Kakabadze, Manifestação em Imereti, 1942
depois de contar brevemente como nos países soviéticos a classificação de "formalista" podia acarretar sanções e perseguições aos artistas, o autor do blog de onde trouxe esta imagem conta a história deste quadro do pintor georgiano Davit Kakabadze:
"Para satisfazer os requisitos, Kakabadze incluiu a imagem de uma central de energia eléctrica nas paisagens "atapetadas" de Imereti. Também não gostaram delas argumentando que os construtores do Socialismo não estavam lá representados. Numa das pinturas, sob a montanha de Imereti, pintou manifestantes com cartazes. Nos cartazes havia retratos de Lenine, Estaline e Beria. É um quadro histórico. Depois da morte de Estaline quando Krushchev anunciou a luta contra o "culto da personalidade" no depósito do museu onde estava o quadro de Kakabadze os retratos de Estaline e Beria foram pintados por cima."
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
um norueguês na Nazaré
Jan Brøgger (1936-2006)
Pescadores e Pés - calçados
Livraria Susy, 1ª Edição, Nazaré, 1992
Tradutor: José Maria Trindade
Título original: Pre-bureaucratic Europeans
A Study of a Portuguese Fishing Community
As tensões e a gestão da vida comunitária
Um dos traços essenciais da vida comunitária da Nazaré é a ausência de privacidade. Isto não significa que a casa esteja aberta a todos, mas há sempre um número exagerado de visitas para poder ser considerada um lugar de retiro para os seus membros. Por outro lado, marido e mulher orientam as suas vidas mais em função dos compromissos sociais que em função um do outro.
Grande parte da vida familiar dos nazarenos decorre na rua, junto à porta ou no pátio. A família que se refugia na privacidade do lar torna-se objecto de censura e suspeita. A existência de uma vida privada, ou secreta, tal como ela é vista pelos nazarenos, é-lhes completamente estranha. A porta deve estar sempre aberta, o que não acontecendo pode dar azo a suspeitas de bruxaria.
Foi o que aconteceu a uma velha que vivia sozinha. Circulavam rumores de que ela tinha relações com o diabo. Rumores confirmados por duas vizinhas que se diz, terem-na surpreendido durante o insólito coito. Ela era ainda acusada com frequência dos infortúnios inexplicáveis ocorridos na comunidade.
Bacalhoeiros diziam tê-la visto durante uma campanha na Terra Nova. Este relato ilustra não só a atmosfera criada pela vida comunitária, mas também a sobrevivência das ideias clássicas de bruxaria e feitiçaria na Nazaré.
Dado desconhecerem o privilégio de um espaço privado de recolhimento, inacessível a outras pessoas, os nazarenos não podem ter, obviamente, consciência da sua necessidade. Apreciam porém as situações que lhes permitem fingir (sic) às pressões de uma comunidade demasiado envolvente. Um passatempo muito apreciado pelos pescadores mais ricos é a organização de excursões às aldeias rurais do interior. A partida cria neles um sentimento de liberdade inebriante e um estado de espírito dionisíaco.
Uma visita aos bares mais famosos de Amesterdão ou de Banguecoque não seria acompanhada de maior excitação e entusiasmo que a excursão à pacata aldeia da Maiorga. (...)
Aparentemente, para ser aceite pela comunidade piscatória, um homem deve embriagar-se pelo menos em algumas ocasiões, e dar mostras da sua vulnerabilidade por palavras e por actos. Felizmente ao fazer uma demonstração um tanto dionisíaca de uma dança norueguesa, tive a sorte de quebrar uma lâmpada de néon na cave de uma taberna. O bacanal dessa noite serviu como ritual de iniciação eficaz.
(p. 97-100)
Pescadores e Pés - calçados
Livraria Susy, 1ª Edição, Nazaré, 1992
Tradutor: José Maria Trindade
Título original: Pre-bureaucratic Europeans
A Study of a Portuguese Fishing Community
As tensões e a gestão da vida comunitária
Um dos traços essenciais da vida comunitária da Nazaré é a ausência de privacidade. Isto não significa que a casa esteja aberta a todos, mas há sempre um número exagerado de visitas para poder ser considerada um lugar de retiro para os seus membros. Por outro lado, marido e mulher orientam as suas vidas mais em função dos compromissos sociais que em função um do outro.
Grande parte da vida familiar dos nazarenos decorre na rua, junto à porta ou no pátio. A família que se refugia na privacidade do lar torna-se objecto de censura e suspeita. A existência de uma vida privada, ou secreta, tal como ela é vista pelos nazarenos, é-lhes completamente estranha. A porta deve estar sempre aberta, o que não acontecendo pode dar azo a suspeitas de bruxaria.
Foi o que aconteceu a uma velha que vivia sozinha. Circulavam rumores de que ela tinha relações com o diabo. Rumores confirmados por duas vizinhas que se diz, terem-na surpreendido durante o insólito coito. Ela era ainda acusada com frequência dos infortúnios inexplicáveis ocorridos na comunidade.
Bacalhoeiros diziam tê-la visto durante uma campanha na Terra Nova. Este relato ilustra não só a atmosfera criada pela vida comunitária, mas também a sobrevivência das ideias clássicas de bruxaria e feitiçaria na Nazaré.
Dado desconhecerem o privilégio de um espaço privado de recolhimento, inacessível a outras pessoas, os nazarenos não podem ter, obviamente, consciência da sua necessidade. Apreciam porém as situações que lhes permitem fingir (sic) às pressões de uma comunidade demasiado envolvente. Um passatempo muito apreciado pelos pescadores mais ricos é a organização de excursões às aldeias rurais do interior. A partida cria neles um sentimento de liberdade inebriante e um estado de espírito dionisíaco.
Uma visita aos bares mais famosos de Amesterdão ou de Banguecoque não seria acompanhada de maior excitação e entusiasmo que a excursão à pacata aldeia da Maiorga. (...)
Aparentemente, para ser aceite pela comunidade piscatória, um homem deve embriagar-se pelo menos em algumas ocasiões, e dar mostras da sua vulnerabilidade por palavras e por actos. Felizmente ao fazer uma demonstração um tanto dionisíaca de uma dança norueguesa, tive a sorte de quebrar uma lâmpada de néon na cave de uma taberna. O bacanal dessa noite serviu como ritual de iniciação eficaz.
(p. 97-100)
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Nivkh
Nivkh, povo da Sibéria e da ilha de Sacalina cujo nome antigo era Guiliaks
"Ivanov, um negociante de Nikolaievsk, já falecido, ia todos os verões a Sacalina para cobrar uma dízima, que impusera aos guiliaks, sob pena de sujeitar os maus pagadores à tortura e à forca." (escrito em 1890 por Tchekov)
Tchékhov, A Ilha de Sacalina, p. 18, Relógio d'Água, Abril, 2011
"Ivanov, um negociante de Nikolaievsk, já falecido, ia todos os verões a Sacalina para cobrar uma dízima, que impusera aos guiliaks, sob pena de sujeitar os maus pagadores à tortura e à forca." (escrito em 1890 por Tchekov)
Tchékhov, A Ilha de Sacalina, p. 18, Relógio d'Água, Abril, 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
um litro de luz
Ideia luminosa nas Filipinas. O video é falado em filipino e tem legendas em inglês, mas as imagens bastam para compreender tudo: Isang Litrong Liwanag
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Triste Viuvinha
Olha a triste viuvinha
Qu'anda na roda a chorar
Anda a ver se encontra noivo
Para com ela casar
Casadinha há três dias
Ela ali vai a chorar
Pela vida de solteira
Não a torna a encontrar
***
Estes são os versos que cantávamos quando eu andava na escola primária e fazíamos rodas, na imagem a letra é outra e não tenho conhecimentos musicais para saber se a música é ou não a mesma...
Qu'anda na roda a chorar
Anda a ver se encontra noivo
Para com ela casar
Casadinha há três dias
Ela ali vai a chorar
Pela vida de solteira
Não a torna a encontrar
***
Estes são os versos que cantávamos quando eu andava na escola primária e fazíamos rodas, na imagem a letra é outra e não tenho conhecimentos musicais para saber se a música é ou não a mesma...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Nossa Senhora da Boa Morte
Escultura em madeira de proveniência desconhecida, datada do séc. XVII e actualmente no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
pintor no telhado
Anton PIECK (1895-1987)
pintor holandês
no blog Crianças na História de Arte (Children in Art History)
pintor holandês
no blog Crianças na História de Arte (Children in Art History)
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