"O artista não tem o direito de assentar os dois pés em terreno sólido - é uma pose inconveniente para voar. Uma posição muito melhor é estar no canto contra o mundo inteiro." Ruslan Vashkevich
esta pintura chama-se Anjo
quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
uma corda de Inconsciente
Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
Fernando Pessoa (1917), Obra Poética, in Eduardo Lourenço, Pessoa Revisitado, p. 15, Editorial Inova, Porto, 1973
Na imagem: maternidade em Bali; placenta pronta para levar para casa para ser lavada e enterrada.
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.
E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia.Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
Fernando Pessoa (1917), Obra Poética, in Eduardo Lourenço, Pessoa Revisitado, p. 15, Editorial Inova, Porto, 1973
Na imagem: maternidade em Bali; placenta pronta para levar para casa para ser lavada e enterrada.
terça-feira, 28 de junho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
não é necessário louvá-lo
O esquecimento realmente não tem necessidade de ser pregado aos homens, é inútil recomendá-lo; haverá sempre muitos banhistas nas águas do Létes; os homens têm já demasiada tendência a esquecer, de facto não pedem senão isso. Para quê exortá-los a seguir o caminho que eles já têm tanta vontade de seguir e que seguirão de qualquer modo?
Vladimir Jankélévitch, Le pardon, Paris, Aubier, 1967, p. 74 in Revue PHARES
Vladimir Jankélévitch, Le pardon, Paris, Aubier, 1967, p. 74 in Revue PHARES
sábado, 25 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Narzan
A uma hora em que parecia que já não chegavam as forças nem para respirar, quando o Sol, depois de ter abrasado Moscovo, se escondera no nevoeiro seco algures para lá da Sadovaia, não havia ninguém debaixo das tílias, ninguém sentado nos bancos. A alameda estava deserta.
-Dê-me uma água Narzan - pediu Berlioz.
-Não há Narzan - respondeu a mulher do quiosque parecendo ofendida.
-Tem cerveja? - perguntou «Bezdomni» com voz rouca.
-Cerveja só trazem à noite - respondeu a mulher.
-Que tem então? - quis saber Berlioz.
-Sumo de alperce mas está quente - disse a mulher.
Mikhail Bulgakov, Margarita e o Mestre, tradução do russo de António Pescada, p. 12, Contexto, Lisboa, 1991
-Dê-me uma água Narzan - pediu Berlioz.
-Não há Narzan - respondeu a mulher do quiosque parecendo ofendida.
-Tem cerveja? - perguntou «Bezdomni» com voz rouca.
-Cerveja só trazem à noite - respondeu a mulher.
-Que tem então? - quis saber Berlioz.
-Sumo de alperce mas está quente - disse a mulher.
Mikhail Bulgakov, Margarita e o Mestre, tradução do russo de António Pescada, p. 12, Contexto, Lisboa, 1991
terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
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