ao bailique pedia
os caminhos de Lisboa
e o corpo da minha escrava.
Quando a água escasseou,
a bolacha criou bicho
e o vinho já ia azedo,
eu nunca tremi de medo:
fiquei-me em santo de nicho
que a si mesmo se salvou.
Mas se o mar fazia espuma,
o vento cuspia pragas
e a nau parecia um trambolho,
já, do sono abria um olho,
piscava-o de manso às vagas
— que, enfim, a vida é só uma!
(Sei que a morte não me quer
enquanto andar embarcado,
só pecando em pensamento.
Porém sou primo do vento
e, no seu corpo salgado,
o mar é minha mulher...)
Não fui herói como os mais,
mas o almirante do rei
acabou por perdoar.
É que eu tinha de ficar
só nos trabalhos que sei
pra lhe dar estes sinais!
(A nau voltou a Belém,
e eu, felizmente, estou bem!).
ANTÓNIO DE SOUSA
in "Poesia Portuguesa Contemporânea"
Secretaria de Estado da Cultura, 1977 (esgotado)
74 páginas
.jpg)



