terça-feira, 23 de março de 2010

voz que se cala

"Amo as pedras, os astros e o luar

Que beija as ervas do atalho escuro,

Amo as águas de anil e o doce olhar

Dos animais divinamente puro.

(...)

Amo todos os sonhos que se calam

De corações que sentem e não falam,

Tudo o que é Infinito e pequenino!

(...)"

Florbela Espanca

2 comentários:

  1. Sim, Nivaldete, apaziguador...
    Já agora deixo aqui o soneto todo. Obrigada pela atenção! Beijinhos! :)
    *****
    Voz que se cala

    Amo as pedras, os astros e o luar
    Que beija as ervas do atalho escuro,
    Amo as águas de anil e o doce olhar
    Dos animais, divinamente puro.

    Amo a hera que entende a voz do muro
    E dos sapos o brando tilintar
    De cristais que se afogam devagar,
    E da minha charneca o rosto duro.

    Amo todos os sonhos que se calam
    De corações que sentem e não falam,
    Tudo o que é Infinito e pequenino!

    Asa que nos protege a todos nós!
    Soluço imenso, eterno, que é a voz
    Do nosso grande e mísero Destino!...

    Florbela Espanca

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