Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quinta-feira, 31 de março de 2011

placenta

na ilha do Bali, Indonésia, placenta lavada com sabão novo pronta para ser enterrada com agulha e linha e papel e lápis para que a menina seja inteligente e prendada

se fosse um menino não era preciso pôr a linha e a agulha ;)

em alternativa a placenta também pode ser deitada ao mar

sexta-feira, 25 de março de 2011

outro sítio

"A minha alma é de outro sítio, tenho a certeza disso e pretendo acabar lá."
Mawlana Jalal al-Din al-Rumi

Do poema Quem Diz Palavras Com a Minha Boca? (Who Says Words With My Mouth?) em Rumi Essencial (Essential Rumi) traduzido por Coleman Barks



Mawlana Jalal al-Din al-Rumi nasceu a 6 de Rabi'al-Awwal no ano 604 da Hégira (30 de Setembro de 1207) em Balkh, uma cidade importante da história da cultura e civilização islâmicas que fica no norte do que é hoje o Afeganistão.


quarta-feira, 23 de março de 2011

magnólias

em Braga quase todas as flores das magnólias já estão a murchar mas ainda encontrei estas para a fotografia :)

terça-feira, 15 de março de 2011

não és atormentado nem louco

"Vincent" é um poema e pequeno filme - cerca de seis minutos - de Tim Burton (1982)
é a história de um menino de sete anos que se chama Vincent Malloy mas quer ser como Vincent Price, actor americano que fez muitos filmes de terror - o último filme em que actuou foi "Eduardo Mãos de Tesoura" (1990)
em "Vincent" é o próprio Vincent Price que narra o poema
o video está no Youtube: carregue aqui para ver com legendas em português

sábado, 12 de março de 2011

fazemos da tristeza graça

porque há extraordinariedade:

tourada, poema de Ary dos Santos

música e interpretação de Fernando Tordo

carregue aqui para ver a gravação da RTP de 1973

sexta-feira, 11 de março de 2011

a nascente do mundo

Tudo o que vês tem as suas raizes no mundo que não se vê.
As formas podem mudar, porém a essência permanece a mesma.
Toda a visão maravilhosa se desvanece, toda a palavra doce se some,
Mas não te desmoralizes,
A nascente de onde provêm é eterna, crescente,
Ramificando-se, dando nova vida e nova alegria.
Porque te lamentas?
A nascente está dentro de ti
E todo este mundo está a brotar dela.

Rumi

quinta-feira, 10 de março de 2011

No sorriso louco das mães

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.

Herberto Helder

quarta-feira, 9 de março de 2011

ovos

cromolitografia de F. W. Frohawk (1861-1946)
ovos de tordos, pardais, rouxinóis ...
que me fizeram lembrar a canção alentejana anterior à ansiedade de escassez que domina a mentalidade mediática:

Quais, quais,
Oliveiras, olivais,
Pintassilgos, rouxinóis,
Caracóis, bichos móis,
Morcegos, pássaros negros,
Tarambolas, galinholas,
Perdizes, codornizes,
Cartaxos e pardais,
Cucos, milharucos,
Cada vez há mais!

se não a conhecem carreguem aqui para ouvir uma amostra, é a canção 17

ou aqui, Ceifeiros de Cuba







sábado, 5 de março de 2011

domínios que existam ou não

Ao ler as escrituras e estudar as doutrinas, deves dar a volta a todas as palavras e aplicá-las a ti própria/o. Todos os ensinamentos verbais apontam para a natureza inerente da espelhada compreensão imediata. Enquanto ela não for afectada por nada, que haja ou não, guia-te. Pode brilhar através de todos os domínios que existam ou não. Esta sabedoria adamantina, onde tens a tua parte de liberdade e independência. Se não podes compreender deste modo, então mesmo que possas recitar o cânone inteiro e todos os seus ramos de conhecimento, isso apenas te tornará presunçosa/o. Paradoxalmente demonstra desprezo pelos Budas, não é verdadeira prática.

Mestre Ch'an (Zen) Pai-chang traduzido para inglês por Thomas Cleary