Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quarta-feira, 30 de junho de 2010

desamparo

a história balança entre a idolatria e a iconoclastia, as paixões extremas do amor e do ódio ao divino - ou deus e o diabo, paz e guerra, dualidades que se amparam

dá-se um passo atrás... e o mundo muda para se manter e mantém-se porque muda...

mas a linguagem resume o mais vasto, o ser que se revela na linguagem não é o ser mas uma representação, à qual se pode prestar culto, que se pode ignorar, que se pode destruir

o marketing anda a explorar esse ser da linguagem, que se pode vender porque as necessidades materiais são cada vez menos

o excesso dá fastio, dizem os que nunca passaram fome...

passar é o lema da vida

passar do desconhecido ao desconhecido por um conhecimento profundo

sem esquecer a ignorância fundamental de onde surgem os sonhos e as ideias...

vamos a velocidades vertiginosas com os astros e meditamos silenciosamente sobre tudo e sobre nada, passamos de casa em casa

e quando nos distraímos nesses grupos de mais ou menos desconhecidos é muito melhor ter amparo... porque a fala que passa pela nossa voz precisa de amor para se tornar audível

terça-feira, 29 de junho de 2010

voar para um céu secreto


"Isto é o amor: voar para um céu secreto, fazer cair cem véus a cada momento. Primeiro deixar ir a vida. Finalmente dar um passo sem pés." RUMI
Cartões Postais

domingo, 27 de junho de 2010

os templos dos prazeres

a protecção divina

que de súbito te rouba quem mais te ama

e reclama para si de novo

o que te tinha dado

ama-te agora melhor

porque te ama com o seu amor

.

mas compreender o que é realmente o amor

demora toda a vida

.

quando realmente sabes

morres

ou quando morres sabes

.

por isso se fala de morrer antes de morrer

.

quer dizer regressar à ignorância original

que sustenta, é chão, é terra

age discretamente

embora possa rebentar de repente

.

que é esperar?

é ter um desejo por cumprir?

uma força que te atrai?

.

fora de si

vivem os materialistas

dentro de si

os idealistas

definições

isto é:

aproximações de conceitos numa estrutura inteligível "fora de si"

.

ser inteligível "fora de si" é o espantoso do mistério

.

o próprio espanto é original

não é espanto disto ou daquilo

mas de tudo em geral

.

e é tranquilo

ou desesperado, satisfeito e desgraçado,

tudo ao mesmo tempo

e algo de cada vez

como ondas

nuvens

bandos migrantes de aves selvagens

que gritam de entusiasmo e expectativa

na grande aventura sem rede que é a vida

se pudermos

nunca pensar em comida senão quando queremos comer, porque há sempre

.

e se houver tempos de fome e miséria

aos quais se sobreviva

aprende-se como é grande a protecção divina

ainda quando

mal te sustentando

apesar de tudo te sustenta

enquanto te não reclama como sua para sempre

.

quem vive neste amor

pode amar todos os homens da sua vida

.

por isso é que as sacerdotisas amavam os peregrinos que as visitavam

e por isso é que os peregrinos acorriam aos templos com ofertas

.

e todas as mulheres eram sagradas nos templos dos prazeres

.

pois que é a vida sem raros e deliciosos prazeres?

.

no outono acasalavam para o inverno

.

todos os dias acolhem totalmente a protecção divina

.

não lhes importa enriquecer os que amam a pobreza

não lhes importa empobrecer os que amam a riqueza

a protecção é a mesma

só o cenário é que muda

imperador e escravo são papéis para actores

ah, como é bom enaltecer a divina percepção da protecção!

Fotografia de Leonor Rocha

sábado, 26 de junho de 2010

almariada mesmo :)

raramente tenho certezas e quase sempre me engano :)

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depois de ter escrito isto e antes de publicar lembrei-me de ir ver se já alguém tinha escrito o mesmo na net... e encontrei estas palavras: "raramente tenho certezas, frequentemente tenho dúvidas e engano-me mais vezes do que desejo" num comentário publicado por Lyoncorner em 09 Fev 10, 21:16, aqui. ;)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

a forma da protecção

a protecção do que é pequeno e fraco permite-lhe tornar-se grande e forte e acreditar no seu próprio poder

a imagem representa a forma da runa a que é atribuída a função de protecção; não se sabe se o símbolo da paz e do amor, do desarmamento, da não-violência, foi ou não inspirado nela...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

a verdade é discreta

"Discretamente, à margem de toda esta agitação, cumpriam-se as leis da Natureza e os decretos de Deus."

João Aguiar, O Trono do Altíssimo, p. 31, Edições Asa, Porto, 1988

quarta-feira, 23 de junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

escuta

fotografia do projecto de Gregory Colbert "cinzas e neve" onde os seres humanos são vistos como membros da família dos animais

segunda-feira, 21 de junho de 2010

banhos medievais

Porque aprendi que na Idade Média os cristãos não tomavam banho fiquei surpreendida quando, a ler o Cavaleiro de Lagardére (Le Bossu, publicado em 1857) de Paul Féval, me deparei com isto:

"Era uma janela baixa, situada justamente por baixo da ponte fixa, que substituíra desde há muito tempo, a ponte levadiça. Esta janela estava fortemente gradeada de ferro e dava claridade para as casas de banho de Caylus, enorme sala subterrânea que conservava os restos da sua antiga magnificência, pois sabe-se que na Idade Média - e principalmente nas regiões do Midi - era grande o luxo dos banhos."

Paul Féval, Lagardère, 1 - O Juramento, Edições Romano Torres, Lisboa, 1982

Pesquisando na net encontrei as imagens e ainda esta magnifíca citação de S. Tomás de Aquino:

"Depois de indicar a tristeza como o estado da alma mais prejudicial à saúde, Tomás de Aquino enumera os remédios: o prazer, o sono, as lágrimas, os banhos (Suma Teológica, I-II, q. 38)"

Martin Blais, Sacré Moyen Âge, Les Éditions Fides, (1997), Capítulo 11, p. 89

Parece que, afinal, na Idade Média toda a gente tomava banhos públicos, inclusivé mistos, e foi o Renascimento que "moralizou" os costumes e acabou com o divertimento dos banhos, públicos e até privados...