Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




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domingo, 22 de junho de 2014

tentativa de ensaio

cheguei à conclusão provisória de que a História é escrita pelos escritores - os vencedores analfabetos não passam à História e os vencidos que escrevem não se dão por vencidos - se mudar de ideias digo :)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

escadas Rossio

estas escadas são muito antigas na minha memória - vêm da infância: muito altas, muito íngremes, extraordinárias

desenho de Tiago Leal aqui
fotografia Paul Barker Hemings aqui

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Espera o inesperado...

A biblioteca do mosteiro Beneditino de Admont, na Áustria, é notável pelo número e antiguidade dos seus livros e também pelas obras de arte e pela arquitectura. "Espera o inesperado..." é o seu lema.

A iluminura é do final do séc. XI, ver aqui

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Alt-Breisach

"Antigamente, o Alt Breisach, uma fortaleza rochosa por onde corre o rio, ora de um lado, ora do outro - pois, na sua juventude inexperiente, parece que o Reno não estava ainda bem seguro do seu caminho -, devia ser, como local de residência, do agrado exclusivo de quem gostasse de mudança e agitação. Entre quem quer que fosse a guerra, e qualquer que fosse a razão dela, o Alt Breisach estava condenado a participar. Toda a gente o cercou, a maior parte capturou-o; a maior parte voltou a perdê-lo, e ninguém era capaz de o manter. O habitante do Alt Breisach nunca tinha bem a certeza a quem pertencia e o que era. Um dia era francês e, antes de conseguir aprender o francês suficiente para pagar os impostos, passava a ser austríaco. Enquanto tentava perceber o que era preciso para se ser bom austríaco, descobria que já não era austríaco mas alemão, embora fosse sempre duvidoso que espécie de alemão seria, entre as doze espécies que havia. Um dia descobria que era católico, no dia seguinte protestante fervoroso. A única coisa que lhe pode ter dado alguma estabilidade à existência deve ter sido a monótona necessidade de pagar alto o privilégio de ser o que quer que fosse no momento. Mas quando se começa a pensar nestas coisas, perguntamo-nos como é que alguém, na Idade Média, fora os reis e os cobradores de impostos, se dava sequer ao trabalho de viver."

Jerome K. Jerome, "Três Homens de Bicicleta" (publicado em 1900), p. 170, Edições Cotovia, Lda., Lisboa, 1992

A imagem é de um cartão postal escrito e enviado em 1914 - aqui

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Lisboa Velha

Princípio das Escadinhas de S. Miguel

Alfredo Roque Gameiro (Minde, 1864 - Lisboa, 1935)

Lisboa Velha, 1925

"Não esquecerei jamais a impressão de sumptuosidade e de admiração que senti quando, ahí por Fevereiro de 1874, vindo da minha humilde aldeia, entrei em Lisboa.

Não tinha visto até então mais do que os casebres dos modestíssimos lavradores a cuja família me honro de pertencer.

A Lisboa do fim do século xix, e especialmente a cidade baixa, caracterisadamente pombalina, apesar do seu fraco movimento e da monótona harmonia das suas construções, impressionaram o meu espírito de provinciano ingénuo, moço e ignorante, como a ultima palavra do urbanismo estonteante das capitaes."

quarta-feira, 27 de março de 2013

A menina do pincel

Outras fotografias aqui.

Sobre ela escreveu Túlio Espanca em 1978:

"A fonte do Largo do Município foi, no lugar, reconstituída no estio de 1972, altura da inauguração do Palácio da Justiça, simultaneamente com o arranjo geral pavimentar, de pedrinhas calcáreas, geometrizantes, ao gosto tradicional alentejano, e substituiu a fonte, também de mármore, que se havia feito nos alvores do século actual e é constituída por taça redonda, moldurada, donde rompe, sobre pedestal de ornatos estriados compostos por quatro golfinhos colocados em pequenas peanhas, uma coluna estrípite engalanada pela deusa Minerva, com o facho da Liberdade e escudo grego onde se escreveu:

PRO PATRIA 1902.

Esta peça armou-se no Parque Maria Helena, situado ao norte da vila."

Inventário Artístico de Portugal, vol. IX
Distrito de Évora (Zona Sul), por Túlio Espanca
I Volume, pág. 293
Academia de Belas-Artes, Lisboa, 1978

Localmente é conhecida por "menina do pincel".








quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

graças à gruta Chauvet


«Graças à gruta Chauvet, os historiadores e os cientistas admitem a partir de agora (2006) que a arte já não deve ser lida como um movimento histórico linear durante o qual os homens teriam adquirido  conhecimentos e técnicas de representação parietais cada vez mais complexos que lhes permitiram desenhar objectos cada vez mais complexos. A arte pode ser vista como uma sequência de apogeus e declínios na qual a gruta Chauvet é já um ponto alto de sucesso estético e técnico.

A presença de numerosos desenhos de animais predadores, sem interesse para a caça, pôs também em questão a teoria, até agora muito popular, de que as representações estariam sistematicamente ligadas a ritos mágicos de caçadores.»

Rémy Wenger, Denis Blant, Michel Blant et Pierre-Yves Jeannin, "Cavernes : Face cachée de la Terre", Nathan, colecção « Les rendez-vous de la nature », 12 de Outubro de 2006, p. 239

traduzido de francês, ver aqui

sábado, 8 de setembro de 2012

sem dar por isso

«Dinis - Era uma vez um homem chamado Papin. Era francês e médico. Mas não tinha jeito nem gosto para tratar os doentes. Estava sempre a cismar noutras coisas muito diferentes. E tanto tempo cismou cismou que acabou por inventar um aparelho de que ninguém ainda se tinha lembrado até então.

João - Aposto que era uma máquina para fazer andar os navios.

O Sr. Novais, rindo - O tal Papin era muito esperto. Mas olha que era preciso uma esperteza muito grande para ele inventar assim, sem mais nem menos, uma coisa tão complicada.

Dinis - O que ele inventou foi uma panela de cozer carne.

Os pequenos olharam uns para os outros e desataram a rir.

João, rindo - Olha que grande habilidade! Então ninguém sabia cozer carne ainda naquele tempo?

Dinis - Mas era uma panela especial. Imagina tu duas panelas, uma dentro da outra; na de fora deitava-se água, na de dentro punha-se a carne; depois atarraxava-se uma tampa por cima e punha-se ao lume. A água fervia, fervia. E a carne na panela de dentro ia-se cozendo... tanto e tanto até se derreter; e até os ossos se derretiam, o que nunca podia suceder se a carne estivesse dentro de água...

Rodrigo - Há uma coisa que eu não percebo. O pai diz que o tal Sr. Papin atarraxava uma tampa muito bem atarraxada na panela e que a água lá dentro fervia, fervia... Então como é que não ia tudo pelo ar?

João - Porque é que havia de ir pelo ar se não havia pólvora nem dinamite?

Rodrigo - Então eu não tenho visto lá na cozinha! Quando as panelas estão ao lume a ferver e começam a deitar fumo, principia logo a tampa aos saltinhos empurrada pela força do vapor de água e, se a cozinheira não deixa uma gretinha para o vapor se escapar, a tampa salta por aí fora.

João - Eu nunca vi nada disso. É uma invenção tua.

Rodrigo, muito corado - Não é, não, senhor. Eu vou contar uma coisa que nunca disse, mas que vou dizer agora, já que não me acreditas. Uma vez estava uma chaleira ao lume com água a ferver, a ferver. Estava muito bem tapada, mas o fumo da água saía com muita força pelo bico da chaleira. Eu fiz uma rolhinha com miolo de pão e meti-a pelo bico da chaleira e fui metendo, metendo, apertando quanto pude... por sinal que me escaldei. De repente... zás! quando eu menos esperava, saltou por aí fora a tampa da chaleira com um grande estrondo e caiu por cima do fogão, tudo isto no meio de uma fumaceira!... Larguei a fugir e nunca mais disse nada. Apanhei um susto!

Maria, rindo - Eu bem me lembro agora de a cozinheira me vir contar que tinha encontrado o bico da chaleira atafulhado de miolo de pão... Nunca soubemos quem tinha sido.

Rodrigo, corando - Se me tivessem perguntado, eu tinha dito. Ninguém me perguntou nada!

Dinis - O Rodrigo tem razão, mas o que eu não disse é que na tampa da tal panela havia uma válvula... Sabem o que é uma válvula?

Rita - É uma tampinha que entra e sai com muita facilidade, sem se fazer força nem ser preciso dar-se jeito nenhum, não é?

Dinis, rindo - Pouco mais ou menos, é. Quando o vapor de água ganhava muita força, empurrava a válvula e escapava-se. E então o Papin prendeu a essa válvula um braço de ferro com um certo peso na ponta calculado para que o vapor só pudesse empurrar a válvula quando tivesse muita força e que portanto a carne já estivesse bem cozida.

O Sr. Novais - Com a história da carne ninguém se importou muito mas aquele negócio do vapor da água e da válvula é que foi o primeiro passo para se chegar à máquina a vapor.

Rodrigo, triunfante - Então eu não disse que a máquina que vimos lá em baixo havia de ser uma coisa de lume e de água a ferver?

João - Essa é a primeira história. Agora a segunda.

Dinis - Passaram-se muitos anos. O Papin morreu e foram aparecendo vários homens curiosos e muito inteligentes, que desenvolveram a ideia do Papin e a aplicaram para usos de verdadeira utilidade. Eram já máquinas a vapor; bombas para tirar água mas muito imperfeitas. Era preciso estar ali sempre uma pessoa a abrir ora uma torneira ora outra para a máquina funcionar regularmente. Ora um dia, há dezenas de anos, estava um rapazito lá em Inglaterra chamado Potter encarregado de abrir as tais torneiras. O garoto estava maçadíssimo; ouvia lá na rua os seus companheiros a rir e a brincar, fazendo brincadeiras e jogos, e ele sem se poder tirar dali! Que havia de imaginar? Arranjou uma corda e lá atou conforme pôde uma ponta numa torneira, outra ponta na outra e prendeu a corda lá em cima numa outra peça da máquina que pelo seu próprio movimento, puxando ora um lado da corda, ora o outro ia abrindo e fechando só por si as duas torneiras. O rapaz ficou contentíssimo. Atirou com o boné ao ar em sinal de alegria deu quatro pinotes e foi ter com os seus companheiros, divertindo-se com eles todo o dia sem se lembrar mais da máquina.

O Sr. Novais - Este Potter, este garoto, sem dar por isso fez mais pela máquina a vapor do que muitos homens que se tinham morto de trabalho.

Rodrigo - Sim, eu faço ideia que depois os sábios haviam de aproveitar a descoberta da corda para evitar a maçada do empregado ali a abrir e fechar torneiras.»

Virgínia de Castro e Almeida, Céu Aberto, p. 102 a 105, Clássica Editora, Lisboa, 1988, 12ª Edição

a primeira edição foi publicada em 1907

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

nem pobre nem rico

há coisas que nos ficam na memória; há muito tempo, talvez há mais de trinta anos, li algures a história de um homem (tenho uma vaga ideia de que ele era da América Latina, mas talvez não do Brasil) que dizia que quando era criança não era tão pobre que pudesse ir para uma colónia de férias com os outros, nem tão rico que a família pudesse ir de férias, de modo que nunca foi de férias

porque é que nunca me esqueci disto e volta e meia me lembro é um mistério...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

a festa do caminho de ferro

Em 1906, em Tiflis (Tbilisi), começou a ser publicada uma revista chamada "Molla Nasreddin", esta é a capa do número 12.

(tradução da tradução para inglês:)
O Otomano dá uma "festa de caminho de ferro" à Alemanha e Áustria. A legenda na panela diz: "Império Otomano". O Otomano diz: "Sede pacientes por enquanto: também vos darei um pouco" à Itália, Bulgária e Sérvia que esperam ao fundo.

sábado, 11 de agosto de 2012

Passamaquoddy



Passamaquoddy, 1920

O Rio Santa Cruz (antes conhecido  como rio Passamaquoddy) serve de fronteira internacional entre os EUA e o Canadá. A fronteira corta ao meio a terra nativa das tribos Passamaquoddy. Os Passamaquoddy têm ocupado os vales húmidos desta região no mínimo desde há + de 600 gerações  (+ de 12.000 anos). Esta nova linha de fronteira EUA / Canadá foi criada há cerca de 200 anos e imposta aos Passamaquoddy pelo tratado de Jay de 1794.

Tribo Passamaquoddy