Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O que será que será

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

os ritmos desencadeadores da unidade de movimento

Em religião e no que se pode chamar a cultura, o negro africano era por assim dizer totalitário, totémico: isto é, desconhecedor do sentimento de personalidade e de individuação. Um negro considerava-se sempre membro de um todo sacral, a comunidade de sangue expressa na tribo ou grupo humano sujeito a uma forma material do mistério - animal, rio, planta - e dela dependente pela prática de ritos colectivos que preenchiam a vida quotidiana: bodas, plantações, colheitas, guerras, funerais. Daí a importância dos gestos em cadeia e dos ritmos desencadeadores da unidade de movimento, bem como dos instrumentos empregados para os realçar e produzir: marimbas, atabaques, colares, braceletes. Daí a excelência da arte negra inscultora da pele e da madeira, a perfeição da dança orgiástica, do canto monótono e profundo que reitera o tema e a intenção.

Vitorino Nemésio, Vida e Obra do Infante D. Henrique, Vertente, Porto, 1984, p. 26
com a seguinte nota: A primeira edição deste livro foi efectuada em 1959, integrada na Colecção Henriquina.

sábado, 19 de novembro de 2011

VITAS - Varsóvia 21 de Abril de 2012


O video que estava aqui anunciava o concerto de 21 de Abril de 2012 em Varsóvia mas foi removido pelo utilizador de modo que, entre apagar esta publicação e substituir o vídeo pelo que foi feito mais tarde, optei pela substituição. Eis porque este vídeo tem uma data posterior à da publicação :)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

lábio a lábio

A abóboda do céu assemelha-se a uma taça voltada,
sob a qual, os sábios, vagueiam, debalde.
Que o teu amor pela bem-amada seja igual ao da ânfora pela taça.
Vê... Lábio a lábio, elas dão entre si o seu sangue.

Omar Khayyam, Rubaiyat - odes ao vinho, Editorial Estampa, Lisboa, 1990, p. 49

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

traduções do Rinoceronte

«A imagem de um rinoceronte é criada usando apenas caligrafia Árabe na escrita Diwani Jali. O texto é a famosa citação de Eugène Ionesco da peça "Rinoceronte": "Há certas coisas que entram nas mentes até de pessoas que não têm uma." A frase está escrita duas vezes.»

O texto acima é a tradução do texto em inglês que acompanha a imagem aqui.

A frase original de Ionesco - que também era romeno - em francês é: "Il y a des choses qui viennent à l'esprit même de ceux qui n'en ont pas." cuja tradução literal será: «Há coisas que vêm ao espírito mesmo daqueles que não o têm.»

Proponho esta alternativa em português: «Há coisas que vêm à ideia até daqueles que não têm ideias.»

domingo, 13 de novembro de 2011

fazer o caminho

Continua a andar, mesmo que não haja lugar para onde ir.
Não tentes ver através das distâncias.
Isso não é para seres humanos. Vai por dentro,
mas não pelo caminho por onde o medo te leva.

RUMI

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

só precisas de medo

Levaram Nasrudin (Nassrudin, Nasruddin ... ) à presença de um Rei cruel acusando-o de espalhar histórias que minavam o poder político.
- Prova-me que és um sábio ou mando cortar-te a cabeça, gritou o Rei.
- Vossa Majestade, eu vejo dragões nos céus e agora mesmo estou a ver os demónios nas entranhas da Terra, disse Nasrudin imediatamente.
- Ah sim? Como é que consegues ver isso?
- É fácil, disse Nasrudin, só precisas de medo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

o monge calmo


Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu não me mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim.
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Só me arrependo de outrora te não ter amado.

Alberto Caeiro

imagem: Francisquinhos

terça-feira, 8 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

anekdot

anedota diz-se анекдот (anekdot) em russo e "Vovochka" é o diminutivo de Vladimir

Quero viver na União Soviética

Professora: Onde é que há os melhores brinquedos?
Crianças: Na União Soviética!
Professora: E onde é que há os doces mais saborosos?
Crianças: Na União Soviética!
Professora: Portanto onde é que as crianças são mais felizes?
Crianças: Na União Soviética!
De repente Vovochka começa a chorar amargamente.
Professora: Vovochka, porque é que estás a chorar?
Vovochka (através das lágrimas): Eu quero viver na União Soviética!