Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

caso as mulheres dedicassem sonetos às sobrancelhas dos homens amados

(...) as sobrancelhas finamente desenhadas e excessivamente arqueadas - sobrancelhas que poderiam ter dado um soneto, caso as mulheres dedicassem sonetos às sobrancelhas dos homens amados (...)

Henry James, Os Europeus, p. 13, Contexto, Lisboa, 1990

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Soneto de Shakespeare CXXX

Os olhos como o sol o meu amor não tem
e é mais rubro o coral que a sua rubra boca,
e então se a neve é alva, seu peito é 'scuro e bem,
se os cabelos são fios, só fio negro a touca.
Vi rosas-de-damasco, brancas e encarnadas,
mas tais rosas nas faces não vejo ao contemplá-la,
e têm alguns perfumes essências delicadas
mais que as do meu amor no hálito que exala.
De ouvi-la falar gosto, contudo, bem no sei,
na música ressoa mais doce afinação:
uma deusa a passar, confesso, nunca olhei,
a minha dama, andando, põe os seus pés no chão.
     E eu penso o meu amor tão raro todavia
     como os mais que de enganos gera a falsa poesia.


Tradução de Vasco Graça Moura in "50 Sonetos de Shakespeare", p. 102, Editorial Inova, Porto, Abril, 1978
http://www.alfarrabista.eu/livros.php?artg=1043418

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Quando Maria fez uma grinalda para o Natal


Quando Maria fez uma grinalda para o Natal
O sangue correu vermelho - correu vermelho.
Outra Maria entrelaçou os Espinhos
Que coroaram a cabeça do seu Senhor
Mas o Visco estava longe
Do outro lado de um mar Ocidental,
E o Visco foi engrinaldado à volta
De uma macieira Pagã.

Em Glastonbury cresceu um Espinho,
Quando José chegou para comerciar.
E o Azevinho crescia naturalmente
Em toda a clareira arborizada.
Mas o Visco era sagrado onde
O Sol se levanta cada manhã,
E o Visco não sabia nada do
Bebé em Belém nascido.

Santo Patrício singrava os mares tormentosos
Para pregar a Cruz - e assim
Descobriu a árvore de Eva - com a serpente enroscada -
E suspensa com Visco.
«Peço-te, Serpente, abandona esta Terra
E abre, Planta, os teus ouvidos.»
Pregou a História de Cristo - e Vede!
O Visco verteu lágrimas…

O Azevinho tem bagas vermelhas,
Vermelhas cor de sangue em cada ramo.
O Espinho medra com flores douradas,
E agora à maneira de Confeitos.
O que darás tu ao Senhor Cristo?
Oh! Ramo Pagão tão verde?
«As Lágrimas que verti por Alguém
Que nunca vi…
»

Deixem o Homem então dar a sua vida pelo Homem,
Dizem as bagas vermelhas cor de sangue,
E os homens têm amor pelo próximo
Onde as flores de Urze medram tão alegres,
E as Lágrimas do Homem sejam vertidas pelo Homem
Onde o Visco fulgura branco,
Vem, piedade, amor e sacrifício…
Deus nos abençoe a todos esta noite!

Agatha Christie Mallowan (1965), A Estrela de Belém, Contos de Natal,
p. 31 a 33, Livros do Brasil, Lisboa, 1989





quarta-feira, 21 de outubro de 2015