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quinta-feira, 5 de abril de 2018
quarta-feira, 21 de março de 2018
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Vespa colorida
Hedychrum niemelai
Só vi uma, uma vez em Évora. Estava no chão e em risco de ser pisada. Consegui que subisse para a contracapa de um livro que levava comigo e levei-a para um canteiro onde achei que estaria mais segura.
Nessa altura andava a estudar filosofia e a ler Descartes e as suas ideias sobre os animais máquinas que me irritavam. Este bichinho tão lindo pareceu-me ter vindo sossegar-me sobre a vida. Que a contracapa do livro tivesse servido para o levar também me pareceu uma linda ironia do destino.
Até hoje ignorava que bichinho era. Hoje encontrei-o no Twitter na conta do Museu de História Natural de Oxford, no Reino Unido:
(MuseumNaturalHistory
@morethanadodo
(Despite its exotic appearance, this Ruby-tailed Wasp (Hedychrum niemelai) was collected locally at Shotover Park, Oxfordshire. You might see one scurrying over walls or tree trunks, April to September. Its concave abdomen allows it to curl into a protective ball if threatened.)
A fotografia está em http://www.naturephoto-cz.com/hedychrum-niemelai-photo_lat-17326.html.
(MuseumNaturalHistory
@morethanadodo
(Despite its exotic appearance, this Ruby-tailed Wasp (Hedychrum niemelai) was collected locally at Shotover Park, Oxfordshire. You might see one scurrying over walls or tree trunks, April to September. Its concave abdomen allows it to curl into a protective ball if threatened.)
A fotografia está em http://www.naturephoto-cz.com/hedychrum-niemelai-photo_lat-17326.html.
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
mundo flutuante
Estampa de Hokusai no site da Biblioteca Nacional de França. Link: aqui.
Mundo flutuante (Ukiyo) foi o nome que os japoneses deram à cultura urbana que se desenvolveu no Japão entre os séc. XVII e XIX. O nome é uma alusão irónica ao triste mundo budista. As estampas japonesas são retratos do mundo flutuante.
Mundo flutuante (Ukiyo) foi o nome que os japoneses deram à cultura urbana que se desenvolveu no Japão entre os séc. XVII e XIX. O nome é uma alusão irónica ao triste mundo budista. As estampas japonesas são retratos do mundo flutuante.
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
António Ferreira na Enciclopédia Católica
Há um artigo sobre António Ferreira (Lisboa, 1528 - Lisboa, 29 de Novembro de 1569) na Catholic Encyclopedia (1913) Volume 6, escrito por Jeremiah Denis Mathias Ford (1873 - 1958) que também escreveu sobre Camões, Francisco Gomes de Amorim, Alexandre Herculano e Gil Vicente.
O primeiro volume desta Enciclopédia foi publicado em Março de 1907 e o último em Abril de 1914.
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
sexta-feira, 7 de julho de 2017
adorar um tracinho
"THE temporary decline of theology had involved the neglect of philosophy and all fine thinking, and Bernard Shaw had to find shaky justifications in Schopenhauer for the sons of God shouting for joy. He called it the Will to Live -- a phrase invented by Prussian professors who would like to exist but can't. Afterwards he asked people to worship the Life-Force; as if one could worship a hyphen."
G.K. Chesterton: "George Bernard Shaw."
G.K. Chesterton: "George Bernard Shaw."
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Pestana do Mundo
Fernão Mendes Pinto, Peregrinação.
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quarta-feira, 5 de abril de 2017
Quem sabe por onde vai
leva sua conta feita,
nunca do caminho sai,
nunca olha a quem diz: «tomai
à esquerda ou à direita.»
Francisco Sá de Miranda (1481?-1558)
in «Sá de Miranda, poesia e teatro», p. 101, Biblioteca Ulisseia de autores portugueses.
nunca do caminho sai,
nunca olha a quem diz: «tomai
à esquerda ou à direita.»
Francisco Sá de Miranda (1481?-1558)
in «Sá de Miranda, poesia e teatro», p. 101, Biblioteca Ulisseia de autores portugueses.
segunda-feira, 6 de março de 2017
hum homem que bebia vinho mais do necessário
Do que el-Rey disse a hum homem que bebia vinho mais do necessário
Capitolo CLIII
Hum homem honrado que se nam nomea, folgava de beber vinho, e porque o el-rey nam bebia, avia-se por tacha e todos em geral trabalhavam por seguir as obras e condiçam d'el-rey. E este homem aas vezes lhe fazia o vinho dano de que el-rey tinha desprazer. E hum dia o mandou chamar e elle por nam cheirar a vinho comeo folhas de loureyro a que muito cheirava; e el-rey lhe disse: "Foam, debaixo desse louro a como vale a canada?"; de que o homem ficou envergonhado e trabalhou de se emendar.
Vida e feitos d'el Rey Dom João Segundo, Livro das Obras de Garcia de Resende (1545), Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p.381
Capitolo CLIII
Hum homem honrado que se nam nomea, folgava de beber vinho, e porque o el-rey nam bebia, avia-se por tacha e todos em geral trabalhavam por seguir as obras e condiçam d'el-rey. E este homem aas vezes lhe fazia o vinho dano de que el-rey tinha desprazer. E hum dia o mandou chamar e elle por nam cheirar a vinho comeo folhas de loureyro a que muito cheirava; e el-rey lhe disse: "Foam, debaixo desse louro a como vale a canada?"; de que o homem ficou envergonhado e trabalhou de se emendar.
Vida e feitos d'el Rey Dom João Segundo, Livro das Obras de Garcia de Resende (1545), Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p.381
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Herder
Da praia longínqua, na areia doirada,
O Cisne pensava, fitando a Alvorada:
– «Que imensa ventura, na minha mudez,
Se dado me fosse cantar uma vez!
Meu canto seria, na luz do arrebol,
Dos hinos mais altos à glória do Sol...
Não é das gaivotas e gansos do lago
O canto que em sonhos ardentes afago;
É quando nos bosques as aves escuto
Que a inveja confrange minha alma de luto.
Se a Aurora se lança do cume dos montes,
Até de alegria murmuram as fontes;
Só eu, passeando o meu tédio supremo,
Nem rio, nem choro, nem canto, nem gemo.
O Sol, que já vejo surgindo do Mar,
Tem dó de quem, mudo, não pode cantar!» –
E o Cisne, em silêncio, chorava, escutando
A orquestra das aves que passam em bando.
Das águas rompia a quadriga de Apolo,
E o pobre a cabeça escondia no colo...
Mas Febo detém-se nas nuvens ao vê-lo,
Com feixes de raios no fulvo cabelo,
E diz-lhe, sorrindo, num halo de fogo:
– «No Olimpo sagrado ouviu-se o teu rogo...» –
E nesse momento a Lira Sem Par
Da mão luminosa deixou resvalar...
O Cisne, orgulhoso da graça divina,
Da Lira de Apolo as cordas afina,
E rompe cantando... Calaram-se as fontes,
Calaram-se as aves... As urzes dos montes
Tremiam de gozo a ouvi-lo cantar...
E o vento sonhava na espuma do Mar.
O Cisne cantava, tirando da Lira
Um hino que nunca na terra se ouvira;
Não pára, nem sente, na sua emoção,
Que a vida lhe foge naquela canção.
Mas quando, entre nuvens, a tarde caía
no enlevo do canto que a essa hora gemia,
E Apolo no seio de Tétis desceu,
O pobre do Cisne, cantando, morreu...
Gemeram as aves; choraram as fontes;
Torceu-se nas hastes a giesta dos montes,
E o mar soluçava na tarde sombria,
Que o manto de luto com astros tecia.
Solícita espera-o, das águas à beira,
Do Cisne, já morto, fiel companheira;
Espera que o Esposo de pronto regresse,
Mas treme e suspira, que a Noite já desce...
As águas luzentes parecem-lhe, ao vê-las,
Um pano de enterro picado de estrelas.
Então, no seu luto, sentindo que morre,
Oceanos e praias distantes percorre;
Mergulha nas águas, coleia nas ondas,
Espreita as galeras de velas redondas,
Que ao longe parece que vão a voar...
E o Cisne não volta, não pode voltar!
Chorosa viúva, nas águas desliza,
Levada na fresca salsugem da brisa...
No seu abandono nem sente canseira;
Caminha, caminha, fiel companheira,
Chorando o perdido, desfeito casal...
Tão funda era a mágoa, tão grande o seu mal,
Que o peito sentindo de dor estalar,
– De dor e de angústia começa a cantar!
E canta com tanta ternura e paixão,
Que a Vida lhe foge naquela canção.
As aves despertam; calaram-se as fontes
Nas hastes tremiam as urzes dos montes;
A Lua escutava; detinha-se a Aurora,
E as vagas gemiam no vento que chora...
Na terra, no espaço, nos astros, no céu,
Mais alta harmonia ninguém concebeu;
E os Deuses recebem, ouvindo-a, a chorar,
A alma do Cisne que expira a cantar...
Desde esse momento, no Olimpo onde entraram,
Em honra dos Cisnes que tanto se amaram,
Das almas que foram leais e sinceras,
se Vénus se mostra, surgindo da bruma,
São eles que tiram, nas altas esferas,
A concha de nácar, cercada de espuma...
António Feijó, Sol de Inverno, 1922
Mais poemas de António Feijó na página do Projecto Vercial, carregar aqui
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terça-feira, 13 de setembro de 2016
amizade perpétua
Gazeta de Lisboa occidental, num. 29, 337, quinta-feira, 21 de Julho de 1740,
Italia, Napoles, 14 de Junho
Com a chegada de um correio extraordinário de Constantinopla se recebeu aviso que Monsenhor Finochetti, ministro desta Corte, tem acabado de ajustar entre este Reino e o Império Otomano, um tratado de amizade, comércio e navegação, pelo qual se comprometem ambas as partes de observarem uma paz e amizade perpétua entre as duas nações, as quais poderão comerciar livremente (...) link: carregar aqui
Italia, Napoles, 14 de Junho
Com a chegada de um correio extraordinário de Constantinopla se recebeu aviso que Monsenhor Finochetti, ministro desta Corte, tem acabado de ajustar entre este Reino e o Império Otomano, um tratado de amizade, comércio e navegação, pelo qual se comprometem ambas as partes de observarem uma paz e amizade perpétua entre as duas nações, as quais poderão comerciar livremente (...) link: carregar aqui
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terça-feira, 23 de agosto de 2016
terça-feira, 26 de julho de 2016
o tigre riscadinho
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quarta-feira, 16 de março de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
no limiar entre acreditar e brincar
«Ele estava sempre nesse limiar entre acreditar e brincar com isso»
Teresa Rita Lopes, sobre Fernando Pessoa
Entrevista ao jornal Sol, 17 de Fevereiro de 2016
Teresa Rita Lopes, sobre Fernando Pessoa
Entrevista ao jornal Sol, 17 de Fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
bruxelenses
Levantei-me então. Os viajantes queixam-se dos hotéis estrangeiros, da nudez dos quartos que se encontram e da falta de conforto; o meu pareceu-me soberbo e muito alegre. Tinha magnificas janelas, com grandes vidros, tão limpos e tão claros! Havia um lindo espelho sobre um toucador, outro, enorme, sobre a chaminé! O chão era tão brilhante! Saí do quarto logo que me vesti; os degraus da escada, todos de mármore, quase me inspiravam respeito. No primeiro andar encontrei uma criada; calçava tamancos, vestia um saiote vermelho muito curto, uma camisa de chita, possuía cara chata e um ar estúpido; falei-lhe em francês, respondeu-me em flamengo num tom rude mas correcto. Mas achei-a encantadora; não era, por certo, nem amável nem bonita, era pitoresca; lembrava-me certas figuras dos quadros holandeses que vira, outrora, em casa do meu tio Seacombe.
Entrei numa grande sala que me pareceu majestosa; o ladrilho era preto, assim como o fogão e quase todos os móveis; nunca me sentira tão disposto para a alegria como quando me sentei diante daquela mesa preta, coberta até meio com uma toalha, branca como uma mortalha, servindo-me do café que me trouxeram numa pequena cafeteira também preta. O fogão entristecer outros olhos que não fossem os meus, pela sua cor, mas espalhava um calor reconfortante. Dois cavalheiros estavam sentados perto dele e conversavam; impossível compreendê-los, de tal modo falavam com rapidez: no entanto, o francês, na sua boca, tinha, aos meus ouvidos, sons cheios de harmonia (não sentia ainda tudo o que tem de pavoroso a horrível pronúncia belga). Um daqueles senhores reconheceu imediatamente a que nação eu pertencia, provavelmente pelas palavras que disse ao criado, pois, ainda que inutilmente, eu persistia em falar francês com a execrável pronúncia do sul da Inglaterra. O senhor em questão, depois de me ter fixado uma ou duas vezes, chegou-se polidamente e dirigiu-me a palavra em inglês. Eu daria bastante para me exprimir em francês com a mesma facilidade. A sua frase correcta e fácil, a sua excelente pronúncia, fizeram nascer no meu espírito uma ideia bastante justa do carácter cosmopolita da capital da Bélgica, e, pela primeira vez, tive a evidência da aptidão para as línguas que reconheci, mais tarde, em quase todos os bruxelenses.
Charlotte Brontë, O Professor, p.75 e 76, Inquérito, Lisboa.
Entrei numa grande sala que me pareceu majestosa; o ladrilho era preto, assim como o fogão e quase todos os móveis; nunca me sentira tão disposto para a alegria como quando me sentei diante daquela mesa preta, coberta até meio com uma toalha, branca como uma mortalha, servindo-me do café que me trouxeram numa pequena cafeteira também preta. O fogão entristecer outros olhos que não fossem os meus, pela sua cor, mas espalhava um calor reconfortante. Dois cavalheiros estavam sentados perto dele e conversavam; impossível compreendê-los, de tal modo falavam com rapidez: no entanto, o francês, na sua boca, tinha, aos meus ouvidos, sons cheios de harmonia (não sentia ainda tudo o que tem de pavoroso a horrível pronúncia belga). Um daqueles senhores reconheceu imediatamente a que nação eu pertencia, provavelmente pelas palavras que disse ao criado, pois, ainda que inutilmente, eu persistia em falar francês com a execrável pronúncia do sul da Inglaterra. O senhor em questão, depois de me ter fixado uma ou duas vezes, chegou-se polidamente e dirigiu-me a palavra em inglês. Eu daria bastante para me exprimir em francês com a mesma facilidade. A sua frase correcta e fácil, a sua excelente pronúncia, fizeram nascer no meu espírito uma ideia bastante justa do carácter cosmopolita da capital da Bélgica, e, pela primeira vez, tive a evidência da aptidão para as línguas que reconheci, mais tarde, em quase todos os bruxelenses.
Charlotte Brontë, O Professor, p.75 e 76, Inquérito, Lisboa.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Soneto de Shakespeare CXXX
Os olhos como o sol o meu amor não tem
e é mais rubro o coral que a sua rubra boca,
e então se a neve é alva, seu peito é 'scuro e bem,
se os cabelos são fios, só fio negro a touca.
Vi rosas-de-damasco, brancas e encarnadas,
mas tais rosas nas faces não vejo ao contemplá-la,
e têm alguns perfumes essências delicadas
mais que as do meu amor no hálito que exala.
De ouvi-la falar gosto, contudo, bem no sei,
na música ressoa mais doce afinação:
uma deusa a passar, confesso, nunca olhei,
a minha dama, andando, põe os seus pés no chão.
E eu penso o meu amor tão raro todavia
como os mais que de enganos gera a falsa poesia.
Tradução de Vasco Graça Moura in "50 Sonetos de Shakespeare", p. 102, Editorial Inova, Porto, Abril, 1978
e é mais rubro o coral que a sua rubra boca,
e então se a neve é alva, seu peito é 'scuro e bem,
se os cabelos são fios, só fio negro a touca.
Vi rosas-de-damasco, brancas e encarnadas,
mas tais rosas nas faces não vejo ao contemplá-la,
e têm alguns perfumes essências delicadas
mais que as do meu amor no hálito que exala.
De ouvi-la falar gosto, contudo, bem no sei,
na música ressoa mais doce afinação:
uma deusa a passar, confesso, nunca olhei,
a minha dama, andando, põe os seus pés no chão.
E eu penso o meu amor tão raro todavia
como os mais que de enganos gera a falsa poesia.
Tradução de Vasco Graça Moura in "50 Sonetos de Shakespeare", p. 102, Editorial Inova, Porto, Abril, 1978
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